O poder da transformação do local de trabalho

Sandra M. Pinto
16 de Novembro 2021 | 21:00

A mais recente crise pandémica contagiou a economia global. O mercado mundial está a ajustar-se aos novos modelos de negócio, de consumo, de investimento e de gestão, criados por uma transformação imposta pela evolução tecnológica que direta e indiretamente está igualmente a influenciar o perfil dos locais de trabalho.

Por Mafalda Samwell Diniz, Head of Marketing & Communication da MALEO

A transformação digital e a gestão de risco corporativa parecem seguir caminhos paralelos. Qualquer processo deste cariz vai implicar novos riscos e accionar inevitavelmente todas as políticas de protecção e segurança de uma organização. Devem as empresas seguir um caminho mais seguro que não coloque em causa a viabilidade do negócio ou avançar para o novo paradigma, sem deixar de acautelar alguns riscos?

Esta transformação digital vem revolucionar a componente operacional e estratégica das empresas, logo, a flexibilidade e adaptabilidade dos locais de trabalho devem ser ajustados a todo o processo, evoluir e acompanhar de perto a migração que venha a existir.

Locais de trabalho físicos, tecnologia e visão estratégica de mãos dadas

A tecnologia permite optimizar processos, aumentar a produtividade, reduzir riscos, reforçar segurança e garantir a inovação que a empresa necessita para vingar no mercado. No entanto, só terá um impacto positivo se estiver totalmente ajustada às necessidades e objectivos da empresa. A transformação do posto de trabalho tem que ser transversal à empresa. À margem de toda a componente tecnológica, é necessária uma mudança cultural, orientada para o futuro e para esta nova era, em todos as áreas de negócio e departamentos. Muitas organizações terão de mudar a mentalidade em relação ao próprio risco e às políticas de segurança, onde a agilidade e competitividade necessárias só poderão ser garantidas com um esforço colectivo e bem direccionado que apenas é passível de existir, em larga medida, quando as equipas estão juntas fisicamente no mesmo local de trabalho.

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As mudanças na força de trabalho vão estar no centro do processo de transformação. Para conseguirem assegurar a melhor estratégia, visão e oferta, as empresas têm que procurar os melhores locais para colocar as suas equipas a trabalhar e conseguir atraí-los com uma proposta diferenciadora. Os novos profissionais são mais exigentes, querem desafios que lhes permitam crescer profissionalmente e pessoalmente, e dão preferência a um digital workplace.

A transformação do posto de trabalho está a revolucionar todas as indústrias, desde as mais tradicionais às mais modernas e afeta a sua estrutura de funcionamento. A relação entre o colaborador e o cliente é talvez a faceta mais visível desta mudança, no entanto, todos os processos operacionais e de gestão são impactados.

Independentemente de se tratar de um sector ligado ao desenvolvimento, produção e distribuição de produtos ou de uma empresa de serviços, a revolução do posto de trabalho vai garantir ganhos em várias áreas cruciais para o sucesso das empresas neste novo e mais exigente mercado. Contribui para um maior conforto, produtividade e resposta dos colaboradores e com isso é possível garantir fidelidade, retenção e incremento de receitas do lado do cliente. É quase certo que desta forma estamos a multiplicar por dois a satisfação do cliente, a inovação (na perspectiva do Time2Market e Time2value) e a rentabilidade.
Mas esta abordagem terá de assentar numa tríade:
1. Redefinição na escolha dos locais de trabalho através de novas tecnologias;
2. Experiência do colaborador: adaptação à cultura da empresa desde o primeiro momento em que entra no escritório;
3. Tecnologia e segurança envolvida.

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Como abordar e iniciar esta transformação do local de trabalho?
A mudança do actual paradigma para outro que responda às exigências futuras do mundo do trabalho requer novas estruturas organizacionais e uma nova cultura na abordagem. Há 5 passos fundamentais:
• Confirmar o futuro do negócio;
• Modernizar a plataforma tecnológica;
• Adaptar a força de trabalho e gerar novos modelos de relação presencial entre os colaboradores;
• Configurar as áreas de trabalho de forma suficientemente flexível e de acordo como o trabalho está a ser desenvolvido;
• Proteger a resiliência, produtividade e a cultura do negócio no interior do escritório.

Esta mudança de paradigma requer novas estruturas organizacionais e uma nova cultura na abordagem à atracção e retenção da próxima geração de talento e à aprendizagem.

São de facto necessárias mudanças estruturais nas organizações tradicionais, nomeadamente nas hierarquias e na liderança, em conjunto com a superação do obstáculo da cultura de trabalho pouco flexível, se as actuais empresas quiserem atrair e reter talento. Muitas indústrias sofrem com o facto de os colaboradores mais jovens, com competências digitais e tecnológicas avançadas, não considerarem os seus ambientes de trabalho atrativos.
Pelo que as empresas e os seus ecossistemas (sobretudo os seus espaços de trabalho presencial e físico) precisam de construir uma cultura de aprendizagem e flexibilidade que permita que os colaboradores sintam que os espaços foram criados para si, a pensar em si e na otimização das suas competências.
De facto, a mudança constante de métodos e objectivos de negócio exigirão uma flexibilidade da força de trabalho e uma orientação para a qualificação, só possível com a criação de uma cultura e mecanismos de aquisição contínua de conhecimentos. Assim, haverá adaptação dos colaboradores ao escritório físico, entendendo que também este sofreu alterações, ajustes e declarada flexibilidade, permitindo que todos que nele coabitam o sintam como seu.

 

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