Formação. Experiencial “online”?

Por João Nuno Bogalho, Gestor de Pessoas. Coordenador de pós-graduações no Instituto Piaget

 

Apesar de ainda haver algumas empresas que encaram a Formação como uma obrigatoriedade para cumprir requisitos legais, é hoje claro para todos, que a Formação é uma ferramenta crucial no sucesso das organizações.

A Formação tem passado por distintas fases de desenvolvimento, quer nos conteúdos que tentam acompanhar a evolução das necessidades, quer nas metodologias utilizadas.

Tal como diversas dimensões da Gestão de Pessoas, a Formação pode estar a passar por um momento de necessidade de transformação, ou mesmo revolução.

Recordo os tempos em que a Formação consistia em sentar um conjunto de pessoas e transmitir um conjunto de conhecimentos, e durante horas e dias, os formandos assistiam, tomavam notas, e tentavam de forma individual, guardar os conhecimentos adquiridos e transportá-los para a, eventual, prática futura nas suas organizações, e funções.

Falava-se da curva de retenção ser demasiado curta. Da rapidez em que os conhecimentos adquiridos perdiam a sua relevância, não se transformando em competências ou skills adquiridos, experimentados e desenvolvidos.

Começaram a surgir os exemplos, os casos práticos, os exercícios, e outras técnicas que foram provando a sua capacidade de melhor transmitir o conhecimento, através da prática concreta.

Demos também o passo, bastante disruptivo, nomeadamente ao nível das áreas comportamentais, através da formação experiencial, vivencial. Atingimos uma evolução muitíssimo significativa, ao nível da percepção, incorporação e posterior réplica dos conhecimentos adquiridos e das competências vivenciadas, experimentadas.

Sendo que uma das dimensões importantes que a Formação atravessa(va) é essa interação entre pessoas, provocando os seus comportamentos naturais, através de dinâmicas em grupos, presentes. Onde toda a linguagem corporal é importante, e merecedora de interpretação e entendimento. E até, de melhoria.

Começou, há muito já, a desenvolver-se esta dimensão da Formação online, e-learning. Que trouxe um imenso número de vantagens e abriu um conjunto de possibilidades até aí inalcançáveis. E o e-learning teve um crescimento exponencial, permitindo aumentar o âmbito e o universo de formandos, reduzindo significativamente custos diretos e indiretos da formação. Além de permitir o acesso imediato a um conjunto imenso de fontes de conhecimento, dinâmicas síncronas, e possibilidades que a tecnologia nos traz, que no presencial não são de todo possíveis.

E este passo torna-se vital, quando temos cada vez mais pessoas a trabalhar remotamente, uma dispersão geográfica que, nalgumas empresas, já não permite juntar as pessoas todas para, regularmente promover formação, comunicação, interação, dinâmicas de grupo… presenciais.

Se vejo imensas vantagens em todo este novo mundo, incluindo estas novas dinâmicas da Formação, vejo com alguma dificuldade a transposição de todo o ganho da Formação Experiencial para o Mundo Virtual. Para o Online. Tendo a dizer que não é possível.

O mercado começa a apresentar soluções disruptivas, a tentar promover estes equilíbrios. As empresas procuram soluções que respondam a esta necessidade exponencialmente crescente de desenvolver as competências comportamentais das suas pessoas. E creio que está aqui uma dimensão ainda por conhecer o seu novo paradigma.

Neste novo normal, em que tendemos ao distanciamento e ao isolamento, trabalharemos cada vez com mais pessoas que nem vamos saber se são altas ou baixas, porque apenas lhes vemos a cara num monitor.

A Formação pode bem ser a solução para manter a socialização o mais humanizada possível. Saibamos encontrar soluções que consigam tirar partido das potencialidades tecnológicas do online, com a provada eficácia da Formação Experiencial.

Até porque já tenho saudades de montar aquela jangada com barris e tábuas que depois juntamos todos e fazemos uma jangada gigante.

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