O futuro do trabalho em Portugal passa pela flexibilidade inteligente

Por José Pedro Fernandes, vice-presidente da SISQUAL® WFM

 

Desde há algum tempo que as fronteiras entre tempo profissional e tempo pessoal esbateram-se, as equipas tornaram-se híbridas, e a estabilidade centra-se na capacidade de cada pessoa e de cada empresa se adaptarem.

Portugal, como tantos outros países europeus, vive uma mudança de paradigma com menos jovens a entrarem no mercado e cada vez mais trabalhadores seniores a quererem manter-se activos.

No nosso país, quase um em cada cinco trabalhadores tem mais de 55 anos, segundo o Eurostat. Ao mesmo tempo, 81% das empresas portuguesas afirmam ter dificuldade em preencher vagas, de acordo com o estudo “Talent Shortage Survey 2024” do ManpowerGroup. A equação é simples e preocupante. Há menos pessoas disponíveis, mais procura e um envelhecimento generalizado da força laboral.

Perante isto, não basta contratar, é preciso repensar como organizamos o trabalho. O problema não é apenas a falta de novos recursos, mas sim de modelos que aproveitem melhor o talento disponível. O desafio prende-se em equilibrar produtividade com qualidade de vida, sem deixar que os serviços essenciais parem ou que os trabalhadores se esgotem.

É neste ponto que soluções inteligentes como as ferramentas de gestão da força de trabalho (WorkforceManagement – WFM) ganham particular relevância. Ao colocarem a tecnologia ao serviço da flexibilidade e da inclusão, as empresas estão a criar uma forma de trabalhar mais humana, inteligente e, acima de tudo, mais sustentável.

Quando as equipas envelhecem e os jovens se tornam menos, manter os serviços essenciais operacionais exige pensar de forma diferente. Uma das grandes vantagens de adoptar modelos mais flexíveis é a abertura que promovem para os reformados que desejam trabalhar em modo parcial; estudantes que procuram combinar estudo e emprego; pais que necessitam de horários adaptados. Todos estes perfis podem passar a ser participantes activos no mercado de trabalho.

Num país onde a força laboral está a envelhecer e onde o talento qualificado escasseia, adoptar medidas de flexibilidade é não só uma questão de justiça social como de sustentabilidade empresarial. Quando um colaborador tem a possibilidade de indicar a sua disponibilidade e preferências de horários, a motivação e retenção no trabalho aumentam e o absentismo diminui. Ferramentas como o Open Shifts (turnos em aberto) facilitam que grupos como reformados, estudantes ou pais possam continuar activos profissionalmente em modelos de trabalho adaptados às suas necessidades.

Importa sublinhar que a tecnologia não está ao serviço da substituição indiscriminada de pessoas, mas da optimização da sua contribuição. Sistemas inteligentes de gestão da força de trabalho, análise de dados e redistribuição de tarefas permitem que cada pessoa esteja onde faz mais sentido estar. No contexto português, com trabalhadores seniores, a necessidade de requalificação e rotatividade elevada ganha especial peso.

A redistribuição dos recursos humanos e a adaptação de turnos à disponibilidade real dos colaboradores tornam-se estratégicas. Para as empresas, recorrer à tecnologia para ampliar e valorizar o contributo humano é crucial numa era caracterizada pela escassez de talento e pelo envelhecimento da mão de obra, garantindo operações sustentáveis, equipas mais equilibradas e uma resposta mais ágil às exigências do mercado.

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