Falta de pessoal na hotelaria no Norte não pode significar precariedade

Human Resources com Lusa
4 de Agosto 2022 | 18:00
Falta de pessoal na hotelaria no Norte não pode significar precariedade

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (STIHTRSN) defendeu, no Porto, que a falta de pessoal no sector não pode significar aceitar diminuir a qualidade do serviço ou manter a precariedade.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

 

«De facto, há falta de trabalhadores no sector, mas nós não podemos aceitar que estejam aí os [trabalhadores] imigrantes a dormir, 10 ou 12 imigrantes, num só apartamento, sem condições dignas», disse aos jornalistas o dirigente sindical Francisco Figueiredo.

O sindicalista falava à porta do Hotel Intercontinental, na Praça da Liberdade, no Porto, no âmbito de acções de contacto com os clientes da hotelaria, espalhadas por vários estabelecimentos da cidade.

Continue a ler após a publicidade

Para Francisco Figueiredo, «é necessário, por um lado, preservar a qualidade do serviço», considerando que os patrões do sector querem «manter a precariedade, aumentar a exploração, continuar a pagar salários miseráveis, e continuar com estes horários longos e penosos».

Para o dirigente do STIHTRSN, «também o Governo tem culpas no cartório», porque «nada faz para promover a contratação colectiva».

Reconhecendo que «há hotéis que aumentaram os salários» em 125, 90 ou 65 euros, também «por força de cadernos reivindicativos» dos sindicatos, para Francisco Figueiredo a questão fundamental é mesmo a contratação colectiva, pois só esta «permite aumentos salariais para todos os trabalhadores».

«Sem contratação colectiva, cada um fica na sua empresa, à sua sorte. Se tiver uma boa organização sindical, conseguem reivindicar na empresa. Mas se for um hotel mais pequeno, onde há fraca organização sindical, não conseguem», argumentou.

Continue a ler após a publicidade

O dirigente sindical considerou ainda que se está a «generalizar a situação do trabalho sem qualidade» em Portugal, entendendo que as empresas devem «garantir seis meses de formação profissional em técnicas hoteleiras, em língua inglesa e portuguesa, garantir alojamento e contratos por tempo indeterminado».

«Antes da pandemia, havia trabalhadores que trabalhavam há muitos anos no sector, que iam dando formação uns aos outros e a situação era diferente», descreveu.

Hoje em dia, «tendo fugido do sector milhares de trabalhadores, como fugiram, é necessário tomar medidas de formação, de acolhimento, e não pode ser com salários miseráveis», considerou.

«Se virem a proposta de tabela salarial apresentada pela APHORT [Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo], para os trabalhadores estagiários, para os trabalhadores aprendizes e estagiários, propõem-lhes 564 euros. Muito abaixo do salário mínimo nacional», disse aos jornalistas.

Continue a ler após a publicidade

«Como é que querem atrair jovens para o sector se nem sequer o salário mínimo nacional aplicam?», questionou.

Francisco Figueiredo anunciou ainda que na sexta-feira, pelas 09h30, haverá uma manifestação no Porto, em conjunto com o sindicato da região Centro, com partida da Praça da Ribeira e que seguirá para a Câmara Municipal, incluindo a entrega de moções a todos os estabelecimentos.

A acção visa denunciar a «propaganda das empresas que dizem que têm falta de trabalhadores, mas que pagam salários miseráveis».

Partilhar


Mais Notícias