Mercado laboral da União Europeia recupera mas não ao nível pré-pandemia antes de 2022

A Comissão Europeia afirma que a recuperação do mercado laboral «ganha forma» na União Europeia (UE), mas o emprego e as horas trabalhadas ainda estão abaixo do pré-pandemia e «não se espera» uma melhoria «antes de 2022».

«O impacto da crise da COVID-19 no mercado de trabalho foi amortecido pela acção política rápida e decisiva a nível dos Estados-membros e da UE. A recuperação do mercado de trabalho está a ganhar forma, mas o emprego e o total de horas trabalhadas ainda não voltaram aos níveis anteriores à crise», assinala o executivo comunitário num relatório divulgado.

Na comunicação sobre o mercado laboral da UE publicada no âmbito do pacote de outono de coordenação de políticas económicas e orçamentais, a Comissão Europeia acrescenta que, «embora a recuperação económica sustente a criação de emprego, não se espera que o regresso aos níveis de emprego pré-crise ocorra antes de 2022».

Falando na apresentação do documento em conferência de imprensa, em Bruxelas, o comissário europeu da tutela, Nicolas Schmit, assinalou que «a taxa de emprego para as pessoas com 20 a 64 anos de idade foi de 72,8% [no segundo trimestre deste ano, mais 1,2 pontos percentuais do que no período homólogo de 2020], quando se registou também um aumento de 13% por horas de trabalho por trabalhador em comparação com o quarto trimestre de 2020».

«Portanto, há uma melhoria óbvia, mas o número de horas trabalhadas por trabalhador ainda é 2,7% mais baixo do que antes da pandemia», acrescentou o responsável pelas pastas do Emprego e Direitos Sociais.

Nicolas Schmit assinalou que, «à medida que a economia recupera do choque da COVID-19 – que infelizmente ainda não terminou – é provável que nem todos os postos de trabalho sejam recuperados».

«Para algumas das empresas afectadas, a pandemia terá representado apenas um choque temporário, enquanto para outras poderá levar a mudanças profundas nos modelos de negócio, [pelo que] as políticas ativas do mercado de trabalho, incluindo a qualificação e, sempre que necessário, os incentivos à contratação têm de estar no centro do nosso trabalho para suavizar os impactos negativos da pandemia e para nos preparar para as transições digitais e verdes em curso», elencou o responsável luxemburguês.

No que toca à taxa de desemprego, fixou-se em 6,7% em Setembro deste ano na UE, um ponto percentual abaixo do registado no mesmo mês de 2020.

Vincando que «a crise da COVID-19 afectou fortemente os jovens e, em particular, a sua situação laboral», Nicolas Schmit observou que «a taxa de desemprego jovem na UE mostrou sinais iniciais de recuperação em meados deste ano».

«Mas [a taxa de desemprego jovem] ainda se situava em 17,4% no segundo trimestre de 2021, o que é quase o triplo da taxa de desemprego geral», apontou o responsável, falando «numa tragédia» que abrange um total de nove milhões de jovens nem-nem (fora do sistema educativo, do emprego e da formação).

Nicolas Schmit instou, assim, os Estados-membros a apostarem no «apoio activo ao emprego, juntamente com mais investimento em competências», até para cumprir as metas do plano de acção do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, que foi endossado pelos líderes comunitários na Cimeira Social que decorreu no Porto em maio passado, durante a presidência portuguesa da UE.i

Entre os objectivos principais estipulados nesse plano de acção está o de, até 2030, a UE ter pelo menos 78% da população entre 20 e 64 anos empregada, ter pelo menos 60% das pessoas entre 25 e 64 anos a participar em acções de formação e ainda conseguir reduzir o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social em pelo menos 15 milhões em comparação com 2019.

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