Empresas triplicam custo com energia e negam benefício com mecanismo extraordinário

Human Resources com Lusa
9 de Setembro 2022 | 18:40
Empresas triplicam custo com energia e negam benefício com mecanismo extraordinário

Cerca de 40% das empresas triplicou o custo com gás natural, uma em cada seis viu triplicar a factura eléctrica e dois terços negam qualquer benefício com o mecanismo extraordinário criado dentro do MIBEL.

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Promovido pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) junto de 1.020 empresas associadas, de todo o país e de vários sectores de actividade, o inquérito conclui que «cerca de 40% de empresas registaram aumentos superiores a 200% no gás natural», enquanto uma em cada seis empresas registaram aumentos superiores a 200% na electricidade e três em cada cinco registaram aumentos superiores a 20% nos combustíveis.

Adicionalmente, «cerca de dois terços das empresas refere não ter benefício na factura de energia eléctrica» com a implementação do mecanismo de ajuste do Mercado Ibérico de Electricidade (MIBEL), destinado a evitar uma escalada dos preços da energia e mais de um quinto diz não conseguir «aferir da existência ou não de benefício, pelo facto de esta componente não surgir de forma autónoma na factura».

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Segundo a AEP, «apenas uma pequena percentagem de empresas (uma em cada oito) refere registar benefícios» com este mecanismo.

«Os resultados do inquérito da AEP confirmam o que temos vindo a alertar. As mais de mil empresas que responderam às questões demonstram grande preocupação e mostram enorme apreensão quanto à escalada dos custos de energia e à incapacidade de os repercutir no preço final dos bens», afirma o presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, à Lusa.

Para este responsável, «é imperativo reduzir a tributação sobre a energia, já elevada no contexto europeu ainda antes da pandemia e da guerra; criar outras medidas efectivas e eficazes para ajudar as empresas a mitigar a subida exponencial de custos de produção, em especial na energia, que passa por alocar de modo predominante, célere e imediato os fundos europeus (Portugal 2030 e reorientação do PRR) para as empresas (fundamentalmente, para a reindustrialização, incluindo investimentos na eficiência energética)».

Caso estas medidas não se concretizem, no inquérito da AEP, «as empresas apontam para a necessidade de redução da actividade (algumas apontam mesmo para a possibilidade do encerramento de unidades de produção) e para a diminuição das intenções de investimento», reforça Luís Miguel Ribeiro.

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Das conclusões do inquérito resulta ainda que «cerca de metade das empresas tem um peso dos custos de energia nos custos operacionais inferior a 20% e cerca de um terço entre 20% e 40%», mas «quase metade» (47%) das empresas afirma que «não consegue repercutir o aumento dos custos da energia no preço dos produtos, face ao impacto que teria na perda de competitividade e na carteira de encomendas».

A esta questão, apenas uma em cada 12 empresas respondeu que será capaz de repercutir nos preços dos produtos o aumento da fatura energética.

No que se refere à situação actual dos contratos da electricidade, após a implementação do mecanismo extraordinário, «a maioria das empresas ainda mantém o contrato de electricidade anterior à implementação do mecanismo, enquanto 30% teve de efectuar novo contrato por denúncia do anterior».

A redução de actividade e a modificação nas gamas de produtos são as alternativas mais referidas pelas empresas face ao aumento dos custos de energia, enquanto o recurso ao lay-off ou o encerramento parcial de unidades de produção são apontados por perto de um quinto das empresas, em cada caso.

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Pelo contrário, o incremento do teletrabalho não é apontado como solução, o que a AEP explica com o facto de «não se adequar à indústria transformadora, onde o inquérito regista uma elevada percentagem de respostas».

Quanto ao impacto esperado da evolução dos custos da energia nas intenções de investimento das empresas a curto prazo, verifica-se que «a larga maioria das empresas (cerca de 80%) antevê uma redução assinalável das intenções de investimento, sendo que em mais de um terço das empresas é esperada uma redução muito significativa».

Para mitigar o impacto do aumento dos custos da energia na sua actividade, a «quase totalidade das empresas defende a descida de impostos sobre a energia e o apoio célere dos fundos europeus», nomeadamente «a realocação do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] para combater a crise energética» e «apoiar o investimento em equipamentos mais eficientes e novas energias alternativas».

Outras medidas que mais empresas defendem são a redução da carga fiscal sobre os salários e sobre o capital, e a diminuição do IVA para a aquisição de equipamentos para produção de energias verdes, assim como iniciativas de apoio à tesouraria e a revisão do novo mecanismo do MIBEL.

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O regresso às moratórias de capital é outra medida apontada pelas empresas, a par da desburocratização e agilização do processo de atribuição de autorizações para produção de energias verdes e da redefinição da agenda da descarbonização no sentido de redução de custos com licenças de emissão de dióxido de carbono (CO2).

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