Noesis: «Criar elos com os colaboradores»

A Noesis aposta nos modelos flexíveis e na proximidade com os colaboradores para proporcionar uma experiência de trabalho positiva, motivadora e catalisadora da produtividade.

 

O sector das TI encontra-se numa fase de profunda transformação, em que à escassez de talento se junta um mercado global, sem limites de espaço, em que o trabalho à distância abre inúmeras opções para os candidatos. Teresa Lopes Gândara, directora de Recursos Humanos da Noesis, falou sobre as alterações dos últimos anos e a resposta da empresa aos desafios do actual mercado de trabalho.

 

De que forma a gestão de talento na Noesis tem vindo a transformar-se ao longo destes últimos dois anos?
Se numa primeira fase o desafio passou por colocar os colaboradores em segurança, nas suas casas, rapidamente evoluímos para uma fase onde a comunicação interna foi fundamental. Foi necessário assegurar fluxos de informação permanentes com os nossos talentos, contribuir para uma melhor comunicação entre equipas e pensar num novo onboarding dos colaboradores. Transformámos o nosso Welcome Day para formato remoto, o que nos permite ter todos os novos talentos, dos diferentes escritórios, a participar nesta iniciativa.

Procurámos ajudar as nossas pessoas a conciliar os benefícios do trabalho remoto, em aspectos tão importantes como o equilíbrio da vida pessoal-profissional, e a melhoria da eficiência e produtividade.

 

Quais são os principais desafios recentes e como têm vindo a ultrapassá-los?
Os novos modelos de trabalho terão de ser adaptáveis à especificidade de cada equipa e funcionar para colaboradores e para a organização. O principal desafio passa por acomodar o futuro do trabalho – mais digital, flexível e híbrido – às diferentes necessidades e expectativas dos colaboradores, das organizações e do negócio. Torna-se também, cada vez mais, necessário trabalhar novas variáveis que permitam criar elos com os colaboradores, para que estes mantenham um vínculo emocional à marca e continuem apaixonados pelo que fazem.

Quando falamos em organizações, falamos, inevitavelmente, em pessoas. Por muito que a transformação digital e a tecnologia acrescentem valor e automatização, as pessoas continuam (e continuarão) a ser o centro em qualquer negócio, sendo absolutamente vitais para o seu sucesso.

Sendo relativamente consensual que evoluiremos para modelos de trabalho híbridos, o desafio actual é o de procurar encontrar o modelo mais equilibrado e que melhor serve os interesses e expectativas dos nossos talentos, mas também da organização e dos seus stakeholders. Cabe às organizações providenciar um ambiente de trabalho agradável e procurar um maior engagement com os seus colaboradores, garantindo assim, maiores índices de satisfação, mais produtividade, entre outros benefícios.

Para isso, é necessário reforçar a proximidade com os colaboradores, assegurar o acompanhamento contínuo com o apoio das chefias, promover a segurança no teletrabalho, e fortalecer a ligação dos nossos talentos com a organização. Em resposta a este desafio, e promovendo a cultura de transparência da gestão, lançámos a iniciativa Come ON Board, em que a nossa administração está online para anunciar os resultados do negócio, partilhar as mais recentes novidades, objectivos e iniciativas das nossas equipas nas diferentes geografias onde nos encontramos, e em que todos os colaboradores estão convidados para participar e colocar as suas questões.

 

Que novas políticas de gestão de talento estão a ser implementadas e como se relacionam com os novos modelos de trabalho?
Neste momento, estamos a implementar um plano de melhoria das políticas de gestão de talentos que visa tornar a nossa cultura mais forte, tendo também em conta a evolução para modelos de trabalho híbridos. Um dos principais objectivos deste plano é o de incrementar as oportunidades de desenvolvimento e de evolução dos nossos talentos.

