
Lições da sétima arte para a Gestão de Pessoas: Ponto de ebulição
“Boiling Point”, de Philip Barantini, com Stephen Graham e Vinette Robinson nos principais papéis, é um filme intenso e cru, de tal modo que a sua história está na base de uma série em vários episódios, também com o mesmo nome, graças às variadas peripécias que vão ocorrendo.
Por Paulo Miguel Martins, professor da AESE Business School e investigador nas áreas de Cinema, História, Comunicação e Mass Media
O filme retrata uma situação que, cada vez mais, vai sendo frequente: a explosão descontrolada por parte de alguém, expressando, em atitudes e palavras, um comportamento agressivo, que acaba por ferir tudo e todos. No entanto, quem mais sofre é a própria pessoa e o próprio empreendimento em causa. Há variadas razões, mas as principais são a sobrecarga de trabalho, a asfixia emocional e a percepção de que não há nenhuma solução à vista. Quando o panorama geral é sentido pela pessoa como tão negativo e pesado, bastará uma pequena contrariedade para servir de “ponto de ebulição”, de ignição, que dê origem a um “saltar da tampa”, de modo literal.
Neste caso, tudo se passa num restaurante. A personagem principal é o chef. É o responsável pela ementa, com a respectiva selecção de alimentos e condimentos; pela equipa de cozinheiros, pelos empregados de mesa, por quem tratada limpeza de espaços e equipamentos; e, além disso, tem de prestar contas ao proprietário e “dono” do espaço, que, como é evidente, deseja alcançar lucros que permitam manter o negócio e fazê-lo crescer.
A chave para a compreensão desta história é observar o acumular de um percurso familiar problemático que afecta o seu desempenho profissional. O chef atravessa uma crise grave no casamento, que não está resolvida. Isso perturba- o e impacta a sua prestação no restaurante. É difícil focar-se e “chegar a tudo”.
Há diversos aspectos com os quais não lida convenientemente, mas o que o “deixa a ferver” é a sua relação com os seus subordinados: alguns são incompetentes, pois não lhes consegue explicar as expectativas que tem de cada um, como devem executar bem as suas tarefas, acabando por desmotivá-los. Isso faz com que alguns, para aguentar a sua forma de ser, se vão desleixando e procurando refúgio em vícios que os façam alhear dos problemas concretos.
Leia o artigo na íntegra na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.
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