Este é o maior desafio para mais de metade dos empregadores nacionais (e não é a tecnologia)

Atrair candidatos qualificados surge como o maior desafio para os empregadores nacionais, sendo identificado por 55% das empresas inquiridas. Este cenário está alinhado com a realidade global, onde 46% dos empregadores enfrentam o mesmo desafio. Os dados são mais recente ManpowerGroup Employment Outlook Survey do ManpowerGroup.
Em Portugal, além da atracção de talento qualificado, entre as maiores dificuldades encontram-se o preenchimento de funções técnicas complexas (33%), a melhoria da experiência do candidato durante o processo de recrutamento (26%) e a limitação de recursos disponíveis e redução do tempo de contratação (ambos com 21%). Estes resultados acompanham a tendência global, onde 29% dos empregadores apontam a complexidade técnica das funções como entrave, 26% destacam a necessidade de melhorar a experiência dos candidatos e 22% referem a escassez de recursos.
Ao contrário do que poderia ser esperado, a adopção de novas tecnologias, nomeadamente ferramentas de inteligência artificial (IA) aplicadas ao recrutamento, ainda representa um obstáculo limitado em Portugal, com apenas 17% dos empregadores nacionais a destacar dificuldades em acompanhar as mais recentes inovações neste campo, enquanto 14% referem desafios associados à utilização prática dessas ferramentas pelos candidatos. A nível global, estes números são mais elevados, de 23% e 22%, respectivamente.
A atracção de candidatos qualificados é o principal desafio para as empresas nacionais de todos os sectores, excepto para as empresas de Energia e Utilities, onde a maior dificuldade se prende com o preenchimento de funções técnicas complexas (43%). A complexidade das funções surge igualmente como um dos principais entraves ao recrutamento para muitos sectores, sendo o segundo factor mais referido pelos empregadores de Serviços de Comunicação, Finanças e Imobiliário, Indústria Pesada e Materiais, Tecnologias de Informação e Transportes, e Logística e Automóvel, com valores entre os 32% e os 42%.
Já a importância de melhorar a experiência do candidato é o terceiro desafio destacado por todos os sectores nacionais, excepto pelas empresas de Energia e Utilities e Cuidados de Saúde e Ciências da Vida, que mencionam a redução do tempo de contratação, com 40% e 25%, respectivamente. Ainda em Portugal, o sector de Serviços de Comunicação é o que mais aponta o desafio do uso de IA pelos candidatos (26%), seguido dos sectores de Energia e Utilities e Finanças e Imobiliário, ambos a registarem 21%.
Neste âmbito, a realidade global é semelhante, com destaque também para o sector de Tecnologias de Informação (29%). Já no que respeita à aprendizagem das mais recentes ferramentas de recrutamento com IA, os sectores de Tecnologias de Informação e de Finanças e Imobiliário destacam este factor como um dos principais desafios, tanto em Portugal (27% e 21%, respectivamente), como a nível global (29% e 28%, respectivamente).
Apesar de a atracção de candidatos qualificados se manter como o maior desafio para as empresas em Portugal, os empregadores revelam uma percepção relativamente positiva sobre a eficácia dos seus processos de recrutamento. Mais de metade (51%) afirma sentir-se confiante de que consegue seleccionar as pessoas certas para as funções certas. De facto, 11% classificam o seu processo de recrutamento como excelente, 40% como bom e 38% como aceitável. Apenas 11% dos empregadores nacionais admitem fragilidades.
A nível global, o optimismo é ainda mais expressivo: 67% dos empregadores confiam na eficácia dos seus processos de contratação, com 19% a descrevem-nos como excelentes e 48% como bons, e apenas 5% a reconhecem debilidades. Contudo, a percepção dos candidatos revela uma realidade diferente, que traduz uma desconexão entre empregadores e candidatos, num momento em que apenas 26% das empresas, a nível global, identificam a melhoria da experiência do candidato como um desafio prioritário na aquisição de talento.
De facto, o estudo Experiência do Candidato, da Criterea, mostra que quase metade dos candidatos (48%) sente ter sido ignorada no último ano durante a procura de emprego, enquanto 30% apontam o preenchimento das candidaturas como o ponto mais frustrante do processo. Além disso, 45% referem que a elevada concorrência dificulta a sua progressão, e 31% demonstram sentimentos negativos em relação ao uso de IA pelas empresas, reflectindo receios de exclusão arbitrária ou injusta.
Estes dados evidenciam um fosso entre a confiança das empresas na eficácia dos seus processos e as dificuldades reais enfrentadas pelos candidatos, sinalizando a necessidade de maior atenção à experiência do candidato como factor estratégico de atração de talento.
O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou 40.533 empregadores, em 42 países e territórios.