
Novo índice da Indeed revela os empregos com maior (e menor) probabilidade de serem transformados pela GenAI
Com base numa nova análise, a Indeed, plataforma de anúncios de emprego, criou um índice para monitorizar as mudanças no mercado de trabalho originadas pela evolução da IA generativa, noticia o Business Insider.
O GenAI Skill Transformation Index da Indeed mede o quanto a IA generativa pode mudar a forma como as diferentes competências ou empregos são realizados. Em vez de medir se esta tecnologia irá substituir totalmente os trabalhadores humanos, examina como as competências podem ser aplicadas no futuro e como pode evoluir o envolvimento humano com estas competências e tarefas.
A análise avaliou as exigências cognitivas e físicas de quase 2.900 competências laborais e a capacidade da IA generativa (GenAI) para as executar. A Indeed focou-se em dois critérios específicos:
Capacidade de resolução de problemas: o grau em que uma competência requer raciocínio cognitivo, conhecimento aplicado e julgamento prático, e quão bem a IA generativa pode replicar isso.
Necessidade física: Se uma habilidade requer execução física. Até que a robótica de uso geral avance significativamente, estas tarefas permanecerão, na sua maioria, exclusivas para os humanos, de acordo com a Indeed.
Com base nesta avaliação, as competências foram agrupadas em quatro categorias distintas, com base no seu potencial de transformação pela GenAI: transformação mínima, transformação assistida, transformação híbrida e transformação completa.

Principais descobertas
Com base nesta estrutura, a Indeed constatou que:
- 41% das quase 2.900 competências profissionais comuns avaliadas estão expostas aos níveis mais elevados de potencial de transformação impulsionada pela GenAI.
- Mais de um quarto (26%) das vagas publicadas na Indeed no ano passado podem ser “altamente” transformadas pela GenAI.
- A maioria (54%) das vagas publicadas na Indeed no ano passado serão “moderadamente” transformadas, e a sua evolução dependerá da rapidez com que as empresas adoptarem a GenAI e da capacidade de os trabalhadores se adaptarem e requalificarem.
- Quase metade (46%) das competências num anúncio de emprego típico nos EUA estão prontas para a “transformação híbrida” pela GenAI. A supervisão humana continuará a ser fundamental na aplicação destas competências, mas a GenAI já pode executar uma parcela significativa do trabalho de rotina.
- Algumas ocupações, incluindo o desenvolvimento de software, estão mais expostas. As funções que exigem mais presença física e interacção humana, incluindo a enfermagem, serão provavelmente menos impactadas, com a GenAI a alterar principalmente as tarefas administrativas, mas não necessariamente as partes principais destes trabalhos.
Quando a Indeed realizou uma versão inicial desta análise há um ano, nenhuma competência foi classificada como “muito provável” de ser totalmente substituída pela GenAI. Hoje, 19 competências (0,7% de todas as competências analisadas) foram avaliadas como “muito propensas” a serem totalmente substituídas pela GenAI, um número ainda pequeno em termos absolutos, mas um sinal significativo de progresso.
«A GenAI tornou-se – e continua a tornar-se – mais inteligente», escreveram Annina Hering, economista sénior, e Arcenis Rojas, cientista de dados, do Hiring Lab da Indeed. «Enquanto a execução física não for necessária — uma ressalva reconhecidamente importante — e as capacidades da GenAI continuarem a crescer, é provável que mais competências atravessem o limiar da automatização realista à medida que o trabalho continua a evoluir.»
A perspectiva para diferentes empregos
As descobertas mais recentes revelam que os cuidados infantis, a enfermagem e a construção civil são as áreas com menor probabilidade de serem transformadas pela GenAI.
Do lado oposto está o desenvolvimento de software. De acordo com o índice da Indeed, 81% das competências envolvidas nestes empregos sofrerão uma transformação híbrida, na qual a GenAI lidera e os humanos fornecem a supervisão.
Dados e análise de dados e contabilidade ficaram em segundo e terceiro lugares como as áreas com maior probabilidade de serem transformadas pela GenAI.
A mensagem geral é clara: nenhum emprego está totalmente imune, mas nem todos estão igualmente expostos. As funções técnicas e com elevada carga de informação sentirão o impacto da automação, enquanto os empregos baseados na presença física e no contacto humano permanecerão, em grande parte, protegidos.
Para as empresas, isto significa redesenhar os fluxos de trabalho e os pipelines de formação. Para os trabalhadores, isto significa recorrer a pontos fortes exclusivamente humanos, como a destreza física, a supervisão informada e a empatia, que a IA ainda não consegue replicar bem.