Milenares: uma geração descontente?

Dois terços destes profissionais desejam deixar as organizações onde trabalham actualmente até 2020, revela a quinta edição do “Millennial Survey” da Deloitte.

Cerca de 44 por cento dos milenares referem que, se tiverem essa escolha, esperam abandonar a empresa onde trabalham nos próximos dois anos. Esse número aumenta para 66 por cento quando o período em causa se estende até 2020. Estas conclusões foram reveladas no estudo “Millennial Survey” da Deloitte, que contou com a participação de 7700 profissionais pertencentes à geração milenar e oriundos de 29 países.

As preocupações relativas à falta de desenvolvimento de competências de liderança e aos sentimentos de negligência foram muitas vezes referidas pelos colaboradores que consideram mudanças a curto prazo nas suas carreiras. Mas questões mais abrangentes, relacionadas com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, o desejo de flexibilidade e as diferenças em torno dos valores da empresa estão também a influenciar as suas opiniões e comportamentos.

Segundo o estudo, os valores pessoais orientam as escolhas de carreira dos milenares: 56 por cento não avaliam a hipótese de trabalharem para determinadas empresas tendo em consideração a conduta ou os valores das mesmas, enquanto 49 por cento já rejeitaram tarefas que entram em conflito com os seus valores ou noção de ética. Estes colaboradores continuam a desejar que as empresas e os negócios se foquem mais nas pessoas (colaboradores, clientes e sociedade), nos produtos e no propósito – e menos nos lucros.

«Os milenares dão grande importância aos propósitos das suas organizações que vão para lá do sucesso financeiro, mantendo-se fiéis aos seus valores e às oportunidades de desenvolvimento profissional. Os líderes precisam de demonstrar que valorizam estas prioridades ou as suas organizações continuarão em risco de perder grande parte da força de trabalho», destaca Punit Renjen, CEO da Deloitte Global.

Principais conclusões do “Millennial Survey”:

  • Existe uma elevada correlação entre os sentidos de satisfação e de objectivo. Quarenta por cento dos milenares que dizem beneficiar de uma elevada satisfação profissional, e quarenta por cento dos que pretendem continuar nos seus actuais empregos para lá de 2020, referem que as empresas para as quais trabalham apresentam um forte sentido de propósito além do simples sucesso financeiro. Entre os inquiridos que apresentam baixos níveis de satisfação, os números são de 22 e 26 por cento, respectivamente.
  • O desejo de deixarem o seu emprego actual durante os próximos cinco anos é maior entre os milenares em mercados emergentes (69%) que em países desenvolvidos (61%). No entanto, existem valores discrepantes – incluindo 71% no Reino Unido – que sugerem que a intenção de mudar de emprego não se prende apenas com o cenário económico.
  • Três quartos (73%) reafirmam que as empresas têm um impacto positivo na sociedade. Este número não se alterou desde 2014 e revela que os milenares continuam a confiar no potencial das empresas para impactar positivamente a sociedade.
  • Quase dois terços (63 por cento) dos profissionais sentem que as suas competências de liderança não estão a ser desenvolvidas como deveriam, e 71% dos que revelam intenções de deixar a empresa nos próximos dois anos estão insatisfeitos com a forma como esses skills estão a ser desenvolvidos – 17 pontos percentuais acima do grupo que pretende ficar na empresa para lá de 2020.
  • Os milenares estão focados na produtividade e no crescimento pessoal. Os profissionais querem dedicar mais tempo a discutir novas formas de trabalho, a desenvolverem as suas competências e a receberem orientações dos seus mentores.
  • Três quartos dos milenares prefeririam trabalhar em casa ou em outros locais onde consideram que seriam mais produtivos. No entanto, apenas 43 por cento dispõem neste momento desta flexibilidade.
  • 77 por cento dos milenares sentem controlar totalmente a sua carreira.
Ler Mais