
O extracto bancário pode custar-lhe a aprovação do crédito habitação. Há movimentos “proibidos”
Ao contrário do que muitos pensam, não são apenas os rendimentos e a taxa de esforço que pesam na decisão de um banco aprovar (ou não) um pedido de crédito habitação. O Credito Consolidado explica tudo.
O extracto bancário, um documento exigido pelas instituições financeiras para avaliar o pedido de empréstimo, tem um papel cada vez mais relevante na análise da estabilidade e comportamento financeiro do cliente.
A verdade é que existem movimentos no extracto bancário que podem ser mal interpretados pelos bancos e influenciar negativamente a decisão de concessão do crédito, mesmo quando os rendimentos mensais dos titulares são suficientes.
O extracto revela mais do que o saldo
Os bancos não olham apenas para o valor disponível na conta à ordem. Há vários indicadores que podem levantar dúvidas sobre a saúde financeira do cliente, nomeadamente:
- Transferências frequentes para contas de terceiros, sem justificação clara, podem sugerir instabilidade ou compromissos financeiros não declarados.
- Pagamentos em sites de jogos online ou apostas desportivas tendem a ser vistos como sinais de risco, por estarem associados a perfis de maior imprevisibilidade financeira.
- Registos de saldo negativo recorrentes, mesmo que de pequeno valor, transmitem a ideia de falta de controlo orçamental.
- Pagamento de comissões por atraso no pagamento de créditos e que indiquem incumprimento fazem soar os alarmes aquando da análise de risco do empréstimo.
- Consumismo excessivo que mostre gastos mensais altos com despesas supérfluas.
«Estes detalhes, que à primeira vista poderão parecer irrelevantes, podem condicionar a percepção do banco sobre o perfil de risco do cliente. Por isso, é essencial ter cuidados redobrados, corrigir padrões negativos e perceber o que está a ser analisado», explica Rita Quaresma, analista de Crédito e responsável pelo projecto CréditoConsolidado.pt.
Muitas famílias procuram aconselhamento financeiro só depois de verem o crédito recusado, quando, na realidade, já poderiam ter tomado medidas preventivas antecipadamente. Um extracto bancário que mostre hábitos de poupança, estabilidade e ausência de comportamentos de risco pode fazer a diferença.