Estudos afirmam que bastam poucos segundos para que alguém forme uma opinião sobre outra pessoa. Num contexto profissional, essa imagem pode fazer a diferença numa entrevista de trabalho ou numa determinada função dentro da organização.
Vários estudos avançam que são necessários apenas cerca de sete segundos para que uma pessoa crie uma imagem e uma opinião sobre outra. A comunicação não-verbal, como a linguagem corporal, a indumentária e acessórios, ou o corte de cabelo, a voz, o discurso e a forma de estar no ambiente onde se encontra são as informações registadas pelo cérebro logo no impacto inicial. Esta primeira impressão ganha uma importância ainda maior no contexto empresarial, uma vez que pode fazer a diferença em momentos determinantes, como uma entrevista de trabalho ou na avaliação para uma nova posição dentro da própria organização.
Bárbara Mendonça, especialista em imagem e comunicação visual há 12 anos, explica, nesta People Talk, a génese e a relevância deste trabalho, que considera «complexo, profundo e, muitas vezes, até intenso, dependendo do cliente. Pode ser uma equipa ou um cliente particular, mas nunca deixa de ser um grande trabalho interior».
Nesse sentido, e para ajudar um cliente a encontrar a sua essência e autenticidade, assim como a definir a mensagem que pretende passar através da sua imagem e postura, o trabalho de consultoria de imagem é uma ferramenta diferenciadora. «Quando dou palestras, costumo contar esses sete segundos porque, de facto, é um momento muito rápido. Há alguns estudos que avançam que são cinco segundos e outros que dizem que são sete, mas efectivamente são poucos segundos para criarmos impacto. Não será o único factor a determinar o sucesso, ou não, da nossa presença naquele ambiente e momento, mas, pode fazer toda a diferença», acrescenta a também palestrante, formadora e organizadora de masterclasses.
Bárbara Mendonça é clara sobre o valor da autenticidade da imagem como ferramenta de empoderamento, verdade e assertividade em qualquer contexto, mas sobretudo no empresarial.
O impacto gerado em poucos segundos não é, no entanto, baseado na beleza de uma pessoa. Está, sim, relacionado com o cuidado que se presta à apresentação visual e como é que essa impressão pode impactar na comunicação em geral. «Não se trata de beleza ou de usar peças caras, por exemplo. É, antes, ter uma linguagem corporal, uma comunicação visual, um cuidado e uma atenção especial à forma como nos apresentamos, e ter a certeza que comunicamos de forma visual tudo aquilo que somos e de acordo com os objectivos que pretendemos atingir», partilha Bárbara Mendonça.
A importância das cores
Na comunicação visual, além do estilo de peças de roupa seleccionadas para uma entrevista ou para uma apresentação importante, por exemplo, é essencial ter em mente o significado das cores escolhidas. Existe, de facto, uma psicologia das cores, que espelha não só o gosto da pessoa, mas também a mensagem que pretende transmitir. Nesse sentido, «as cores podem ser uma ferramenta cúmplice da comunicação de cada pessoa, aliada ao seu dia-a-dia. E se pudermos tirar vantagem disso é algo que considero incrível», reflecte a consultora de imagem.
Para uma ideia mais concreta desta relação, Bárbara Mendonça apresenta alguns exemplos: «O vermelho é poder, é muito sensual, mas é preciso ter atenção. É uma cor muito usada nesta era do empreendorismo, mas é necessário ter em conta que embora o vermelho seja uma cor marcante para representar esse poder, pode, às vezes, ser um pouquinho chocante e ocupar “espaço a mais”. É preciso ter muita atenção em que ambientes e em que situações o usamos. Por outro lado, o preto é geralmente tido como uma cor fria, mas é muito elegante e transmite segurança e confiança. O azul-marinho também revela essa confiança, segurança e respeito, mas se for o azul- -bebé, passa tranquilidade, leveza e proximidade». Esta preocupação com a cor está patente igualmente em quem ocupa cargos públicos ou posições de liderança, para quem é fundamental ter esta preocupação em mente na criação do seu guarda-roupa e da comunicação que pretende passar.
Steve Jobs, Mark Zuckerberg ou Simon Cowell são três personalidades que chamam a atenção pela sua selecção de roupa, geralmente sempre no mesmo tom. Steve Jobs não dispensava a sua camisola preta de gola alta e jeans, o detentor do Facebook escolhe vestir sempre t-shirt cinzenta e jeans, e o grande produtor de talent shows não dispensa a t-shirt e a camisa branca ou preta. Na opinião de Bárbara Mendonça, essa postura espelha a mensagem que pretendem passar: «Eles sabem quem são, conhecem-se muito bem e acabam por saber exactamente aquilo que funciona para eles. Apostam numa imagem coerente e pretendem ser consistentes na mensagem que transmitem».
Consultoria de imagem
Além da cor, também a postura e a linguagem corporal desempenham um papel relevante na imagem e mensagem que pretendemos passar. «A forma como a pessoa anda, como se senta, tudo influencia, até a maneira como cumprimenta ou estabelece contacto visual, o sorriso que faz e como escuta o outro. Todos os detalhes contam e quando me refiro a comunicação visual ou quando falo sobre imagem, naturalmente não consigo passar essa mensagem sem ter em conta todos estes indicadores. Trabalho a imagem como um todo. Se o meu cliente assim o entender, trabalhamos todos os detalhes da comunicação visual para que o impacto seja geral e positivo nesse sentido», partilha a especialista.
Num contexto profissional, e especialmente numa entrevista de emprego, todos estes factores contam. Para Bárbara Mendonça, numa fase de entrevista, a imagem é essencial porque pode ou não garantir o sucesso da mesma. «É fundamental termos a preocupação de estudarmos o contexto e qual a empresa para podermos formar essa imagem. Quando não conhecemos tão bem a organização, o melhor é apostarmos numa opção mais neutra, de acordo com a área de negócio a que está associada essa empresa», realça.
O mesmo se pode pensar quando a pessoa já se encontra em contexto profissional e numa fase de progressão de carreira. Neste caso, Bárbara Mendonça refere que as mulheres não são as únicas interessadas em investir em consultoria de imagem.
Leia o artigo na íntegra na edição de Abril (nº. 148) da Human Resources, nas bancas.
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