Entrevista a Duarte Fernandes, CEO da Kwan: Liderar com humanidade, para vencer na era Tech

Com mais de 13 anos de história e uma cultura people first, a Kwan desafia o modelo tradicional de gestão de talento tecnológico. Duarte Fernandes, CEO da empresa, explica como a proximidade, o bem-estar e o desenvolvimento contínuo se tornaram pilares para atrair e reter profissionais num mercado cada vez mais competitivo.

 

Por Tânia Reis

 

Mais do que (mais) uma empresa tech, a Kwan assume-se como uma comunidade que valoriza carreiras e relações duradouras. A cultura que coloca as pessoas no centro é uma prática diária que influencia decisões estratégicas e equilibra crescimento acelerado com proximidade e humanização.

 

A Kwan é reconhecida por ter uma cultura totalmente people first. Como é que essa filosofia se traduz no dia-a-dia da empresa?
A Kwan nasceu precisamente para contrariar a lógica de gerir talento tecnológico “à régua”. Sempre defendemos que as pessoas não são números. Hoje, essa visão materializa-se numa cultura people first real, onde cada Kwaner tem acompanhamento contínuo através dos People Experience Partners (PEP). São profissionais que actuam como Human Resources business partners dentro dos projectos e antecipam desafios, apoiam o desenvolvimento e asseguram que cada pessoa está num projecto onde se sente motivada e alinhada.

Também cultivamos uma liderança nurturer, que assenta em proximidade, em acolher o outro e cuidar das suas motivações profundas, apoiando no caminho profissional que pretende seguir. As equipas têm voz activa, transparência total e espaço para crescer. O resultado é simples: pessoas respeitadas, motivadas e integradas em projectos que fazem sentido para a sua carreira.

 

Falando em iniciativas, como reforçam essa cultura no dia-a-dia?
Temos várias iniciativas estruturadas que reforçam a cultura people first. Destacaria o Programa de PEP, de acompanhamento contínuo, gestão de carreira, ajustamento de motivações e prevenção de churn; os programas de upskilling e reskilling onde, só nos últimos 12 meses, mais de 140 consultores participaram em iniciativas de evolução de competências; e os programas estruturados de coaching e liderança, com certificação para todos os PEP.

Mas também o bem-estar, com seguro de saúde gratuito, o remote first policy e o Kwan4Wellness, um programa dedicado ao bem-estar físico, emocional e mental dos Kwaners. E, por fim, eventos e rituais de cultura, como Summer Sessions, iniciativas mensais e reconhecimento trimestral de performance.

 

Que papel desempenha a liderança na manutenção dessa cultura, especialmente numa fase de crescimento acelerado?
A liderança tem um papel central: cuidar, orientar e criar condições para as pessoas terem impacto. Chamamos a isto liderança nurturer. É um modelo exigente, mas profundamente humano, que valoriza o coaching, a autonomia e o desenvolvimento contínuo.

Numa fase de crescimento acelerado, a liderança garante que não perdemos o que nos distingue: proximidade, transparência e foco no talento. E fazemos isso com governance claro, métricas de excelência e rituais que mantêm consistência independentemente da escala

 

E como garante essa proximidade, tendo em conta a dimensão actual da empresa?
Com estrutura e intenção. Os PEP garantem proximidade real e regular com cada Kwaner. Temos canais internos activos, como Circle, Slack e grupos de PEP, iniciativas mensais e uma política de comunicação aberta.

E ferramentas como o AsKwan, o nosso chatbot interno, libertam tempo da equipa de People ao agilizar tarefas repetitivas, permitindo que o contacto humano seja dedicado ao que importa: desenvolvimento e bem-estar.

 

O vosso modelo de negócio concilia flexibilidade com retenção de talento. Quais os principais desafios para manter o equilíbrio?
O principal desafio é garantir estabilidade emocional, num modelo onde a mudança projecto faz parte do percurso. Mitigamos isso com acompanhamento contínuo, realocação sem períodos “no vazio”, pipelines sólidas de oportunidades e alinhamento transparente com cada Kwaner. A nossa cultura people first protege o talento, mesmo num mercado volátil.

 

O tempo médio de permanência dos consultores é de quase 25 meses. Que práticas têm sido mais eficazes para alcançar esse resultado?
Realçaria três factores. Em primeiro lugar, o acompanhamento dos PEP que transmite presença, cuidado e proactividade; depois, uma progressão real. Cerca de 50% dos Kwaners tiveram progressão ou mobilidade interna nos últimos ciclos. E, em terceiro lugar, a formação contínua que capacita as pessoas para crescer dentro e fora dos projectos. Mais do que retenção, focamo-nos em motivação sustentável.

 

Como medem a satisfação dos consultores ao longo do tempo?
Usamos NPS [Net Promoter Score] e eNPS, feedback contínuo dos PEP, health-checks regulares com clientes e inquéritos estruturados. Temos níveis de satisfação superiores a 75%, alinhados com benchmarks internacionais.

 

A possibilidade de internalização é outra característica distintiva da Kwan. Como é que esta política impacta a motivação e a carreira dos consultores? De forma positiva. Desde que seja uma progressão natural e alinhada com as ambições do Kwaner, a internalização não é perda, é evolução. Valorizamos carreiras completas, mesmo quando passam para outras organizações.

 

Após essa internalização, mantêm relação com os profissionais?
Sim. Mantemos contacto, abrimos portas para regressos e incluímos ex-Kwaners em eventos, comunidades e iniciativas. Cuidamos da relação antes, durante e depois.

 

Só em 2025, já contrataram mais de 150 pessoas e têm mais de 250 vagas activas. Sentem dificuldades em atrair talento?
O mercado continua competitivo, é verdade, mas a Kwan beneficia de reputação forte, cultura autêntica e projectos tecnicamente desafiantes. As maiores dificuldades estão na disputa global por perfis críticos, como DevOps, Cloud, Data, Segurança ou AI/ML, mas mantemos pipelines proactivas, o que nos permite atrair antes da necessidade.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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