Governo quer limitar mandatos das chefias intermédias do Estado

Human Resources com Lusa
21 de Junho 2021 | 12:40
Governo quer limitar mandatos das chefias intermédias do Estado

Governo quer impor limites no número de renovações das comissões de serviço dos dirigentes intermédios da função pública, revelou a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, em entrevista à Lusa.

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Segundo a governante, esta é uma das principais alterações ao estatuto dos dirigentes que estão a ser preparadas pelo executivo e que incluem também mexidas no recrutamento dos dirigentes superiores, a ser trabalhadas com a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP).

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«A nossa proposta passa por duas ideias força. A principal prende-se com os dirigentes intermédios: estabelecer uma limitação de comissões de serviço como há nos dirigentes superiores, em número de comissões», afirmou a ministra.

«Actualmente, nos dirigentes intermédios, não há esta figura e portanto a pessoa pode ficar, em última análise, 20 anos [no cargo]», enfatizou Alexandra Leitão.

Para a ministra, ao estabelecer um limite no número de “mandatos” das chefias intermédias, o que se está a fazer é «a obrigar a algum tipo de renovação, é obrigar as pessoas, ao fim de um tempo, a saírem da sua zona de conforto para vir outra pessoa com outras ideias», defendeu, numa entrevista concedida à Lusa, no âmbito da reunião informal dos ministros da Administração Pública da União Europeia, que se realiza na terça-feira, em Lisboa, no quadro da presidência portuguesa.

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Segundo as estatísticas oficiais do emprego público, no primeiro trimestre deste ano, o número de dirigentes intermédios na administração pública era de 11.895.

Actualmente, as comissões de serviço das chefias intermédias (directores de serviço e chefes de divisão) têm a duração de três anos e as suas renovações não têm limites, estando dependentes da avaliação de desempenho e dos resultados. Já as comissões de serviço dos dirigentes superiores (directores-gerais ou presidentes de institutos) duram cinco anos e podem ser renovadas uma vez.

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Quanto às alterações ao recrutamento dos dirigentes superiores, a ministra reafirmou que as mudanças passam sobretudo «por uma redução dos prazos em que as pessoas fiquem em substituição».

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Estas pessoas em regime de substituição são escolhidas directamente pelo Governo (sem concurso) e mantêm-se no cargo até que haja um concurso de recrutamento, que deve ser aberto, por lei, no prazo de 90 dias, a pedido do Governo.

Alexandra Leitão indicou ainda que as mudanças passam por «permitir que a CRESAP abra oficiosamente o concurso [de recrutamento], quando um membro do Governo não o faça».

«Depois, naturalmente, o tempo que durar o concurso já não está na mão de um membro do Governo», realçou a governante.

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As nomeações de dirigentes superiores em regime de substituição têm gerado polémica, com os partidos da oposição no parlamento a criticarem a demora na abertura de concursos a pedido do Governo, permitindo assim que as chefias escolhidas diretamente pelo executivo se mantenham no cargo, nalguns casos, vários anos, sem concurso.

Outra das soluções que está a ser estudada e que está no programa do Governo é a possibilidade de se criarem «equipas ao nível dos dirigentes superiores, designadamente fazendo com que o dirigente superior, o director-geral uma vez selecionado, possa ter uma palavra a dizer na selecção do seu subdirector», avançou a governante.

«Não é uma revisão profunda, mas achamos que é uma revisão que vai no sentido certo e que foi muito trabalhada com a CRESAP», rematou a ministra da Administração Pública.

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