Número de empresas criadas aumenta até Setembro para valor recorde de 20 anos (e há dois sectores em destaque)

Entre o início do ano e final de Outubro, foram criadas 45 273 empresas em Portugal, o que corresponde a um aumento de quase 4% face ao mesmo período do ano anterior (+3,7%; +1 636 constituições). Quando comparados os períodos de Janeiro a Outubro, este é também o registo mais elevado dos últimos 20 anos. Os dados são do Barómetro da Informa D&B.

O aumento da constituição de empresas verifica-se em dois terços dos sectores de actividade e em quase todas as regiões do país.

Em relação aos sectores com crescimento na criação de empresas face ao período homólogo, destacam-se as Actividades imobiliárias (+23%; +1 025 constituições), a Construção (+16%; +805 constituições), os Serviços empresariais (+5,3%; +391 constituições), sobretudo as actividades de consultoria (+6,9%; +154 constituições), as Tecnologias da informação e comunicação (+9,3%; +270 constituições), com destaque para as actividades de programação informática (+27%; +243 constituições), e ainda o sector da Agricultura e outros recursos naturais (+19%; + 247 constituições).

Os Transportes têm a maior descida neste indicador (-12%; -880 constituições), um recuo que ocorre há mais de um ano, depois de vários anos de forte crescimento. A descer estão também o Retalho (-7,1%; -284 constituições), os Serviços gerais (-1,8%; -117 constituições) e o sector das Energias e ambiente (-26%; -49 constituições), que, apesar da taxa de decréscimo, tem um impacto menos expressivo no indicador global.

O aumento das constituições neste período é transversal a quase todo o país, sendo o Algarve a única região a registar uma descida (-1,3%; -35 constituições), ainda que ligeira, sobretudo na criação de novas empresas de Transportes.

O Norte é a região com o maior número de constituições de empresas (14 200), registando também o maior crescimento face ao período homólogo (+5,0%; +677 constituições), contribuindo significativamente para o aumento global deste indicador.

Até final de Outubro, encerraram 9622 empresas em todo o país, o que corresponde a uma descida face ao período homólogo.

Os dados mostram que no acumulado dos últimos 12 meses, desde Novembro de 2024 até final de Outubro de 2025, encerraram 13 701 empresas em Portugal, um registo 13% abaixo dos 12 meses anteriores (-2102 encerramentos). A análise no acumulado dos últimos 12 meses, minimiza o desfasamento temporal que se verifica entre a data efectiva de dissolução da empresa e a data da respectiva publicação, procurando leituras mais fidedignas de tendências.

A descida neste período é transversal a todos os sectores de actividade, destacando-se o sector do Alojamento e restauração (-19%; -333 encerramentos).

Já 1676 empresas iniciaram um processo de insolvência entre Janeiro e final de Outubro deste ano, o que corresponde a uma descida de 4,3% (-76 insolvências) face ao período homólogo. Esta descida verifica-se após dois anos de aumentos consecutivos deste indicador.

A descida ocorreu em metade dos setores de actividade, mas foi especialmente concentrada no sector das Indústrias (-26%; -125 insolvências), nomeadamente na Indústrias de têxtil e moda (-35%; -100 insolvências), que nos últimos dois anos registou aumentos sucessivos. Apesar desta descida, as Indústrias de têxtil e moda continuam a ser a actividade com o maior número de insolvências no período (185 insolvências), seguida das empresas de Construção de edifícios (146 insolvências).

Os Serviços empresariais (+9,9%; 27 insolvências) e os Transportes (+7,0%; +20 insolvências) apresentam neste período um crescimento das insolvências, ainda que ligeiro.

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