Lições da Sétima Arte para a Gestão de Pessoas: Pequenos gestos fazem diferença

Do realizador Petra Biondina Volpe, com Leonie Benesch e Sonja Riesen nos principais papéis, “Na Linha da Frente” (“Late shift” ou, “Heldin”, no título original) é um drama que acompanha o último turno de trabalho de uma enfermeira num hospital.

 

Por Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media

 

O ritmo é intenso. As tarefas e funções a desempenhar são múltiplas. Há colegas a faltar, outros de folga e os restantes estão a terminar o seu horário. Só ela e outra enfermeira irão ficar para toda uma ala do edifício. Os quartos são muitos e ainda mais os doentes. Cada um necessita de cuidados e atenções. Ela avança! Todos comprovam de imediato a sua competência. Cada fármaco é bem preparado e na dose certa. Domina a localização de cada embalagem e de cada equipamento, o que agiliza a rapidez da logística. Executa com eficácia todos os “processos e operações” de cada acção. De uma tarefa, passa logo para outra… e depois outra…

O turno prossegue e vai-se revelando nela uma faceta especial, que a torna singular: a sua dedicação personalizada a cada pessoa. Sabe ter a palavra certa a quem está à sua frente, desde os pacientes aos seus acompanhantes. Sabe ler no rosto o que cada um precisa de ouvir. Assim, por vezes, é carinhosa, mas também consegue ser assertiva e forte quando as circunstâncias o exigem.

De repente, tudo se precipita. Como não há mais enfermeiros de serviço, não tem mãos a medir para acudir a todos. As solicitações e os pedidos de ajuda acumulam-se. Tem, então, a valentia de desabafar com a colega. Explica também o que se passa a uma das médicas. O trabalho pesa-lhe. Ao mostrar a sua vulnerabilidade e fragilidade, encontra conforto, pistas e reforço para continuar. Vai também envolver na solução alguns dos doentes que partilham o mesmo quarto. Procura que se entreajudem e “puxem” uns pelos outros. Isso também os motiva, ao sentirem-se úteis e verem que se conta com eles, apesar das suas limitações.

Há um aspecto relevante que o filme projecta a dada altura e será essencial até ao fim: o valor e o impacto dos pequenos gestos. Com efeito, todos vão comprovando como cada atitude da enfermeira é realizada da melhor forma possível. Ela dá o máximo, conforme o que está ao seu alcance. Os outros notam esse esforço e procuram corresponder. Isso dá-lhe forças para não baixar os braços. Luta pelos seus objectivos, que são os dos doentes. Numa ocasião, não hesita em chamar a atenção de uma médica e também não vacila quando tem de repreender o comportamento de um paciente. Aliás, será esse modo brusco e intempestivo que fará esse doente “abrir os olhos” para a realidade do que está mesmo em jogo na sua situação.

A pressão aumenta, mas já não está só, e até uma das doentes mais antipáticas lhe solucionará um problema, correspondendo a um bom gesto da protagonista. A azáfama habitual segue o seu ritmo e o turno de trabalho termina. Regressa a casa. Faz um balanço do dia. Está cansada, exausta. Recebe um apoio inesperado que confirma o seu “bom-fazer”. Dá-se conta de que ao actuar com o foco nas necessidades dos outros, as dificuldades vão sendo vencidas. Cada desafio é um estímulo para dar o melhor de si, vindo ao de cima competências que, ao terem oportunidade de serem postas em prática, brilham em todo o seu esplendor. É que os pequenos gestos fazem a diferença!

 

Este artigo foi publicado na edição de Dezembro (nº.180) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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