Qual é o futuro do Agile? Será um enigma?

Human Resources
19 de Janeiro 2024 | 11:00

Nos dias de hoje, é cada vez mais frequente ouvirmos frases como: «A era do Agile passou» e «O Agile falhou», entre muitas outras expressões depreciativas. Apesar de muitas destas afirmações virem de profissionais admirados e reconhecidos no sector, será que o momento de abandonar o barco do Agile chegou mesmo?

Por Rodrigo Costa Menezes, Business Engagement manager da NTT DATA Portugal

 

 

Vamos decifrar este enigma olhando primeiro para o histórico e para as tendências que têm vindo a caracterizar esta metodologia e depois para o que o futuro nos reserva.

Continue a ler após a publicidade

O mercado tem-nos mostrado que as actividades em Agile têm vindo a diminuir, elevando, assim, o risco de self fulfilling prophecy. O histórico também nos diz que, em regra, são precisos 10 anos de amadurecimento de uma prática, para que haja experiências suficientes, ou seja, uma massa crítica de falhas e sucessos que indiquem caminhos e boas práticas. Por isso, não podemos ignorar que novos paradigmas precisam de tempo para serem consolidados, principalmente quando envolvem mudanças estruturais em organizações.

Contudo, também é ingénuo considerar que a gestão de projectos predictiva/waterfall acabou porque surgiu a agilidade, pois nenhuma das duas abordagens deixará de ser adequada quando aparecer outro paradigma.

Neste momento, estamos no intervalo entre o crescimento e a estabilização, um fenómeno bem conhecido por quem trabalha com produto. Sejamos sinceros: há iniciativas em Agile que vão falhar ou alcançar números abaixo do que seria esperado para o investimento; outras há que, simplesmente, serão incapazes de entregar os resultados dentro do tempo devido, mas isto em nada as diferencia de quaisquer outros métodos de trabalho.

Continue a ler após a publicidade

Então como podemos superar estes fracassos pontuais para construir um sucesso duradouro?

Em primeiro lugar, é essencial que o pragmatismo e o realismo se sobreponham ao romantismo e à idealização na aplicação desta metodologia. Em segundo lugar, as organizações devem ter objectivos específicos e criar as condições necessárias para os alcançar, pois estas vivem de resultados.

Para além disso, aquelas que realizaram investimentos para tal, precisam de potenciar os seus esforços de forma a maximizar o retorno. Utilizando um exemplo bastante prático: não adianta investir numa frota de aviões sem investir em combustível, pilotos, tripulação, logística e manutenção.

Em suma, como em qualquer método de trabalho, é preciso tomar acções para dar suporte ao Agile, facilitar a interacção das áreas de Agile com as restantes, ter roadmaps realistas e continuar a investir na manutenção. Só assim é possível criar as condições necessárias para esta metodologia brilhar, assegurar os resultados que promete e prolongar a sua era.

Partilhar


Mais Notícias