
Inclusão é escolher ver o valor (e não a diferença). Randstad e GRACE promoveram debate sobre integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho
Foi na sede do GRACE – Empresas Responsáveis, em Lisboa, que a Randstad promoveu “Da intenção à acção: inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho” e juntou empresas e associações para partilharem a sua jornada.
As boas-vindas estiveram a cargo de Maria João Santos, responsável pela área de Colaboração e Influência do GRACE, e Mariana Canto e Castro, HR director & head of Legal da Randstad Portugal.
«O tema não é apenas um conceito ético e de equidade, tem de fazer parte da estratégia corporativa», realçou Mariana Canto e Castro, para assim poder «incluir todos no mercado de trabalho».
Lígia Mendes, ED&I Expert manager da Randstad Portugal, apresentou “O código da equidade”, lançando a pergunta «será que os algoritmos estão a falhar?”, por exemplo ao afastar determinados candidatos dependendo do grau de incapacidade.
Para enquadrar a jornada da Randstad no tema, a responsável revelou que, num cenário em que 10,9% da população tem incapacidade, com uma taxa de desemprego de 14,7%, «não é possível fazer o mesmo de sempre e esperar resultados diferentes». Assim, a Randstad assumiu o compromisso de «ser a empresa mais equitativa e especializada do mundo», contando para tal com o papel-chave de uma “job coach”. Através de exemplos da Joana, Francisco e Miguel, demonstrou que a adaptação não abrangeu apenas profissionais com deficiência mas sim todos os colaboradores.
«Inclusão é olhar para o outro e escolher ver o valor e não a diferença» foi o mote assumido na Randstad e, para tal, o primeiro passo foi dado na área do recrutamento inclusivo, que ganhou «abrangência nacional» e um «serviço personalizado». Apesar de resultados positivos, com candidatos colocados em vários sectores, deram-se conta de que era preciso ir mais longe.
Adveio assim o segundo passo, a criação de um programa modular customizado para a jornada de inclusão de cada empresa.
No fundo, todo este processo permitiu à Randstad desenvolver «um algoritmo 360º» funcional, dentro de casa e externamente.
«A Randstad tem vindo a desenvolver práticas de gestão de pessoas mais inclusivas, tendo trabalhado especificamente nos últimos anos para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Entendemos que não podemos deixar Talento fora dos nossos processos de recrutamento e, para isso, tendo em conta o sector em que trabalhamos, precisamos dos nossos clientes, para que esta intenção passe efectivamente à acção. Foi este o mote para o evento que realizámos em parceria com o GRACE – Empresas Responsáveis e que pretendeu trazer discussão e partilha de práticas que funcionam e que podem ser implementadas com pequenas alterações, havendo vontade de mudança.
Juntámos empresas com as quais já trabalhamos, colegas e oradores/as especialistas em inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, para que diferentes perspetivas pudessem inspirar outras empresas a iniciar ou prosseguir a sua jornada de inclusão com a convicção de que esta é uma aprendizagem e que, como tal, é mais robusta quando pensamos e agimos em conjunto.
Queremos que esta seja a primeira conversa de muitas outras sobre a inclusão de grupos subrepresentados no mercado de trabalho, porque estamos conscientes do papel que a nossa empresa representa no sector dos Recursos Humanos e da responsabilidade que, pelo lugar que ocupamos, não podemos deixar de assumir, em tornar o mundo de trabalho mais justo e com isso contribuir para um ecossistema empresarial mais sustentável.»
Lígia Mendes, ED&I expert manager
A mesa-redonda “Desafios e sucessos na contratação” juntou João Oliveira, assistente de Relacionamento com o Cliente da Randstad Portugal, Ana Bento, Recruitment Business partner da Airbus, Mariana Monteiro, responsável de Infraestruturas e Edifícios da ANA Aeroportos, Ricardo Mateus, gestor Operacional da Randstad Portugal, Marta Campos, coordenadora da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, e Carmen Vale de Gato, consultora de Recrutamento Inclusivo da Randstad Portugal.
João Oliveira realçou os desafios que enfrentou quando entrou para o mercado de trabalho, desde acessos e mobilidade a estacionamento e wc.
Quando a Randstad iniciou todo este processo de recrutamento inclusivo, Ricardo Mateus recorda a necessidade de formação para as equipas que permitiu, a partir daí, elaborar um plano de onboarding. E olhando em perspectiva, garante que testemunhou mudanças positivas na equipa.
Carmen Vale de Gato, consultora de Recrutamento Inclusivo da Randstad Portugal, reiterou a importância de capacitar e sensibilizar não só os managers mas todos os colaboradores.
Um dos obstáculos referidos no debate foi o dos processos de recrutamento standard, logo a começar pelo descritivo de anúncios de emprego, que devem conter linguagem mais inclusiva. Por boas intenções que as empresas demonstrem no início, o “estandardizar” que vem depois acaba por prejudicar o processo.
Para Marta Campos, coordenadora da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, os maiores desafios permanecem o estigma e o desconhecimento, principalmente quando toca as “deficiências invisíveis”. No caso de uma pessoa que necessite de fazer hemodiálise, por exemplo, que implica horas de tratamento todas as semanas, isso é incomportável para a sua vida profissional e para a própria empresa. Uma solução, sugeriu, pode passar por uma mudança ou ajuste de funções ou até mesmo reskilling.
No caso da Airbus, Ana Bento destacou a cultura muito assente nos valores da diversidade – até porque contam com 50 nacionalidades diferentes na sua força de trabalho – e os benefícios da formação específica para equipas de liderança. E deu nota de que não fixaram uma percentagem de incapacidade, pois pretendiam «passar uma mensagem e ser verdadeiramente inclusivos». No final do dia, a responsável garante que o maior impacto observado foi no engagement das equipas.
Na ANA Aeroportos, a colaboração com parceiros externos foi valiosa e trouxe perspectivas mais práticas além de todo o conhecimento. No fundo, foi o que «permitiu materializar a teoria», sublinhou Mariana Monteiro.
Se pudessem escolher um passo fundamental para tornar o trabalho mais inclusivo…
«Ver e ouvir os outros com empatia e vontade de aprender», referiu João Oliveira. «Pegar numa vaga de emprego e pensar no que está standard», mencionou Carmen Vale de Gato. «Conhecer as pessoas e as suas competências e garantir que têm as ferramentas certas», sugeriu Ricardo Mateus. Ao que Marta Campos acrescentou «conhecer as pessoas e os seus pontos fortes e fracos». «Empatia para nos colocarmos no lugar do outro», declarou Ana Bento e «ouvir antes de agir», rematou Mariana Monteiro.
Seguidamete, o momento “Ideias em movimento” dividiu os presentes em grupos de quatro para reflectirem e debaterem temas como realidades e mitos da inclusão nas empresas, equidade e igualdade e o papel das lideranças.
Após o almoço, o painel “10 minutos de inspiração” contou com as participações de José Miguel Nogueira, professor e investigador e coordenador Operacional do Núcleo de Estudos da Deficiência do ISCTE, Sérgio Mascarenhas, Conhecimento e Transformação do GRACE, Júlia Mendes da Costa, associada Senior da PLMJ, Rita Passo Ribeiro, advogada Estagiária da PLMJ, Luiz Ernani Andrade, CEO da EqualWeb Portugal, e Tiago Dinis, Senior consultant da Randstad Portugal.