Contamos com uma estrutura de formação eficiente, promovendo a evolução dos nossos talentos através de aprendizagem on-the-job, partilha de conhecimento entre equipas, certificações e academias internas de formação, as Noesis Academy, em que o conhecimento é partilhado entre talentos, com meios online e desenvolvimento autónomo. Estamos permanentemente alinhados com as expectativas de desenvolvimento dos nossos colaboradores e procuramos apoiá-los na sua concretização. Além disso, estimulamos o espírito criativo e inovador dos nossos colaboradores, acolhendo as suas ideias e trabalhando para torná-las exequíveis.

Face aos desafios acrescidos destas novas realidades, estamos a reforçar as competências de liderança da organização, com programas de formação aos vários níveis.

 

De que forma os colaboradores estão a reagir a todas estas alterações?
O plano de melhoria das políticas de gestão de talentos inclui o feedback e empenho das nossas equipas de gestão, mas tem também em conta as expectativas dos nossos talentos, aferidas através de employee surveys regulares. A auscultação regular revela-se uma ferramenta crucial para podermos ir afinando a estratégia e tornar a nossa cultura mais forte.

O plano tem também sido comunicado nas nossas sessões Come ON Board, em que a nossa administração está online para partilhar as mais recentes novidades e em que todos os colaboradores estão convidados para participar e colocar as suas questões. Durante estas sessões, têm sido partilhados os principais objectivos e roadmap de implementação, e a receptividade dos colaboradores ao novo plano de gestão de pessoas tem sido muito positiva. Os nossos talentos compreendem que tem sido feito um esforço para melhorar os processos de acordo com as suas expetativas, bem como reforçar a cultura de empresa.

Prova disso, foi o facto de a Noesis ter participado, pela primeira vez, no Estudo de Cultura & Clima Organizacional, realizado pelo Great Place to Work® (GPTW), com uma taxa de resposta de 70% e um Trust Index de 82%. A certificação pelo GPTW, que reconheceu a nossa cultura de alta confiança e o bom ambiente de trabalho, surge no âmbito do plano de melhoria das políticas de gestão dos nossos talentos colaboradores sobre a sua experiência na Noesis. A Noesis alcançou também o segundo lugar nos Best Workplaces, na categoria de 501 a 1000 colaboradores, o que se traduz numa enorme responsabilidade e num compromisso de continuarmos a ser uma das melhores empresas para trabalhar.

 

Considera que existem consequências, positivas ou negativas, no que diz respeito à produtividade?
Após quase dois anos de teletrabalho e trabalho remoto forçado, que exigiram um grande esforço e adaptação quer ao nível individual, quer das organizações como um todo, é tempo de capitalizar os ensinamentos e as práticas que esta pandemia nos trouxe. Este período veio provar que é possível encontrar modelos de trabalho alternativos ao modelo tradicional.

Acreditamos que o trabalho remoto poderá ter contribuído positivamente para uma melhoria da eficiência e dos níveis de produtividade individual e também para uma maior flexibilidade na gestão do dia-a-dia. No entanto, poderá ter tido um impacto menos positivo em alguns pontos, nomeadamente no trabalho colaborativo, e é por isso que defendemos o regresso ao trabalho presencial, em regime híbrido.

 

Reter talento é mais difícil agora que o mercado de trabalho se tornou mais global?
Atrair e reter os melhores talentos é um processo cada vez mais complexo e exigente. O “custo de mudança” baixou significativamente. As barreiras que existiam para mudar de emprego estão a ser derrubadas. Hoje é possível mudar de empresa – mudar de país, até – sem sair do seu home office!

Na Noesis, a retenção de talento assume uma importância crescente e está associada a um conjunto de práticas e políticas com o objectivo de garantir que os seus colaboradores, e melhores talentos, permanecem na organização satisfeitos. Garantir uma força de trabalho estável, motivada e alinhada com os objectivos e propósito da organização, é sinónimo de maior competitividade, com evidentes benefícios para o próprio negócio. Sempre que possível, facilitamos a mobilidade interna e promovemos experiências internacionais.

Está também prevista a criação de uma iniciativa e/ou programa formal de inovação, capaz de envolver, incentivar e premiar a participação dos colaboradores na procura de novas soluções ou na melhoria de processos com impacto no negócio.

