
Papel dos operadores de escritórios flexíveis na revitalização de centros urbanos
Por Nishel Rajani, CEO da Maleo Offices
Nos últimos anos, os centros urbanos enfrentaram uma transformação significativa, impulsionada por mudanças nos hábitos de trabalho e pela crescente digitalização. Neste cenário, os operadores de escritórios flexíveis surgem como protagonistas inesperados, mas fundamentais, na revitalização das cidades. O objectivo é simples, conseguir reter e atrair mais estruturas para o coração das urbes.
Lisboa e Porto estão cada vez mais atraentes e apelativas. Sejamos pragmáticos, embora muitas vozes se levantem contra a forma como se desenvolveram, em especial, nas duas últimas décadas, a evolução está à vista de todos.
Contudo, o trabalho não está ainda concluído, longe disso… Mas, a resposta de investidores e promotores tem ido ao encontro do desenvolvimento e implementação de projectos que acompanham as exigências do mercado, por via de uma visão mais macro, que pretende encontrar soluções agregadoras que tragam para o centro urbano escritórios e pessoas, empresas e famílias.
Ora, identificada que está a tendência, que também visa responder a uma sociedade menos atraída pela novidade do betão, a requalificação dos imóveis e a optimização do espaço urbano ganha peso estratégico.
No caso específico das empresas, o resultado desta dinamização imobiliária passa pelo impulso ao aparecimento de centros de escritórios que respondam aos novos conceitos organizacionais. Como exemplos mais concretos, a necessidade de corresponder à introdução do, agora business-as-usual, trabalho híbrido, o incremento do work-life balance ou a criação de mais espaços comuns, onde os profissionais se encontrem e troquem impressões sobre as mais variadas temáticas, que não apenas laborais – com naturais reajustamentos nos escritórios das organizações. Estas transformações mudaram radicalmente os imóveis empresariais, dando-lhes um cariz mais flexível, próximo dos comportamentos dos profissionais dos tempos que vivemos.
Assim, é fundamental manter um calendário consistente, que vise apoiar o ecossistema de colaboração, desde logo, através de eventos corporativos ou momentos de convívio. Estejamos cientes, escritórios não são mais exclusivamente locais de trabalho, no sentido mais comum da palavra. Os profissionais valorizam cada vez mais o networking e a construção de uma comunidade forte e conectada.
Por outro lado, e num cenário de 360 graus, premissas como empreendedorismo e inovação são devidamente reconhecidas e procuradas. Na perspectiva de fomentar um cariz mais flexível, há que oferecer soluções acessíveis e adaptáveis a todo o perfil de empresas, com o intuito de criar um ambiente dinâmico e inspirador, propício ao crescimento de novos negócios. A transformação dos modelos de negócios que se verifica sugere, em suma, um olhar para fora, ao invés de se fechar inteiramente para dentro.
Dessa forma, a capacidade de corresponder a uma nova visão corporativa também tem implicações na malha urbana, que se espera mais sustentável, ao encontro das expectativas dos novos públicos, por via de uma crescente sofisticação do comércio e serviços locais, através do aumento da circulação de pessoas (que não apenas nos horários diurnos) e da criação de rede de restaurantes, cafés e lojas no local, que conjuguem a tradição com a modernidade e bulício, sinónimos tantas vezes associados às grandes cidades.
Não é por acaso que as lideranças municipais estão mais atentas aos hubs e centros de negócios. Muita da sua capacidade de atrair novos players empresariais, mas também os respectivos profissionais e famílias, terá impacto no sucesso da urbe e no seu futuro como agregador de conhecimento, evolução científica e crescimento económico, financeiro e social. E apenas em conjunto, com parcerias robustas, é possível alcançar tal desiderato.