Há quase 70 mil alunos estrangeiros a estudar em Portugal. O número mais que duplicou em seis anos

No início de 2023, quase 68 mil estudantes vindos de fora tinham aulas numa instituição de ensino superior português. Há seis anos, eram pouco mais de 31 mil, passando de um peso de 9% no total de inscritos para cerca de 16%, de acordo com dados mais recentes da Direcção-Geral de Estatísticas do Ensino Superior (DGEEC) divulgados pelo Expresso.

 

De acordo com a publicação, com a diminuição da população jovem, o contingente de alunos internacionais acaba por representar em várias instituições uma parte relevante da sua comunidade escolar. É o que acontece, por exemplo, nos Politécnicos de Bragança (IPB) e da Guarda, que estão entre os que têm das maiores percentagens de estudantes que escolheram Portugal para tirar um curso.

No caso da instituição localizada em Trás-os-Montes e segundo os dados enviados pelo ministério ao Expresso, no início deste ano, um em cada três estudantes (3420 dos quase 10 mil matriculados) eram alunos em “mobilidade internacional de grau” — designação usada pela DGEEC para catalogar os “inscritos que concluíram o ensino secundário num país estrangeiro e que pretendem a obtenção de um diploma numa instituição portuguesa”. No Politécnico da Guarda são quase 20% (661 num total de 3317).

No Politécnico de Bragança — que entre os seus alunos estrangeiros conta sobretudo com jovens provenientes de Paí­ses Africanos de Língua Oficial Portuguesa, mas também cada vez mais do Brasil ou da Tunísia —, a procura por novos públicos que contrariassem a perda de população local começou no início da década passada e os resultados estão à vista.

A publicação revela também que os últimos Censos mostram que, na faixa etária dos 15 aos 24 anos e que inclui quem frequenta o ensino superior, poucos concelhos do Norte aumentaram a sua população e um deles foi Bragança, lembrou o presidente do IPB numa entrevista recente ao Expresso. E se a grande maioria acaba por regressar ao país de origem, cerca de 5% dos diplomados ficam na região.

Mas a mobilidade de estudantes integra ainda quem vem apenas tirar algumas cadeiras. A DGEEC chama-lhe “mobilidade internacional de crédito” — “inscritos por um determinado período, tendo como finalidade a obtenção de créditos académicos posteriormente reconhecidos pela instituição estrangeira de origem a que pertencem” — e são sobretudo jovens que vêm ao abrigo de programas como o Erasmus.

Entre as nacionalidades estrangeiras mais representadas, as estatísticas da DGEEC mostram que a brasileira é, de longe, a mais presente, com perto de 19 mil inscritos. Seguem-se os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, França, Espanha, Itália e Alemanha como as proveniências mais comuns. Mas as origens são as mais diversas, com destaque para países como a China, o Equador ou o Irão, com centenas de alunos a estudar no ensino superior português.

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