O intraempreendedor: Interessante, interessado e interesseiro

Human Resources
15 de Dezembro 2023 | 14:00

Enquanto estudo cientificamente o tema do intraempreendedorismo, na perspectiva do indivíduo, para a minha tese de doutoramento (sem deixar de ouvir a minha voz interior a dizer: tinhas mesmo necessidade de fazer isto?), pergunto-me: “será que o intraempreendedor pode ser alguém interessante e, simultaneamente, ser também interessado e interesseiro?”

 

Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

 

Quem são então estes seres complexos, os intraempreendedores? Os mais procurados pelas organizações, os MVP (most valuable players), vão ter aqui o seu perfil traçado com base em três Is (fruto da minha imaginação combinada já com uma boa dose de investigação).

Continue a ler após a publicidade

Os intraempreendedores são pessoas naturalmente interessantes, por alguns traços de personalidade que evidenciam (são proactivos, conscienciosos, extrovertidos e abertos à experiência), e também pelas suas características pessoais e recursos que aportam (auto-eficácia, autoconfiança, flexibilidade, autonomia, criatividade, capital intelectual e social, segurança psicológica, capacidade de networking, entre outros). O conceito de Intrapreneurial Self-Capital (ISC – não traduzido intencionalmente) (Di Fabio e Duradoni, 2019) reflecte exactamente esta riqueza pessoal de habilidades, competências e de atitudes, sistematizada em sete pontos-chave: core self-evaluation, hardiness, creative self-efficacy, resilience, goal mastery, decisiveness, and vigilance. É ou não é interessante? E útil, para se navegar nestes mares organizacionais agitados que gritam por inovação.

E como reconhecer que são pessoas interessadas? Esta é fácil de responder. No que fazem, no que as rodeia e no seu “encaixe” (fit) organizacional. O intraempreendedor não se limita à sua definição de funções – ele reescreve-a e adapta-a, é um job crafter (molda o seu trabalho, enaltecendo as suas valências) e um sprinter (corre a milha-extra com agilidade). Não fica “quieto” (não é um quiet stayer – se é que a expressão existe).

Identifica e explora oportunidades. É através da sua percepção, não só do clima organizacional favorável ao empreendedorismo, da boa qualidade da relação empresa-colaborador, do capital social intraorganizacional (assente em confiança, partilha e colaboração), do positivo suporte organizacional, e da existência de sistemas de trabalho e de práticas de recursos humanos que promovam a (alta) performance, que ele faz a “leitura do espaço” e se posiciona.

Continue a ler após a publicidade

Estou interessado em investir na minha carreira profissional neste ambiente? Fico, ou não fico? Se fico, dou “mais do que o litro”. E é aqui que as coisas começam a ficar interessantes.

Quando temos interesse em algo, isso faz de nós interesseiros? Sim, ainda bem que sim, e importa falar deste ponto com toda a clareza e transparência. Quem não gosta de incentivos? De natureza monetária, recompensas não financeiras ou reconhecimento? Todos somos motivados por algo. E para o intraempreendedor, saber que o seu esforço é valorizado e reconhecido faz com que fique ainda mais predisposto para ter um comportamento intraempreendedor. A intenção intraempreendedora pode e deve ser capitalizada.

“Vira o disco e toca o mesmo”, mas agora numa vertente organizacional. Pensemos nas empresas que querem atrair e/ou fidelizar talento. Afinal, as empresas também querem ser interessantes, mostrar-se interessadas, embora sejam interesseiras? Quem tiver interesse, que teça considerações adicionais.

 

Este artigo foi publicado na edição de Novembro (n.º 155) da Human Resources, nas bancas.

Continue a ler após a publicidade

Caso prefira ler online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

Partilhar


Mais Notícias