Purpose Lab: O valor do propósito nas empresas

Quanto maior a percepção de uma cultura de propósito, menor é a probabilidade de os colaboradores quererem abandonar a organização. Esta é a principal conclusão do estudo realizado pela Purpose Lab.

Human Resources
31 de Julho 2026 | 10:10

Fotos Nuno Carrancho

 

Os resultados foram apresentados na 3.ª edição da cerimónia de entrega dos prémios das Empresas com Mais Propósito em Portugal, realizada a 30 de Junho, na Abreu Advogados. A iniciativa, promovida pelo Purpose Lab, em parceria com a Relativ Impact e a Human Resources Portugal, distinguiu organizações que se destacam pela integração do propósito na sua cultura e estratégia.

A sessão, conduzida por Bárbara Bárcia, partner do Purpose Lab, contou com as boas-vindas de Ana Sofia Batista, sócia da Abreu Advogados, e de Ricardo Florêncio, CEO do Multipublicações Media Group, na qualidade de anfitriã e parceiro, respectivamente.

A primeira intervenção esteve a cargo de Georg Dutschke, senior partner e co-fundador do Purpose Lab, que apresentou a evolução do modelo de Propósito Organizacional, desenvolvido a partir da investigação de Beatriz Lerer (2022). O modelo avalia 98 variáveis e assenta em três dimensões fundamentais: a percepção de que a organização tem um propósito, a convicção de que a função desempenhada tem um propósito e o alinhamento entre o propósito pessoal e o da organização. No fundo, «o objectivo é criar conhecimento sobre a temática do propósito e compreender melhor como pode ser medido nas organizações», explicou.

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A principal conclusão do estudo é inequívoca: quanto maior a percepção de uma cultura de propósito, menor é a probabilidade de os colaboradores quererem abandonar a organização. A correlação entre o índice de propósito e a probabilidade de saída é de -0,82, a mais elevada de todo o estudo, reforçando a ideia de que o propósito constitui um dos factores mais determinantes para a retenção de talento.

 

O propósito organizacional em Portugal
Com base em 4682 respostas recolhidas em organizações portuguesas, o estudo revela que os colaboradores atribuem uma classificação média de 4,20 à existência de um propósito organizacional, de 4,35 ao propósito da função que desempenham e de 3,89 ao alinhamento entre o seu propósito pessoal e o da organização. No conjunto, estas três dimensões resultam num índice global de propósito de 4,14, numa escala de 1 a 5.

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Comparativamente a 2024, verificou-se uma ligeira redução do índice de propósito, entre 0,03 e 0,09 pontos nas diferentes dimensões analisadas. Ainda assim, os indicadores de retenção evoluíram favoravelmente: a intenção de saída diminuiu 0,13 pontos, enquanto o indicador de produtividade registou um ligeiro aumento de 0,03 pontos, mantendo-se como o mais elevado entre os indicadores avaliados.

 

Retenção e envolvimento: o maior impacto
A investigação mostra igualmente que os colaboradores que trabalham em organizações com níveis elevados de propósito apresentam níveis significativamente superiores de satisfação e bem-estar. Comparando contextos de baixo e elevado propósito, o NPS interno aumenta cerca de 60%, enquanto a percepção de qualidade de vida cresce 75%. Em sentido inverso, a probabilidade de saída reduz-se de 46% para apenas 10%, ou seja, menos 36 p.p.

Da análise às respostas obtidas, verifica-se também que nos factores que influenciam a permanência nas organizações, o propósito de vida alinhado com a organização surge à frente da remuneração. Embora o salário continue a ser importante, os resultados sugerem que funciona sobretudo como um requisito de base. «O salário é importante, mas não é suficiente. O sentido de contributo, o bem-estar e o impacto que sentimos gerar são, hoje, factores cada vez mais determinantes», destacou.

O estudo identifica também um grupo particularmente vulnerável: colaboradores que mantêm um forte propósito pessoal, mas que não sentem uma conexão com a organização. Nestes casos, o problema não está nestes profissionais, mas na qualidade da relação que estabelecem com a empresa. A ausência de respeito, oportunidades de desenvolvimento, reconhecimento ou sentido de contributo surge como um dos principais motores da intenção de saída.

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Por outro lado, nem todos os colaboradores que permanecem estão verdadeiramente envolvidos. Cerca de um terço dos profissionais que afirmam não querer sair apresentam níveis de entusiasmo e ligação emocional inferiores aos restantes. São colaboradores que permanecem, mas cuja relação com a organização pode deteriorar- se perante mudanças de contexto ou novas oportunidades no mercado. Numa ressalva final, o responsável sublinhou que as organizações que não investirem na construção de uma cultura de propósito enfrentarão maiores dificuldades em atrair, envolver e reter talento nos próximos anos.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Julho (nº. 187) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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