Governo aponta “várias soluções” para rever tabela remuneratória da Função Pública

Human Resources com Lusa
21 de Junho 2021 | 15:00
Governo aponta “várias soluções” para rever tabela remuneratória da Função Pública

O Governo está a avaliar «várias soluções» para rever a tabela remuneratória da função pública que passam por «alongá-la» ou alterar os momentos de entrada em cada carreira, disse a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

A informação foi avançada por Alexandra Leitão, numa entrevista à agência Lusa, concedida no âmbito da reunião informal de ministros da Administração Pública da União Europeia (UE) que se realiza na terça-feira, em Lisboa, no quadro da Presidência Portuguesa do Conselho da UE.

Considerando «prematuro» falar sobre aumentos salariais para o próximo ano, a ministra disse que o que está em cima da mesa nesta altura nas negociações com os sindicatos é a revisão da tabela remuneratória única, nomeadamente a «compressão» dos primeiros níveis salariais devido ao aumento do salário mínimo nacional.

Continue a ler após a publicidade

«Continuamos a ter em cima da mesa o aumento do salário mínimo nacional, que está anunciado até ao fim do mandato deste Governo, até 2023, mas que provoca uma compressão de vários escalões do início da tabela e que é algo que nos preocupa», sublinhou a ministra.

Alexandra Leitão explicou que, devido à actualização do salário mínimo, há carreiras como a de assistente técnico e operacional «que ficam com menos escalões do que aqueles que a própria lei determina, que são oito».

Questionada sobre que medidas estão a ser preparadas, a ministra respondeu que o seu ministério, em conjunto com o das Finanças, está a estudar «várias soluções possíveis» que serão apresentadas aos sindicatos «no momento próprio».

Continue a ler após a publicidade

«Há várias possibilidades em cima da mesa: uma revisão da tabela no sentido de a alongar, uma alteração dos momentos de entrada em cada carreira e, portanto, alterar de forma a manter a proporcionalidade entre elas», adiantou.

A par da tabela remuneratória, as negociações com as estruturas sindicais englobam ainda a revisão do sistema de avaliação de desempenho da administração pública (SIADAP), que também está neste momento a ser trabalhado com o Ministério das Finanças.

Continue a ler após a publicidade

Apesar de referir que «ainda não há uma solução concreta» para a revisão do SIADAP, a ministra reafirmou que o objetivo é acelerar as progressões na carreira, sublinhando que «se a solução for a de encurtar os saltos, os acréscimos salariais também terão que ser adaptados».

Continue a ler após a publicidade

Sobre a revisão das carreiras especiais, Alexandra Leitão reafirmou que o tema «não é um tabu» e que está previsto no programa do Governo, indicando no entanto que «o enfoque» deve ser colocado nas carreiras gerais, nomeadamente na carreira de técnico superior.

Os técnicos superiores «são muito a base do trabalho qualificado que é feito na administração pública» e «é importante que o estatuto, remuneratório e não só, destas carreiras gerais, seja mais valorizado, não em detrimento de nada nem de ninguém», afirmou a governante.

Para a ministra, os técnicos superiores «são os trabalhadores que às vezes menos visibilidade têm».

Continue a ler após a publicidade

«Quando um médico ou um professor fazem greve têm muito mais visibilidade do que quando faz greve um jurista que faz pareceres numa direção-geral ou um engenheiro que vê projectos», enfatizou.

«O estatuto dos trabalhadores técnicos superiores, a sua qualificação e capacitação, a sua progressão na carreira, é muito importante» e «acho que ainda há tempo para fazermos alguma coisa aí», realçou Alexandra Leitão, acrescentando que este processo pode ser feito com a revisão do SIADAP ou num processo à parte.

Partilhar


Mais Notícias