O poder das comunidades no empreendedorismo

Human Resources
4 de Julho 2024 | 11:00
O poder das comunidades no empreendedorismo

“It takes a village to raise an entrepreneur.” Esta expressão resume de forma perfeita o papel fundamental das comunidades na jornada empreendedora. Para além de ser muito difícil e solitário para um founder criar um negócio sozinho, a verdade é que a probabilidade de esse negócio falhar é bastante mais elevada sem o suporte dos pares. Mentores, incubadoras, aceleradoras, empresas e universidades – enfim, o ecossistema no geral – são ingredientes indispensáveis na construção de um modelo de negócio válido e escalável, e na orientação para a estratégia go to market, sendo, ainda, um apoio emocional importante.

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Por Cíntia Costa, Communications manager na 351 Associação Portuguesa de Startups.

 

Fazer parte de uma comunidade permite ainda que os processos de tentativa e erro sejam mais céleres, principalmente se esta for constituída por outros actores do ecossistema que já passaram pelo mesmo. Também a nível de recursos é possível obter benefícios, como acesso a espaço físico, eventos, tecnologia, fundos e networking.

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Considerando todos os desafios associados a uma jornada empreendedora, integrar uma comunidade é, por si só, incentivador. Sabemos que os amigos e familiares são, obviamente, um apoio fundamental, mas também sabemos que, muitas vezes, estes não compreendem totalmente aquilo que um empreendedor está a passar. Estar rodeado de pessoas que entendem a vontade de empreender e apoiam esse percurso, assim como conversar com quem já passou pelos mesmos desafios e assistir a exemplos de sucesso, pode ser determinante.

Existem muitos e bons exemplos de comunidades de apoio ao empreendedorismo, que ajudam a abrir portas e a desbloquear impasses quando se trata de criar uma startup ou passar à próxima fase de desenvolvimento. A nível internacional, o destaque vai para a Techstars, o investidor pre-seed mais activo do mundo, tendo já investido em mais de quatro mil startups. A Techstars acredita na construção de comunidades descentralizadas para potenciar o sucesso do ecossistema, motivo pelo qual criou uma rede de agentes locais que promovem o empreendedorismo, através da realização de eventos em vários países do mundo.

Contudo, as próprias comunidades também enfrentam obstáculos, como a dificuldade em alcançar a coesão e a democratização de acesso a recursos e pessoas, sendo algo para o qual os líderes devem trabalhar todos os dias. Depois, a auto-sustentabilidade também surge como um entrave ao seu funcionamento. Quando estes grupos organizados não têm fins lucrativos, pode ser difícil de rentabilizar esforços e recursos, pelo que muitos funcionam com base num modelo de voluntariado.

Outro desafio verifica-se quando as comunidades são muito dependentes do governo e de outras entidades externas. É por isso que alguns especialistas defendem que estas devem ser criadas por empreendedores para empreendedores, com intervenção limitada de organismos estatais e de outros players. Em alternativa, devem funcionar como feeders, ou seja, devem ser um suporte adicional e não um pilar.

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Por fim, para serem bem-sucedidas, as comunidades devem ter uma estratégia e visão comum – a longo prazo – para o ecossistema, assim como garantir o compromisso dos seus líderes por um período de tempo que permita a formação de outros líderes e a “passagem da pasta”.

A inspiração e a colaboração são, de facto, ferramentas muito importantes, que não devem ser subestimadas. Quando estamos rodeados de pessoas que nos fascinam, inspiram e ajudam a fazer mais e melhor – os chamados role models – as ideias fluem e a motivação cresce. Influenciar a força política e promover um ambiente mais favorável ao empreendedorismo são poderes que estão nas mãos destas comunidades, principalmente quando estas se unem para apoiar a criação de leis reguladoras do ecossistema, por forma a construir um contexto favorável à inovação.

Na minha perspectiva, a chave passa mesmo pela cooperação e coordenação entre os vários players do ecossistema –  como incubadoras, aceleradoras, universidades e empresas de grande dimensão – assim como acesso a talento e financiamento, através de VCs e Angel Investors, ou mesmo concursos governamentais ou europeus.

A verdade é que um empreendedor bem-sucedido pode tornar-se num orador motivacional, num mentor, num investidor, ou ainda contribuir de outra forma para as comunidades que facilitaram as ferramentas e os contactos certos para crescer o seu negócio. Isto, por sua vez, irá ajudar a gerar um ecossistema mais maduro e evoluído, contribuindo para que mais pessoas arrisquem na jornada do empreendedorismo, sabendo, à partida, que contam com uma rede de apoio para tornar mais fácil o seu caminho rumo ao sucesso.

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