Porque é que não ouvimos?

Por Vera Norte, Co-Founder & Managing Partner do Comunicatorium

 

Qual a resposta?… A verdade é que temos as capacidades necessárias, mas conheço poucos, muito poucos mesmo, bons ouvintes.
Quem sabe ouvir tem à partida uma grande vantagem no estabelecimento de uma relação com o outro, a vantagem do conhecimento do seu interlocutor. É ouvindo que percebemos a mensagem que nos querem passar. Sem ouvir, sem perguntar sem a verdadeira intenção de saber o que o outro tem para nos comunicar ficamos reféns das nossas experiências das nossas interpretações das nossas crenças do nosso conhecimento. Não crescemos não aprendemos não interpretamos.
Um bom ouvinte tem tudo para ser um bom comunicador. Estar atento ao que o outro nos transmite é fundamental para quase todos os processos que envolvem relação entre pessoas mas é fundamental sobretudo nos processos de gestão e de tomada de decisão.
No passado confrontávamo-nos muitas vezes com uma cultura de individualismo, egocêntrica associada a uma hierarquização das organizações, ou seja, quanto mais “subíamos” na organização mais encontrávamos maus ouvintes. Digo passado porque quero acreditar que os lideres atuais têm perfis participativos, de proximidade e que percebem verdadeiramente a importância e o interesse de ouvir quem os rodeia, quem lideram.
Se saber ouvir é fundamental em qualquer relação entre seres humanos no caso de um líder é crucial . Um líder que não ouve que não ausculta está só. Não conhece a sua equipa, não consegue retirar todo o potencial e conhecimento das suas equipas. A probabilidade de tomar uma má decisão aumenta exponencialmente com o desconhecimento e com a falta de informação. Acredito que a inovação numa organização fica seriamente comprometida se não houver capacidade de ouvir as pessoas.
Saber ouvir é estar preparado para ouvir um opinião contrária , estar preparado para ouvir uma nova perspectiva, um ideia que não se teve, é sobretudo e uma vez mais um ato de humildade.
Sem humildade dificilmente seremos bons ouvintes.