Já ouviu falar do conceito “hire slow, fire fast”? Pode não parecer politicamente correcto mas esta CEO afirma que é fundamental ao sucesso

Human Resources
28 de Setembro 2023 | 21:00

Melissa Kwan, CEO do eWebinar, uma plataforma automatizada de webinar que combina vídeo pré-gravado com interacções em tempo real e chat ao vivo, revelou ao Insider que o seu maior desafio, na criação de empresas, não tem sido o produto, as vendas ou o marketing, mas sim contratar – as pessoas certas. E despedir, quando não são. É, por isso, acérrima defensora da importância estratégica “contratar devagar, despedir depressa”. 

 

Contratar as pessoas ideais é difícil. «Antes dava por mim a trabalhar com determinada pessoa porque era mais fácil do que encontrar alguém novo, mesmo sabendo que aquela pessoa não era a certa para a função. Depois de gastar muito tempo e dinheiro, porque preferia evitar conversas difíceis, finalmente aprendi a importância de “despedir depressa”», revela.

O conceito de “contratar devagar, despedir depressa” foi popularizado pela cultura de startups, referindo-se à agilidade necessária para fazer uma empresa crescer num ambiente competitivo. Embora este conceito possa parecer simples e óbvio, requer confiança, clareza e maturidade para ser colocado em prática, garante Kwan.

Enquanto co-fundadora do eWebinar revela que, nos primeiros dois anos, fizeram cinco contratações erradas que acabaram por custar quase meio milhão de dólares porque não “despediram depressa”.

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“Despedir depressa” não significa literalmente remover alguém do local num momento de dúvida

Não significa que ela não fez os possíveis e impossíveis para trabalhar com a pessoa por um período de tempo razoável ou que não teve várias conversas que levaram a essa decisão.

Significa ter consciência e convicção para saber quando é preciso seguir em frente, porque não está a resultar. «Às vezes somos nós, às vezes somos eles, às vezes são os dois», remata.

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É preciso ter coragem para ter aquela conversa difícil com alguém de quem se gosta, porque é a coisa certa a fazer pela empresa e pela carreira dessa pessoa. «E precisa de ouvir o seu instinto, separar as suas emoções e ser honesto sobre as expectativas goradas.»

O que mais custa nas contratações erradas não é o dinheiro, mais sim o tempo. E embora nem todos os custos possam ser evitados – porque é impossível saber tudo – podem ser mitigados “despedindo depressa”.

Despedir depressa permite que faça duas coisas:

  1. Reduza as suas perdas, mude estratégias ou encontre alguém mais adequado.
  2. Deixe a pessoa ir e encontrar outro papel melhor para ela.

 

Isso não o torna implacável, torna-o perspicaz

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À luz das demissões em massa, é um tema delicado, pois a frase carrega uma conotação negativa. Reforça a ideia de que os empregadores são maus e os líderes não se importam com as suas pessoas.

Sim, há CEO que ganham milhões enquanto os seus funcionários são mal pagos e várias startups contrataram em excesso para acumular talentos porque podiam, e depois tiveram de demitir em massa porque não conseguiram construir um negócio sustentável. «Todos estes comportamentos são péssimos», salienta Melissa Kwan, «mas, felizmente, a maioria das empresas não é assim».

«Para competir com as grandes empresas, é necessário inspirar as pessoas a juntarem-se à nossa equipa, tratando-as como uma família e dando-lhes o que estiver ao nosso alcance para garantir que estejam felizes, porque não podemos competir em termos de salários.»

Quando alguém não resulta, o custo não é apenas o dinheiro, é o investimento emocional que se coloca em cada membro da equipa. Porém, numa start-up, em que cada euro que vai para a coisa errada é um euro que não vai para a coisa certa, é fulcral “despedir depressa”.

O foco está na contratação lenta e escolher apenas a pessoa ideal para a função

«Antes de contratarmos um novo elemento, pedimos que nos informe no momento em que estiver a pensar sair, para podermos ter uma conversa honesta sobre o tema o quanto antes», explica a CEO.

«“Despedir depressa” carrega uma conotação negativa porque soa desprezível e cruel.» Mas a realidade dessas duas palavras é muitas vezes o oposto, «porque é provável termos lutado a sério por essa pessoa antes de chegar a um acordo com a difícil decisão».

Ainda que seja doloroso, para Melissa Kwan era um conceito que precisavam de aprender, porque «o que torna um negócio bem-sucedido é a equipa por trás dele».

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