Outro dos objectivos passa por desmistificar a ideia de que o TI e as áreas tecnológicas são um mundo de homens. Na Noesis há cada vez mais mulheres a trabalhar e a empresa acredita que esta é a melhor forma de promover o TI junto do talento feminino e, assim, reter e atrair mais profissionais.

 

O que mudou nas expectativas, tanto da parte da Noesis face aos seus colaboradores como no sentido inverso? As organizações, incluindo a Noesis, são cada vez mais exigentes nos perfis que recrutam, procurando sobretudo talentos capazes de ser ágeis e de se adaptar de forma rápida às constantes inovações do sector. Valorizamos, cada vez mais, colaboradores que evidenciem características como o espírito de equipa, flexibilidade, dedicação, curiosidade, vontade de aprender e de contribuir, indo ao encontro da cultura da organização.

Os colaboradores procuram uma maior flexibilização do horário de trabalho, assim como acompanhamento e feedback contínuo.

 

Considerando que o contexto presencial se tornou cada vez menos frequente, o que é que mudou em termos de avaliações de desempenho?
Temos vindo a fomentar o acompanhamento contínuo de todos os talentos com o apoio das chefias, nomeadamente no processo de avaliação de desempenho. O processo decorreu em regime híbrido: reuniões presenciais e remotas, discutindo o plano de evolução e de formação dos colaboradores e com os resultados finais esperados. Temos todo o processo baseado numa aplicação interna, muito consolidado na organização, o que nos facilita muito do ponto de vista quer do avaliador, quer do avaliado.

 

Quais as políticas da Noesis no âmbito do desenvolvimento de talento?
Contamos com uma estrutura de formação eficiente, promovendo a evolução dos nossos talentos através de aprendizagem on-the-job, partilha de conhecimento entre equipas, certificações e academias internas de formação, as Noesis Academy, com meios online e desenvolvimento autónomo. Promovemos um acompanhamento de proximidade entre os responsáveis e líderes de equipa e os nossos talentos, e uma cultura aberta onde o acesso aos coordenadores e à equipa de Human Capital é incentivada. Esta prática permite- nos encontrar o melhor fit entre o que a empresa tem para oferecer e o que as nossas pessoas procuram, proporcionando diferentes opções de carreira, progressão na organização, e experiências internacionais. Apostamos na mobilidade interna, possibilitando a mudança de cargo, de área de negócio, ou até mesmo de região. Procuramos proporcionar experiências relevantes aos nossos talentos, indo ao encontro das suas expectativas de desenvolvimento pessoal e profissional.

 

Quais é que são as grandes tendências para o futuro?
O mundo das tecnologias de informação vive tempos de enorme transformação. A mudança é parte integrante do mercado e todos temos de nos adaptar de forma rápida.

Em Portugal, mas também no mundo em geral, verifica-se uma grande dinâmica no que diz respeito à captação de talento, em especial no sector das TI, o que provoca crescentes desafios no recrutamento. Paralelamente, surgem também modificações nas áreas da gestão do talento, que obrigam a um maior esforço por parte das organizações e necessidade de desenvolver novas estratégias para que se mantenham atractivas no mercado. Neste novo contexto, a importância das iniciativas de integração dos novos colaboradores passou a ganhar ainda maior destaque, assim como a preocupação em apoiar o seu bem-estar, tanto a nível físico como mental. E, prova disso, é que as tendências há muito apontam para novos conceitos como a diversidade, teletrabalho, bem-estar no trabalho, entre outros.

A utilização de ferramentas de People Analytics tem também vindo a ter uma importância crescente nas organizações. A gestão de dados é fundamental para tomar melhores decisões. Através do acesso a dados para avaliar e compreender o quão motivados, produtivos e eficientes estão os colaboradores, as organizações conseguem mais facilmente identificar pontos de melhoria e assim contribuir para uma maior retenção dos seus talentos. Por outro lado, as organizações terão acesso a informação mais precisa sobre que perfis necessitam, nomeadamente tendo em conta a cultura de empresa, para as suas oportunidades em aberto.

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Gestão de Talento” publicado na edição de Maio (n.º 137) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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