Moneris. Trabalho: Um mercado em evolução e adaptação

Human Resources
24 de Abril 2023 | 13:40
Moneris. Trabalho: Um mercado em evolução e adaptação

Há já seis anos consecutivos que a Moneris participa no Índice da Excelência. A empresa considera este estudo um importante barómetro da satisfação e felicidade dos colaboradores.

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Desde que começou a participar no Índice da Excelência, a Moneris tem estado sempre no Top 10 das Grandes Organizações, mas, além disso, esta iniciativa tem permitido à empresa perceber quais as preocupações das suas pessoas, o que mais valorizam, o que as motiva, e que organização gostariam de ter no futuro. Em suma, este estudo está a permitir à Moneris identificar temas críticos a endereçar de forma imediata e temas a ponderar, reajustando às reais necessidades e expectativas dos seus quadros. Rui Almeida, CEO da Moneris, explica como tem sido esta experiência à Human Resources Portugal.

 

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Como é que o tema das pessoas se integra na estratégia da empresa?
Numa empresa de serviços profissionais, não é cliché dizer que o nosso maior activo são as pessoas. A gestão de pessoas assume um caráter estratégico para a Moneris, tendo impactos significativos no serviço prestado, no desenvolvimento comercial e na capacidade de inovação e de criação de valor.

 

Nos últimos anos têm ocorrido grandes alterações no mundo do trabalho face à realidade de há não muitos anos. Quais os desafios actuais?
O mercado de trabalho está em constante evolução e adaptação, mas os últimos anos trouxeram dois acontecimentos que se revelaram disruptivos na forma como as pessoas olham para a sua vida profissional e, especialmente, como a compatibilizam com a sua vida pessoal e familiar – a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia.

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Se a pandemia que vivemos em 2020 pôs em causa os moldes de trabalho aplicados à época e nos mostrou os benefícios e oportunidades do teletrabalho ou do trabalho híbrido, a guerra na Ucrânia e a consequente inflação e disrupções que causou, recentrou o mercado de trabalho para as questões remuneratórias e de benefícios.

Em cima de tudo isto, temos no mercado de trabalho a predominância das gerações Millennials e Z, cujas motivações, necessidades e aptidões são necessariamente diferentes das gerações que as antecederam.

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De tantos desafios que a gestão de pessoas aporta, o mais agregador – e talvez o mais difícil de endereçar, será a mudança do paradigma de uma estratégia concebida de um-para-muitos para uma estratégia focada, no limite, de um-para-um. Significa, portanto, que actualmente é necessário conceber políticas de gestão de pessoas flexíveis, que tenham em conta os diferentes perfis, necessidades, expectativas e limitações pessoais. Por isso, os benefícios flexíveis ou o trabalho híbrido são políticas cada vez mais comuns e valorizadas dentro das organizações.

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Em que áreas é prioritário agir?
A nossa prioridade está na qualificação, valorização e engagement das nossas pessoas, garantindo que a Moneris investe no seu crescimento pessoal e profissional, ao mesmo tempo que cria condições para que a sua ligação, proximidade e envolvimento com a equipa e com a organização sejam cada vez maiores.

Pretendemos oferecer um ambiente de trabalho que potencie a igualdade de oportunidades dadas a todos os colaboradores, que tenha por base uma forma de estar e de trabalhar sob princípios de respeito mútuo, e que promova a excelência do desempenho e o reconhecimento do empenho que os colaboradores colocam no dia-a-dia e na busca incessante da excelência no serviço ao cliente e na vivência da marca.

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A definição de uma política de remuneração transparente, uniforme e alinhada com as tendências do mercado tem sido claramente uma aposta do nosso Departamento de Pessoas e Cultura. Para isso, temos trabalhado especialmente nos benefícios que oferecemos aos nossos colaboradores, para além das componentes remuneratórias normativas. Em 2022 foi lançado o Programa Anual de Prémios e Incentivos para todos os colaboradores da Moneris, que prevê uma partilha dos resultados globais da organização, com os pressupostos de transparência, universalidade, majoração e ligação aos vectores estratégicos da empresa.

 

Neste contexto, é preciso dar novas competências às pessoas?
Na Moneris é promovida de forma contínua a excelência técnica e a inovação tecnológica, através de Centros de Conhecimento, onde a empresa reúne os mais experientes especialistas em cada área, que identificam tendências e doutrinam toda a organização, permitindo a constante actualização e a vanguarda nas soluções apresentadas pelos seus consultores.

