
Nesta empresa os colaboradores também são… Bombeiros (literalmente)
Em 1970, um grupo de colaboradores da Efacec decidiu criar uma corporação de bombeiros privada. Mais de meio século depois, a iniciativa mantém-se “viva” e a sua actuação vai além de apagar incêndios, com impacto não só no negócio, mas também nos colaboradores e na própria comunidade envolvente.
Por Tânia Reis
Presente em 13 países, a Efacec opera há mais de 75 anos nos sectores da Energia, Ambiente e Transportes. Orientada para o desenvolvimento de soluções integradas, eficientes e sustentáveis de energia e mobilidade, o principal foco é o impacto positivo na economia, sociedade e ambiente. «Sendo uma equipa feita de pessoas e para pessoas, este trabalho é sempre realizado em conjunto com fornecedores, clientes, utilizadores e comunidade, contribuindo para promover um futuro melhor que beneficie todas as partes de igual modo», partilha Ana Ramos, responsável de Ambiente, Saúde e Segurança.
Uma das iniciativas que materializa essa estratégia é uma corporação de bombeiros privada. Criada em 1970, «foi fundada por iniciativa dos próprios colaboradores e da administração, que naquela altura acreditaram ser uma mais-valia para a Efacec», conta. O projecto continua “vivo” nos dias de hoje e é composto por colaboradores que prestam apoio às instalações da empresa no Parque Empresarial da Arroteia, em Leça do Balio, e na Maia. E «fortaleceu de forma significativa a segurança da empresa dentro de portas», garante.
Com o lema “Vida por vida”, «a grande definição de “ser bombeiro” – arriscar a sua vida em prol do outro, mesmo que isso possa significar a sua», a corporação integra actualmente 11 bombeiros, que têm como objectivo salvaguardar a segurança e o bem-estar dos colaboradores e das instalações da Efacec. «Para que esta missão tenha sucesso, os colaboradores que integram a equipa têm de assegurar a sua operacionalidade mantendo formações regulares, equiparadas às dos bombeiros profissionais», explica Ana Ramos.
O processo de admissão é simples. Face às necessidades internas de aumento do quadro activo, é aberta uma candidatura interna, transversal a todos os colaboradores da Efacec. Contudo, a responsável de Ambiente, Saúde e Segurança realça que obedece a alguns critérios-base: «aptidão física, idade inferior a 35 anos, predisposição e disponibilidade para formação teórica e prática – obrigatória -, gosto reconhecido pela área de emergência e respectiva actuação sem hesitações ou receios».
Competências e conciliação
Liderança, coragem, trabalho em equipa e empatia são características fundamentais num bombeiro, mas Ana Ramos salienta que há outras soft skills igualmente valorizadas nestes colaboradores. O pensamento crítico, «por forma a ter capacidade de avaliar rapidamente uma situação de emergência e decidir o melhor curso da acção», e a resolução ágil de problemas, «ou seja, ter a capacidade de resolver problemas rápida e eficazmente é vital em situações de alta pressão», refere. A destreza física é outra característica logicamente crucial, acrescenta. «Fisicamente, temos de estar aptos para carregar equipamentos pesados e entrar em determinados ambientes instáveis e por vezes confinados.»
Quanto às habilidades interpessoais, destaca a comunicação clara e confiável, «fundamentais para trabalhar em equipa». «É crucial ter a capacidade de comunicar de forma clara e precisa para coordenar operações de resgate e garantir a segurança de todos os envolvidos.» Mas também a resiliência e gestão do stress, já que «manter a calma e tomar decisões racionais sob pressão é vital em situações de emergência», bem como adaptabilidade e flexibilidade. «Como bombeiros, devemos ser capazes de nos adaptar rapidamente a mudanças nas condições do teatro de operações e nas necessidades que surgem fruto das operações de resgate.»
Não esquecendo que os elementos que integram esta corporação de bombeiros são, ao mesmo tempo, colaboradores do grupo, conjugar as duas funções é algo que a Efacec não descura. «Procuramos apoiar os membros da corporação para que consigam conciliar a função de bombeiros com o cargo que exercem na empresa, possibilitando, assim, que a equipa monitorize as instalações e esteja disponível para actuar em caso de emergências.» Por isso, a equipa reúne semanalmente para tratar de assuntos relacionados com os bombeiros, «sendo uma escala definida e partilhada por todos os intervenientes, para ser funcional e transversal nesta dupla função».
Apagar fogos e não só
A verdade é que a área de actuação desta corporação de bombeiros vai além das emergências, nomeadamente incêndios, destaca Ana Ramos. Ainda que a maioria das ocorrências que acontecem na Efacec sejam «ocasionais e sobretudo associadas a derrames», «a equipa trabalha a emergência de uma forma transversal».
Internamente salvaguarda diversas actividades que vão ao encontro das necessidades do Grupo Efacec, como a «prevenção com presença de elementos dos bombeiros, ao nível da manutenção interna e ensaios, por exemplo, nas subestações móveis». Mas também são responsáveis pela verificação global de extintores, sinalética e afins; contenção e limpeza de pavimento em derrames; planeamento e execução de simulacros; e verificação preventiva do sistema de RIA de outros locais críticos. O plano de formação interno Contínuo Operacional e a formação interna em Primeira Intervenção e Equipas de Evacuação estão igualmente a seu cargo, salienta a responsável.
Recorda alguns episódios passados. «Em 2018, a equipa teve um papel relevante como Primeira Intervenção no controlo de um incêndio que deflagrou numa estufa, conseguindo evitar que as chamas se propagassem a outras divisões, salvaguardando assim o património da empresa e evitando um incêndio de grandes proporções.»
Mais recentemente, em 2024, surgiram «algumas situações provocadas por efeitos climatéricos no exterior e nas instalações», como a queda de uma grua sobre um prédio, em Vila Nova de Gaia, e a queda de uma árvore de grande porte sobre a cantina da empresa.
A intervenção não se esgota apenas internamente e, reconhecendo a empresa a importância do meio onde está inserida, a corporação de bombeiros estabeleceu ligações directas e eficazes com as comunidades locais. Exemplos disso são a recolha e distribuição de bens alimentares em apoio às corporações vizinhas, no seguimento do pico de incêndios de 2024, ou a participação conjunta com corporação externa em actividade com infantário local, no âmbito da época festiva como o Natal, exemplifica. «Além disso, reflecte a responsabilidade social da empresa, promovendo uma cultura de proximidade e um impacto positivo» nestas regiões, conclui.
Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 169) da Human Resources, nas bancas.
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