O intraempreendedorismo não é um jogo. Mas podia ser. Com quatro níveis

Missão: elevar o intraempreendedorismo ao próximo nível na sua organização, activando comportamentos através da lógica dos jogos. Tudo isto em quatro níveis de desempenho organizacional. Cada um traz instruções, desafios e desbloqueios. As organizações que os completarem, conquistam o badge “Há Mínimos”! Será que vamos ter jogadores?

 

Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer da ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

 

Sem querer “pisar o risco”, logo de início, importa dizer que os intraempreendedores não são NPC (non-playable characters). Não reagem por scripts, nem estão à espera de ordens ou da “sorte”. Jogam com autonomia e sentido de missão. Agora sim, que comecem os jogos!

Bem-vindos ao nível 1 – Despertar: reconhecer os intraempreendedores “dentro de casa”. Os intraempreendedores vêem o que outros parecem ignorar. Agem por iniciativa pessoal, movem-se por propósito. Gamificar o intraempreendedorismo é legitimar esse impulso criador, transformar a intenção em acção visível, estruturada e valorizada.

Não se trata de brincar ao/no trabalho. Trata-se de criar um ambiente onde a curiosidade é o combustível, o erro é permitido (e é uma fonte de aprendizagem) e a proactividade é celebrada.

Instrução: atribuam missões aos colaboradores, dando-lhes contexto e “porquês”. Activem os vossos “jogadores internos”.

Desbloqueio: obtenção de uma visão clara do intraempreendedor como agente de valor e não como uma excepção rebelde.

Parabéns, conseguiram atingir o nível 2 – Preparar o Terreno: criar condições de jogo (disclaimer: não é preciso ser-se o “sabichão” para perceber que as culturas que sufocam o risco silenciam o intraempreendedorismo e asfixiam Missão: elevar o intraempreendedorismo ao próximo nível na sua organização, activando comportamentos através da lógica dos jogos. Tudo isto em quatro níveis de desempenho organizacional. Cada um traz instruções, desafios e desbloqueios. As organizações que os completarem, conquistam o badge “Há Mínimos”! Será que vamos ter jogadores? A gamificação oferece um sistema alternativo de regras, propõe desafios, reforça o progresso, reconhece o esforço. (Idealmente.) Dá recompensas.

É um código cultural que legitima a tentativa/erro e a experimentação, valoriza o processo e distribui o protagonismo. Não é um “Monopólio”!

Instrução: criem desafios internos com recompensas simbólicas. Recorram ao storytelling para ligar a missão ao negócio. Tornem o progresso visível.

Desbloqueio: capacidade de ajustar a cultura sem revolução, através de mecânicas leves, ágeis e transformadoras.

E eis que o nível seguinte fica desbloqueado, o nível 3 – Evoluir: jogar para aprender. O intraempreendedorismo exige competências invisíveis nos relatórios. Improviso, escuta activa, empatia, pensamento crítico. A gamificação não ensina, activa e estimula. Feedback imediato, liberdade e repetição são os pilares da aprendizagem nos jogos. E também no intraempreender.

Instrução: utilizando ferramentas de role-playing, plataformas gamificadas de ideias ou apenas protótipos em LEGO, forneçam aos colaboradores “campos de treino” mais reais e participativos.

Desbloqueio: assim se constrói um ecossistema de aprendizagem activa, uma comunidade de lifelong learners. Fazendo um level up às 40 horas de formaçao obrigatória.

E, por fim, chega o “Jogo da Glória”, com o nível 4 – Transformar: estruturar o jogo da mudança. Agora é, realmente, a sério. Gamificar o intraempreendedorismo é criar uma nova narrativa interna, onde todos podem jogar, contribuir e transformar. Programas de intraempreendedorismo gamificados dão visibilidade ao valor criado, mobilizam talento e criam redes informais de inovação. Walk the talk!

Instrução: liderar programas com missões constantes e com conteúdo, avaliando a progressão por impacto, fazendo o reconhecimento entre pares e atribuindo badges que atestam competências.

Desbloqueio: Um sistema de inovação viva, transversal e orgânica.

Se aqui chegaram, podem sentir o gosto da vitória e ter um sentimento de missão cumprida: ganharam o badge “Há Mínimos!”. E, apesar de a vida nas organizações não ser um jogo, podia ser. E se este fosse bem estruturado, poderia mudar alguma coisa. Nem que fosse elevar a atitude empreendedora dos colaboradores, e o seu comportamento, para um outro patamar. Não seria essa a melhor recompensa?

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Junho (nº. 174) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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