Inovação tornou-se prioridade, mas mais de 40% das empresas enfrentam um obstáculo crítico

Num mundo onde a inovação se tornou palavra de ordem, encontrar os recursos humanos para lhe dar forma é um desafio ainda maior do que o financiamento, mostram os dados da sétima edição do Barómetro Internacional da Inovação da Ayming 2026. 

‘Impulsionar a inovação’ tornou-se uma das principais prioridades das empresas, ocupando o segundo lugar desta lista, com a ‘redução de custos’, que liderava no ano passado, a descer para a quarta posição. Um cenário onde a escassez de talento se destaca como a principal barreira à concretização da inovação.

O estudo mostra que a aposta na inovação justifica o crescimento das equipas especialmente dedicadas a esta tarefa. Actualmente, a esmagadora maioria das empresas (96%) não passa sem uma equipa deste tipo, percentagem superior ao verificado no ano anterior (78%), e um aumento que é transversal: apenas 7% das pequenas empresas e 1% das grandes não tem uma equipa focada na inovação.

Mas o caminho da inovação está longe de ser linear, sendo vários os desafios que é preciso ultrapassar, como a falta de competências ou talento disponível, que preocupa 41% dos inquiridos, e um problema que tanto as pequenas (42%) como as grandes empresas (40%) são obrigadas a enfrentar, independentemente do seu sector de actividade, ainda que o da Energia seja o mais afectado (52%).

A questão do apoio ao financiamento surge também em destaque como outro dos desafios, com os níveis de autofinanciamento a manterem-se elevados (48%), enquanto a utilização de incentivos fiscais à I&D (32%) e de incentivos à inovação (38%) mostram apenas uma recuperação marginal face às quebras registadas no ano passado.

É inevitável que o impacto do cenário geopolítico, marcado por riscos que ameaçam a segurança nacional, se faça sentir quando em causa está a inovação. E isso é visível através daquela que se tornou a principal preocupação das empresas, partilhada por 54%: a cibersegurança, que surge também como a maior oportunidade de inovação (51%).

A maioria das empresas (93%) integram os riscos de segurança nacional no seu planeamento estratégico, com quase um quarto (23%) a afirmar que o influenciam de forma significativa. Estes riscos são avaliados rotineiramente: 84% das empresas fazem-no, pelo menos, trimestralmente e 68% mensalmente ou com maior frequência.

A Inteligência Artificial (IA) destaca-se como uma prioridade máxima, tendo ultrapassado as ‘novas ferramentas e tecnologias’ como principal prioridade ao nível da inovação, que é medida pelas empresas através do indicador ‘vendas’: 56% das empresas medem a inovação através de receita (subida face a 52%), seguida pelo sucesso de projectos de I&D (44%).

A colaboração destaca-se, ainda, como essencial em toda esta questão da inovação, com a maioria das empresas (53%) a colaborar com organizações parceiras, sobretudo universidades (36%), agências governamentais de inovação (29%) e ONG/organizações sem fins lucrativos (20%).

Em Junho de 2025, a Ayming entrevistou 850 directores de I&D e de inovação, directores financeiros, directores executivos e directores de tecnologia. Os inquiridos provinham de 17 países: Bélgica, Canadá, China, Chéquia, França, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Singapura, Eslováquia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

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