Políticos e legisladores, oiçam quem trabalha

Sobre os resultados do XXVII Barómetro Human Resources, Catarina Horta, directora de Capital Humano no Novo Banco, destacou que «o legislador laboral, mas não só não ouve quem gere e aplica a lei, como não avalia a aplicabilidade do que legisla».

 

«A separação entre o legislador e a sociedade civil e o aparente pleno emprego saltam à vista neste questionário da Human Resources. Em primeiro lugar, registo o divórcio que existe com o legislador da área laboral independentemente da cor do governo, a relação tem sido sempre distante. O legislador laboral, mas não só, não ouve quem gere e aplica a lei, como não avalia a aplicabilidade do que legisla. Trabalhei numa multinacional holandesa e fiquei agradavelmente surpreendida por saber que existiam reuniões regulares entre o primeiro-ministro holandês e os três maiores empregadores holandeses – Unilever, Randstad e Philips. Não tenho memória de a Associação Portuguesa de Gestores de Pessoas (APG) ser ouvida no que respeita à legislação laboral. Não vejo profissionais de Recursos Humanos no activo a comentarem as mudanças à lei nos media. Daí que não me espante que as alterações no Código do Trabalho sejam indiferentes a 50% dos que responderam ao questionário. São alterações políticas, para satisfazer a clientela política, e não servem as pessoas nem os profissionais de Recursos Humanos. Numa segunda nota, destaco que, estando a taxa de desemprego abaixo dos 6%, 35% dos inquiridos dizem que vão aumentar as contratações na sua empresa. Estamos perto do pleno emprego, mas com défice de pessoas em algumas áreas de qualificação – faltam pessoas qualificadas em áreas específicas da tecnologia, bem como em funções de controlo como auditoria, risco e compliance. As tentativas de reskilling não podem caber apenas às empresas, até porque são onerosas e só empresas com necessidade e dimensão o conseguem fazer. Se, inspirada neste questionário, pedisse um presente no sapatinho arriscaria um slogan: políticos e legisladores, oiçam quem trabalha.»

Este testemunho foi publicado na edição de Dezembro da Human Resources, no âmbito do XXVIII edição do Barómetro.

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