A área tecnológica é também imprescindível no plano da gestão de pessoas, quer no sentido de reskilling e upskilling de competências nestas áreas (fundamental e crítico), quer nas potencialidades que as ferramentas tecnológicas nos apresentam na própria gestão de indicadores internos, na apropriação de temas procedimentais e de compliance, assim como na valorização de processos como a Avaliação de Desempenho ou o catálogo formativo digital.

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Que boas práticas e/ou iniciativas identifica como inovadoras ou inéditas na vossa empresa?
Actualmente, a política de gestão de pessoas da Moneris assenta em cinco grandes pilares: a diversidade de perfis, de geografia e de negócio; a carreira e a mobilidade interna; os centros de conhecimento e a certificação; a formação e o desenvolvimento; o reconhecimento e a meritocracia.

Tendo sido um dos temas de melhoria identificados pelos nossos colaboradores em 2021, a Moneris desenvolveu um plano plurianual de formações, compostas por uma componente mais técnica, naturalmente necessária e valorizada pelos nossos profissionais, mas também por uma componente muito importante de desenvolvimento de carreira e desenvolvimento pessoal, que contribuem de forma directa para a satisfação das pessoas e para os resultados da organização.

Com um foco direccionado às competências tecnológicas, às áreas técnicas ou de especialização, à negociação e relacionamento com clientes, ou à gestão de equipas, a Moneris criou a Academia de Outono, um evento formativo desenvolvido para todas as nossas pessoas, assim como temos em marcha um programa de liderança e gestão de equipas, para quadros mais seniores da organização.

Além disso, comparticipamos formações executivas e superiores para as pessoas que pretendam investir na sua especialização e possam assim trazer valor acrescentado para a organização.

 

Quais as práticas que os colaboradores mais valorizam?
Nos resultados apresentados pelo Índice de Excelência 2022, foi muito óbvia a valorização das iniciativas formativas, em que coabitam os formatos presenciais, sempre mais potenciadores de partilha, com os formatos digitais, que facilitam o acesso e evitam as deslocações.

Mas as nossas pessoas identificam também claramente a necessidade de continuar a apostar em iniciativas de team building e de carácter social, que as possam aproximar da cultura da empresa, num ambiente mais descontraído, informal e em contacto com as diferentes categorias e geografias em que a Moneris está presente.

 

Como encaram a questão do equilíbrio entre vida pessoal e profissional numa altura em que a casa de muitos colaboradores é também o seu escritório?
As constantes dificuldades do sector, nomeadamente o desgaste que a actividade comporta, em particular na área da contabilidade e reporting, face a um calendário de obrigações muito exigente, são dos maiores entraves para a promoção de um equilíbrio saudável entre a vida pessoal e profissional neste sector.

Para contrariar esta situação, a Moneris aplica algumas medidas de trabalho flexível, desde logo com o regime de trabalho remote friendly, mas também com a flexibilidade de horário, ou o dia de folga no aniversário.

 

Como encaram o futuro do trabalho em Portugal, nomeadamente na vossa área de actividade?
A volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade são o que devemos esperar do futuro do trabalho. A única convicção que temos para os próximos anos é o caráter imprevisível do futuro, com tantos e tão importantes acontecimentos globais em marcha – pandemia(s), guerra(s), acontecimentos geopolíticos estruturais, políticas de ESG e sustentabilidade, disrupções na cadeia de produção e abastecimento, entre outros.

Naturalmente que o ambiente laboral está, também ele, em constante adaptação e mutação, com a aplicação de novas práticas laborais, com a adopção de tecnologias disruptivas, com a predominância das novas gerações no mercado de trabalho – e as suas novas necessidades, expectativas e ambições.

O caminho para a excelência faz-se, pois, adaptando, a cada momento, as políticas e práticas de gestão de pessoas. Com um inequívoco alinhamento com a visão e valores da organização, os Departamentos de Pessoas e Cultura têm, mais do que nunca, de ser capazes de ouvir, interpretar e responder aos anseios das suas pessoas, num esforço contínuo para que estejam sempre alinhadas, motivadas e felizes dentro da organização.

Ao longo dos anos, várias foram as nomenclaturas usadas para definir este activo das organizações: trabalhadores, colaboradores, recursos humanos, capital humano, pessoas. Actualmente são, acima de tudo, o nosso cliente interno.

 

Este artigo foi publicado na edição de Março (n.º 147) da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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