
Portugueses são dos que se sentem menos saudáveis na UE. E uma das razões pode estar relacionada com o salário
Mais de metade dos portugueses (53,6%) até considera que tem uma saúde boa ou muito boa, segundo dados do Eurostat relativos a 2024, mas fica bem abaixo da média da União Europeia (UE), onde 68,4% dos inquiridos consideram ter uma saúde boa ou muito boa. E a desigualdade salarial é uma das razões que pode explicar este fenómeno.
Segundo a CNN, Portugal é mesmo o terceiro pior país da UE neste indicador, num ranking que é liderado pela Irlanda, com 79,9% dos inquiridos a darem nota positiva ao respectivo estado de saúde.
João Paulo Magalhães, médico e vice-presidente da Associação Nacional Médicos de Saúde Pública, revela em declarações à publicação que «Portugal pontua recorrentemente mal [neste indicador]» o que leva sempre «a uma discussão intensa porque não são claras as razões pelas quais pontua tão mal.»
A publicação revela que Portugal é ainda o terceiro país com maior carga de doença ou problema de saúde de longa duração reportado: 42,3% (38,2% nos homens e 45,9% nas mulheres). Estes valores, analisados tendo em consideração os dados relativos à esperança média de vida em Portugal, que tem aumentado nos últimos anos, levanta a questão sobre qual o motivo para haver tantos portugueses a reportar algum tipo de doença crónica e haver um baixo valor de pessoas a considerar ter um bom ou muito bom estado de saúde.
A desigualdade social, nomeadamente a desigualdade de rendimentos, pode ser uma das causas para os portugueses avaliarem desta maneira o estado de saúde. «Somos os países mais desiguais em termos dos rendimentos auferidos ao nível da União Europeia e isso tem impacto directo. Nem mesmo as pessoas com mais rendimentos estão próximas da média da União Europeia», revela o médico.
Com base nos dados do Eurostat de 2023, o salário médio anual em Portugal foi de 22.933 euros, e a média da UE rondou os 37.863 euros.
Este é um factor que, segundo João Paulo Magalhães, pode afectar a qualidade de saúde dos portugueses e a percepção que têm sobre a mesma, uma vez que os rendimentos são um «veículo para comportamentos saudáveis» – e os dados revelam isso mesmo. De forma geral, nos vários países da UE, quanto mais alto é o rendimento, melhor os sujeitos avaliam o seu estado de saúde.
Em Portugal, 65,4% corresponde à percentagem de pessoas com rendimentos altos que avaliam a saúde como bom ou muito bom. Esse valor desce para 39,7% nas pessoas com rendimentos mais baixos.
Sobre o caso português, o especialista afirmou ainda em declarações à publicação que além de as condições de habitação não serem ideais e haver muitas pessoas a ser afectadas pela pobreza energética, os baixos rendimentos também se manifestam numa simples ida ao supermercado.