Nuno Simões, New Criativity: «Os líderes devem ser os primeiros a estar receptivos à aprendizagem contínua»

A Comunicação Interna é essencial para a transmissão da estratégia, cultura e propósito empresarial, bem como para motivar os colaboradores. Assim, «só com uma Comunicação Interna eficiente podemos alcançar uma estratégia de negócio bem-sucedida».

 

A New Creativity é uma agência de comunicação 360º, com actuação transversal em diversas áreas da comunicação, e é desde Outubro de 2020 parceira ibérica da Both – People & Comms, agência de comunicação espanhola especializada em Comunicação Interna e Formação em Comunicação, com mais de 20 anos de experiência. Nuno Simões, fundador e CEO da New Creativity e Cristina Salvador, fundadora da Both People & Comms, destacam a importância destas áreas nas organizações, sobretudo nos tempos incertos como os que vivemos.

A pandemia tornou mais relevante o papel da Comunicação Interna. Qual o contributo de uma estratégia de comunicação interna, principalmente na resposta a diferentes mutações na vida das empresas, sejam provocadas por eventos externos como uma pandemia ou por situações internas de crise?
Nuno Simões (NS): A Comunicação Interna é crucial, uma vez que os colaboradores, como principais influencers da empresa, devem ser informados sobre o que nela se passa. Das competências da Comunicação Interna destaco a transmissão da estratégia, cultura e propósito empresarial e o seu contributo para motivar colaboradores. Aspectos inerentes a uma reputação interna que se quer saudável e tão necessária em situações de crise internas ou pandémicas. Assim, a Comunicação Interna deve ser considerada prioritária, contínua e modular às várias fases da empresa.

 

O actual contexto impõe distância física e veio modificar a dinâmica das organizações. Como se promove a cultura organizacional com este condicionalismo, principalmente junto dos que integraram a empresa recentemente.
NS: Através de uma gestão e cultura de confiança, responsabilidade e compromisso de quem lidera e de quem é liderado. Certo é que as dinâmicas têm de ser adaptadas ao ambiente remoto e digital, e são várias as hipóteses: uso de plataformas de gestão colaborativas, reuniões semanais entre equipas, hora do café virtual, partilha da receita da semana, acções de team building ou gamification. E os novos colaboradores têm de estar incluídos, além de serem acompanhados por um “tutor” durante a integração.

 

Como é que os líderes se podem preparar a si e às suas equipas para comunicarem de forma eficaz, motivacional e colaborativa?
NS: Os líderes devem ser os primeiros a estar receptivos à aprendizagem contínua, pelo que a formação em competências comunicacionais, de liderança e engagement deve ser considerada e alargada às equipas. Pois, quanto melhor preparados se sentirem os seus membros, mais motivados, produtivos e alinhados com o propósito corporativo irão estar.

 

Como é que se pode promover a formação neste âmbito?
Cristina Salvador (CS): A capacitação dos gestores para uma liderança interna de comunicação é a chave para o bem-estar e produtividade no trabalho. E se soft skills como comunicação e capacidade de influência inatas não se ensinam, podem ser aprendidas. O segredo é praticar o role play, mostrar cenários, visualizá-los, treinar comportamentos e incentivar uma política de comunicação de “portas abertas”.

 

A Comunicação Interna está intrinsecamente ligada à motivação e realização profissional?
CS: A auto realização revelada por Maslow no cume da sua pirâmide está muito relacionada com a capacidade do top management partilhar o propósito corporativo e dos gestores intermédios o tornarem visível em cada acção. E a Comunicação Interna espelha isso mesmo, ao permitir que cada colaborador saiba o que a empresa espera de si e qual o seu contributo para ter um impacto positivo na mesma.

 

E que importância assume a Comunicação Interna na estratégia do negócio, para alcançar os melhores resultados?
CS: O colaborador desliga-se da empresa se a estratégia de negócio não for partilhada. Atrever-me-ia a dizer que só com uma Comunicação Interna eficiente podemos alcançar uma estratégia de negócio bem-sucedida.

 

Comunicar em 360º no mundo em constante mudança
A Comunicação Interna é uma das áreas mais prementes na estratégia global de uma empresa não fossem os colaboradores os seus principais embaixadores.

E a importância do employer engagement é visível nos resultados do ensaio ibérico “Next Normal”, realizado pela new creativity e Both People & Comms, em Setembro e Outubro últimos. No top 3 das práticas que os colaboradores querem que as empresas mantenham na era póscovid estão: “trabalho em equipa e transversalidade” (72%), “contacto frequente com as equipas” (54,5%) e “digitalização e investimento em tecnologia” (33%). O que mostra que, quando motivados e munidos de conhecimento e ferramentas adequados, os colaboradores são de facto os primeiros promotores da estória da empresa. Para o aumento do índice de employer engagement são inúmeras as iniciativas ao dispor: acções de formação, iniciativas de team building, eventos de incentivo e motivacionais, sem esquecer uma política activa e contínua de motivação e reconhecimento, onde a responsabilidade e o compromisso entre todas as partes da empresa são indissociáveis.

Porém, de pouco adiantará promoverem bem a empresa perante incoerências e ruídos entre o que esta diz e faz no interior e o que passa externamente. Importa assim manter alinhada a estratégia de comunicação e adequar as tácticas e ferramentas a cada público, canal e meio. Só assim existirá uma comunicação 360º capaz de responder aos desafios em que a única certeza é a mudança.

 

Este artigo faz parte do Especial “Comunicação Interna”, publicado na edição de Fevereiro (n.º 122) da Human Resources, nas bancas.

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