Perda de poder de compra de trabalhadores sem aumentos equivale a cerca um salário

Human Resources com Lusa
25 de Setembro 2022 | 17:30
Perda de poder de compra de trabalhadores sem aumentos equivale a cerca um salário

A perda de poder de compra de um consumidor que não tenha visto o salário actualizado irá equivaler no total de 2022 a cerca de um salário, no caso de quem recebe 14 meses de ordenado, estima o CFP.

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O cálculo é referido no relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP) de actualização das perspectivas económicas e orçamentais 2022-2026, no qual salienta a perda de poder de compra como a mais «evidente» consequência da inflação.

A instituição presidida por Nazaré Costa Cabral assinala que os consumidores vêem a capacidade de aquisição diminuir devido ao aumento dos preços, se, entretanto, não virem os seus rendimentos nominais actualizados em proporção equivalente.

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O CFP alerta que, «ao longo do ano de 2022, este efeito é de grande importância».

«No limite, para um consumidor que não viu os seus rendimentos actualizados, a perda de rendimento real é aproximadamente equivalente à variação do índice de preços no consumidor, que se prevê seja no ano de 2022 de 7,7%, ou seja, sensivelmente o mesmo que prescindir de um vencimento para quem aufere catorze meses de ordenado», pode ler-se no relatório.

O CFP destaca ainda que «a retracção do consumo é também explicada pelo aumento das taxas de juro recentemente determinado pelo Banco Central Europeu», assinalando que muitas famílias portuguesas têm créditos a taxa variável, essencialmente com o crédito à habitação.

Um dos outros efeitos provocados pela inflação é, aponta a instituição, «a perda de valor de um montante em dívida ou de activos financeiros, como depósitos bancários, que se encontrem definidos em termos nominais».

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«Este efeito só seria compensado por um aumento das taxas de juro nominais em completo acordo com a taxa de inflação, o que não sucede actualmente, e afecta diversas aplicações de poupança das famílias, nomeadamente aquelas mais líquidas, como sejam depósitos bancários de diversa natureza ou aplicações em títulos de dívida pública», refere.

O CFP prevê que a taxa de inflação suba dos 0,9% registados em 2021 para 7,7% este ano, antes de diminuir para 5,1% em 2023.

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