Organizada pela Agile Thinkers, a eXperience Agile Week decorreu em Lisboa, entre 23 e 27 de Setembro, trazendo à capital mais de 300 profissionais de diversos países para promover e demonstrar como podem empresas e recursos humanos tirar o maior rendimento da aplicação de um modelo Agile na sua organização. Acima de tudo, foram cinco dias de workshops, masterclasses e sessões inspiradoras lideradas por consultores, pensadores, autores e formadores de Agile de renome internacional, sem esquecer a importância da partilha de experiências e networking.
Enquanto as inscrições estão já abertas para a próxima edição, importa olhar para a eXperience Agile Week de 2022, que trouxe a Lisboa mais de 300 pessoas para um evento global de grande impacto com oradores notáveis na área do Agile aplicado às organizações. Objectivo? Inspirar e transmitir conhecimento a todos os participantes, além das diversas oportunidades de networking decorrentes. Dividido em três grandes momentos, o evento incluiu, entre outros, talks, masterclasses, painéis temáticos e workshops, deixando sempre espaço para momentos de puro lazer e convívio, depois de dois anos sem a possibilidade de participação ao vivo.
Assim, os primeiros dois dias foram delineados sob a tutela do World Agility Forum. Focando-se na liderança empresarial, o fórum foi suportado pelo “Grupo Fortnight”, composto por líderes empresariais e executivos como Steve Denning, Curt Carlson, Rita McGrath, Hugo Lourenço e muitos outros, que vêem os desafios e as grandes oportunidades de crescimento no actual ambiente de negócios, dinâmico e em constante mudança. Além das apresentações dos demais convidados, o dia 23 começou com a participação do CEO da Haier, Kevin Nolan; o CEO da Roche Phamarceuticals, Bill Anderson; o COO da Lego, Lars Roost, e empresários de Silicon Valley com empresas de crescimento económico exponencial. Já o dia 24 iniciou-se com uma masterclass sobre os princípios subjacentes ao sucesso das empresas na economia digital. “Como é que estes princípios diferem, fundamentalmente, dos da economia da era industrial?”. “Como avaliar o estado da sua empresa, da sua equipa ou de si mesmo com uma ferramenta de diagnóstico única, o equivalente a uma ressonância magnética organizacional?”. Estas foram algumas das questões colocadas e respondidas por Steve Denning, Hugo Lourenço e o “Grupo Fortnight” durante a sessão interactiva.
A importância do factor humano
No dia 26, a Agile Human Factors Conference deu o mote para as sessões da agenda, focando-se exclusivamente no comportamento humano, na cultura organizacional, no ambiente de equipa e no design do sistema, não fossem as pessoas o capital mais importante de uma organização. Com uma agenda preenchida com várias apresentações e workshops, o dia Agile Human Factors destacou temas tão diversos como as mais-valias do FAST Agile (por Ron Quartel), o olhar sobre a complexidade e o caos em tempos de crise (a cargo de Dave Snowden), ou o papel da neurofisiologia na nossa vida, apresentado por Delia McCabe. Já Brian Rivera focou a relevância das lições aprendidas no cockpit de um avião e da saúde mental, enquanto Gil Broza trouxe ao palco a questão de como o mindset pode moldar o caminho para a (im)perfeição. Houve, ainda, espaço para ouvir os testemunhos na primeira pessoa de quem está a fazer do Agile um modo de vida, através das palavras de Francesco Kirchoff (da Mercedes Benz IO) e Cem Sancak (da Ford Otosan) durante momento “Agile Safari”. O dia reservou, ainda, tempo para quatro workshops, que decorreram em simultâneo. A escolha recaiu sobre o workshop de Brian Rivera sobre o “Flow System” e a forma como ele se pode aplicar ao nosso dia-a-dia.
Em qualquer organização ou ambiente empresarial, e até mesmo na vida, ainda são as pessoas que fazem a diferença. Nesse sentido, e assumindo a Agile Human Factors Conference como a experiência certa para quem quer evoluir ao nível do comportamento humano, cultura organizacional, clima de equipas e o bem-estar no local de trabalho, Sandra Campaniço, uma das participantes, fala-nos da sua experiência pessoal: «Se queremos ser desafiados a pensar a nossa realidade organizacional de forma diferente, se queremos ir mais longe no mundo dos factores humanos e se queremos encontrar o nosso caminho como agentes da mudança nas nossas organizações e na nossa vida, este é o evento que temos de tornar obrigatório na nossa agenda anualmente. Quando abandonamos o conforto dos nossos gabinetes e submergimos num local onde impera a multidisciplinaridade, a multiculturalidade e os diferentes pontos de vista, apenas poderemos esperar, no final do dia, sermos pessoas capazes de olhar a realidade sob diferentes lentes. O networking, a troca de experiências e a junção de diferentes áreas do conhecimento é cada vez mais o Santo Graal que todos devemos tentar alcançar para as nossas organizações. Façamos parte delas há um dia ou há dez anos. Uma palavra para descrever o que senti no final deste dia? Crescimento. En quanto pessoa e enquanto profissional e não pode haver melhor sentimento do que esse no regresso a casa.»
O último dia desta experiência imersiva em “pensamento Agile”, foi reservado à Experience Agile, reunindo a comunidade Agile global, praticantes e especialistas que se reúnem em Lisboa todos os anos desde 2018 para criar uma dinâmica para o Agile, examinando estruturas de organização e pontos disruptores, e apontando o caminho para novos negócios. Keith Ellis, CEO do IIBA, abriu as sessões, debruçando-se sobre a capacidade de “ser nimble”, que rapidamente definiu como a expansível capacidade de uma organização sentir e responder à mudança com precisão e rapidez. Nigel Thurlow foi o palestrante que se seguiu, liderando uma sessão que, no final, evidenciou o valor da observação e da importância de fazer em vez de imaginar como se faz. Um testemunho tão emotivo como eficiente. Já Chet Hendrickson, co-criador do XP e primeiro signatário do Agile Manifesto – 2001, fechou a manhã com uma talk sobre “O que é que aprendemos até agora?” e Simon Wardley abriu a tarde com a temática “Atravessando o rio sentindo as pedras – Valor e comodidades”, logo seguido da sessão de Ivar Jacobson sobre “Algumas das coisas mais loucas quando se trabalha com métodos e modelos”, em tradução livre.
A próxima edição da eXperience Agile Week está marcada para 2023, de 22 a 26 de Setembro e 70% dos oradores já estão confirmados. Hugo Lourenço, CEO do evento, apresentou também a agenda, deixando antever um grande número de novidades, nomeadamente a criação de um High-Performance Team Challenge. Mais informações poderão ser obtidas em www.experienceagileweek.org.














