O que as empresas estão a fazer para encontrar talento?

Ana Rita Rebelo
1 de Outubro 2019 | 08:20
O que as empresas estão a fazer para encontrar talento?

O mercado português é conservador na forma de recrutamento. Esta foi uma das principais ideias defendidas num debate promovido, recentemente, pela Michael Page, sobre o tema «Como atrair e reter talento na área de Recursos Humanos – Cultura e Benefícios». Saiba o que mais esteve em destaque.

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De uma forma geral, os responsáveis de Recursos Humanos (RH) dos vários sectores presentes consideraram que o mercado de trabalho em Portugal é «conservador» e que a aposta foca-se mais no perfil e nas competências, utilizando-se os métodos habituais de anúncios e programas de speed dating de recrutamento.

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Para alcançar candidatos com um determinado perfil, opta-se cada vez mais pelas redes sociais: o LinkedIn para funções seniores, o Facebook para grupos que utilizam também o LinkedIn, o Instagram para um perfil mais jovem e recrutamento de funções temporárias, e o OLX para recrutamento de funções relacionadas com a Distribuição e Produção Fabril.

 

Estratégias de atracção e retenção de talento
Os profissionais presentes destacaram a importância do recrutamento levado a cabo por colaboradores. Neste sentido, as principais estratégias adoptadas são os programas que transformam os trabalhadores em embaixadores da organização e campanhas de compensação.

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Perante a escassez de talento sentida em Portugal, a identificação do perfil adequado do candidato e a retenção dos colaboradores são os principais problemas que caracterizam os sectores de actividade de uma forma transversal, variando de acordo com as especificidades de cada negócio. Exemplificando: enquanto o sector da Segurança Privada, nomeadamente na Vigilância, aponta a desregulação do sector, a concorrência desleal, a falta de atractividade associada ao desempenho da função (trabalho por turnos e rotatividade) para atrair candidatos, o sector da Restauração destaca a fiscalização ineficiente (pagamentos por fora) e o sector Farmacêutico a «canibalização», ou seja,  o recrutamento dentro do próprio sector.

Na ocasião, Isabel Dinis, directora de RH da Esegur, fez notar que a formação e a progressão na carreira são cruciais para a retenção de talento. A «dificuldade de retenção de talento numa empresa de mão de obra intensiva e a importância da valorização das competências como factor de retenção, assim como a formação e progressão de carreira», disse.

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Os responsáveis apontaram para uma mudança de paradigma relativamente ao perfil e à idade dos candidatos, como consequências da abertura do mercado, da diversidade e melhoria da situação económica, bem como a importância da aquisição de competências e formação para reter talento. Para Mara Ângelo, directora de Recursos Humanos de A Padaria Portuguesa, «em determinadas áreas prefere-se um perfil mais velho e estas pessoas têm mais possibilidades de se manter nas empresas».

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De acordo com os vários intervenientes, a responsabilidade social também pesa para os candidatos, no entanto, as possibilidades de retenção aumentam mediante outros factores, como a formação, o salário e a progressão na carreira. Susana Nunes, HRD & Internal Communications da DECO Proteste, salientou «a implementação de políticas de responsabilidade social para os colaboradores, a criação de programas de flexibilidade de trabalho e mobilidade para casos específicos, de forma a evitar a ausência a longo prazo de colaboradores».

Outra das tendências actuais são as funções transferíveis nas organizações. Dando como exemplo a indústria farmacêutica, Áurea Araújo, Human Resources manager da Baxter, referiu que na sua empresa «os millennials não querem sair de Portugal, mas estão ávidos de novas competências».

 

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Foco nas soft skills
A importância das soft skills em articulação com as hard skills (competência técnicas) é outro dos factores de transformação, como constata Teresa Pina, directora de Recursos Humanos na OMNOVA Solutions, que refere: «A responsabilidade, espírito de equipa, capacidade de relacionamento, comunicação, integração no ambiente de trabalho flexibilidade e resiliência, são soft skills fundamentais, não apenas nesta organização como em qualquer sector de actividade».

Os presentes defenderam ainda a equidade para o sucesso da empresa, destacando que a avaliação se deve basear no critério do desempenho, na meritocracia, independentemente do género, ou outro tipo de factores.

Na perspectiva de Vasco Salgueiro, Executive Manager do PageGroup, «a maior recompensa é saber que conseguimos melhorar a vida de alguém, relativamente ao seu desenvolvimento profissional e pessoal e, ao mesmo, tempo, saber que a empresa que contratou este profissional está a conseguir melhores resultados com a sua contratação».

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