
O salário já não é suficiente para atrair e fidelizar talento neste sector
O sector Finance está a atravessar uma fase de transformação acelerada, impulsionada pela digitalização dos processos, pela crescente sofisticação do reporting financeiro e pela necessidade de apoiar a tomada de decisão em contextos de maior incerteza. De acordo com o Guia Salarial 2026 da Adecco, este cenário está a reforçar a procura e a valorização de perfis capazes de ligar execução, controlo e estratégia, com especial destaque para o middle management financeiro.
Apesar da valorização salarial observada no sector, o Guia Salarial 2026 sublinha que o salário, por si só, já não é suficiente para atrair e fidelizar talento em Finance. Progressão clara, envolvimento nos processos de decisão, estabilidade, flexibilidade e reconhecimento do impacto do trabalho assumem um peso crescente, sobretudo em perfis qualificados e escassos.
Mais do que um retrato salarial, o Guia Salarial 2026 da Adecco revela a evolução do sector Finance para um papel cada vez mais estratégico dentro das organizações, onde o valor do talento é medido pela sua capacidade de gerar impacto real, apoiar a decisão e garantir sustentabilidade financeira a longo prazo.
Apesar do aumento da qualificação técnica, a procura por profissionais especializados continua a superar a oferta. O Guia evidencia uma tensão clara entre perfis mais jovens, com fortes competências digitais, mas menor experiência prática, e profissionais mais experientes, que enfrentam maiores desafios de adaptação tecnológica. Neste contexto, ganham particular relevância os gestores intermédios capazes de equilibrar conhecimento técnico, visão estratégica e capacidade de inovação, assumindo um papel-chave na ligação entre estratégia e execução.
Os cargos de liderança continuam a concentrar os valores salariais mais elevados do sector. Em Lisboa, funções como Finance director apresentam faixas salariais entre 70.000 e 140.000 euros anuais, enquanto no Porto estes valores variam entre 60.000 e 120.000 euros. Esta diferença reflecte não apenas a localização, mas sobretudo a dimensão das operações, o grau de responsabilidade estratégica e a exposição internacional das organizações.
Também funções de gestão financeira sénior, como Finance manager e Accounting manager, registam uma valorização significativa. Em Lisboa, estas posições podem situar-se entre 42.000 e 80.000 euros anuais, enquanto no Porto variam entre 42.000 e 70.000 euros, acompanhando a crescente exigência ao nível de controlo, compliance e gestão de equipas.
O Guia Salarial 2026 evidencia uma valorização clara dos perfis de middle management, que assumem hoje um papel central na operacionalização da estratégia financeira. Funções como Controlling manager apresentam salários entre 50.000 e 85.000 euros em Lisboa e entre 45.000 e 65.000 euros no Porto, reflectindo a responsabilidade na análise de performance, controlo orçamental e suporte à decisão.
Já posições como Financial controller e Business controller, fundamentais na tradução de dados financeiros em insights acionáveis, situam-se entre 28.000 e 60.000 euros anuais em Lisboa e entre 26.000 e 55.000 euros no Porto, evidenciando uma valorização progressiva à medida que aumenta a complexidade dos processos e a proximidade à gestão.
Também em contextos industriais, funções como Plant controller registam uma forte valorização, podendo atingir os 80.000 euros anuais em Lisboa e os 75.000 euros no Porto, acompanhando a crescente integração entre controlo financeiro, operações e eficiência produtiva.
Para além da liderança e do middle management, o Guia destaca a importância crescente de perfis técnicos especializados. Funções como Certified Accountant podem variar entre 32.000 e 65.000 euros em Lisboa e entre 28.000 e 50.000 euros no Porto, enquanto posições como Treasury manager apresentam faixas entre 42.000 e 65.000 euros em Lisboa e 38.000 a 60.000 euros no Porto.
Em áreas mais operacionais, como Treasury specialist, Finance technician ou Credit and Collections specialist, os salários situam-se maioritariamente entre 24.000 e 45.000 euros anuais, reflectindo a pressão existente nas funções de base, mas também a necessidade contínua de perfis tecnicamente sólidos.
A transformação digital continua a elevar o nível de exigência sobre os profissionais de Finance. O domínio de ferramentas de reporting, business intelligence e automação, aliado à capacidade de interpretação de dados e compreensão do negócio, tornou-se um factor crítico de diferenciação. O Guia evidencia que os profissionais mais valorizados são aqueles que conseguem combinar rigor técnico, literacia digital e proximidade à gestão.