
Mulheres na Tecnologia: a estratégia essencial para o crescimento
Por Sandra Fazenda de Almeida, directora executiva da APDC
No Dia Internacional da Mulher, é essencial reflectirmos sobre os avanços e desafios na promoção da igualdade de género, especialmente no sector tecnológico. O futuro passa por conseguir, de forma coordenada, contrariar os números. Apesar dos avanços no discurso sobre diversidade, os dados continuam a mostrar um cenário de desigualdade. Em Portugal, apenas 20% dos especialistas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são mulheres e os cursos STEM continuam a ter uma adesão feminina reduzida. O problema não se prende com a falta de interesse, mas sim com barreiras estruturais que dificultam a permanência e progressão das mulheres no sector.
Além disso, a maioria das iniciativas para atrair o género feminino na tecnologia estão concentradas em Lisboa e no Porto, não cobrindo o resto do país, e muitas dessas iniciativas focam-se em faixas etárias mais ligadas à fase de carreira e não tanto à fase de inspiração. É crucial intensificar os esforços para alcançar uma verdadeira igualdade e representatividade, abrangendo todas as regiões e idades.
O reforço do papel das mulheres nas TIC permitirá criar diferentes pontos de vista e trazer novas experiências e uma diversidade crescente, promovendo uma nova cultura organizacional baseada na inclusão e igualdade. As mulheres têm, em regra, fortes capacidades de comunicação, colaboração e trabalho em equipa, além de uma grande capacidade de resolução de problemas e pensamento crítico. Assim, o reforço da sua presença nas empresas de tecnologias de informação e comunicação permitirá não só aumentar a pool de talento do sector, como também trazer um aumento da competitividade das organizações e do país.
Há muito tempo que a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) tem a preocupação de se colocar como pilar fundamental nesta luta. É cada vez mais imperativo criar, apoiar e expandir iniciativas que promovam a participação feminina na ciência e tecnologia. Para isso, criámos o prémio “Women Shaping Tech”. Destina-se a acelerar o impacto das melhores práticas na atracção e retenção de talento feminino nas áreas STEM. Pretende consolidar um ecossistema mais coordenado e eficaz no incentivo à participação feminina no sector tecnológico. Porque é disso que precisamos: de coordenação no que estamos todos a fazer.
Acreditamos que a transição digital impõe, necessariamente, o aumento da participação feminina e que é preciso reforçar as iniciativas e medidas para trazer mais mulheres para as tecnologias. Existem já muitos exemplos de mulheres na liderança de empresas TIC, tanto em Portugal como no estrangeiro. São casos de sucesso que mostram que as mulheres têm a mesma capacidade de liderança que os homens e que podem e devem desempenhar um papel fundamental no futuro do sector. A presença de mulheres em cargos de liderança traz diversas vantagens para as empresas, promovendo um círculo virtuoso de mudança.
Neste Dia Internacional da Mulher, devemos todos reafirmar o nosso compromisso com a equidade de género, procurando garantir mais oportunidades para mulheres nas STEM de forma a fortalecer um sector que continua a precisar de maior diversidade para enfrentar os desafios do futuro. Juntos, podemos construir um ecossistema mais inclusivo e sustentável, onde todos têm a oportunidade de contribuir e brilhar.