Quando a felicidade chega ao domingo à tarde!

«A possibilidade de estarmos no trabalho com vontade de lá estar não é assim tão complicado. Basta descomplicar. Desconstruir e ampliar as relações interpessoais.»

 

Por Vera Machaz, psicológa e criadora do projecto OFFCINA – Ferramentas para a Vida

A realização profissional e a satisfação no trabalho são temas delicados que forçosamente fazem com que as pessoas tenham dificuldade em assumir um comportamento usual. Quantos portugueses com emprego, independentemente dos anos de serviço e das áreas de actuação, não chegam à sexta-feira felizes e ao domingo à tarde deprimidos? Será que se o comportamento dessas pessoas for alterado por dinâmicas de Psicologia Motivacional, dentro das próprias empresas, esta tendência não pode mudar?

Responsabilidade social passa também por promover o bem-estar dos trabalhadores. Por fomentar a alegria e a felicidade no trabalho. Ela é tão contagiante quanto o desânimo! O “conforto” pode ser tão abrangente que muda qualquer cenário, dentro e fora das empresas. Não é fácil deixar os problemas de casa à porta do trabalho e vice-versa. Existe, sim, a oportunidade constante de sermos honestos com o nosso direito de sermos felizes.

Está na hora de fazer com as emoções o mesmo que se faz com a reutilização de materiais e fazer da chegada ao trabalho um momento de felicidade, permitindo transformarmos nós em laços. A possibilidade de estarmos no trabalho com vontade de lá estar não é assim tão complicado. Basta descomplicar. Desconstruir e ampliar as relações interpessoais. Dar mais espaço à “higiene emocional” para não intoxicar os espaços comuns, onde passamos tantas horas por dia.

Acredito que uma conversa pode mudar um dia e, acima de tudo, que da desordem nasce a ordem. Como o meu pai me ensinou, “em mares brandos não se fazem bons marinheiros”. É possível fazer de um conflito um passo à frente numa relação e, por isso, numa equipa. Basta comunicar e depois reutilizar. De outra forma, mas com o propósito de propagar um sentimento comum a todos: o gosto pela satisfação.

Ser feliz é uma escolha diária. Estar constantemente alegre é um caminho que não existe. A motivação que nos comanda – e os processos que aqui se desenrolam – é a chave do sucesso. 

É curioso estarmos atentos aos sinais básicos que a natureza nos brinda no dia-a-dia. Existem de facto razões para que possamos criar comparações que podem, de forma tão natural, despertar o melhor que há em cada um de nós. Entre as estações do ano, os ciclos da lua e das marés, a diferença entre dia e noite, a necessidade de rega e de luz para que as plantas se desenvolvam, entre outros, são fenómenos que também ilustram as nossas necessidades enquanto seres humanos.

Estas evidências surgem como uma espécie de “adubo”, que pode sustentar a nossa actuação enquanto pessoas, dotadas de competências emocionais. Este “adubo” é o que nos dá a possibilidade de identificarmos o infinito potencial que existe entre a nossa cabeça e o nosso coração. Muitas vezes, o que acontece é não termos noção do nosso potencial, por falta de autoconhecimento.

As pessoas são o maior activo das empresas e as inter-relações, são a (boa) base que sustenta o ambiente de trabalho. Assim, os conflitos ou mal-entendidos, que advêm frequentemente de uma má comunicação, são o princípio do fim de um clima saudável. A verdade é que, em média, passamos 40 horas por semana, num local onde predomina a necessidade de nos relacionarmos uns com os outros. Onde somos convidados ou obrigados a desenvolver relações com as pessoas que fazem parte da nossa equipa, muitas vezes não dando prioridade àquilo que mais facilita alcançarmos o sucesso: conhecermos bem o nosso papel facilita o respeito pelo lugar do outro.

Numa altura em que a competitividade, a pressão dos números e a velocidade de informação nos atravessa sem pedir licença, apostar nas competências emocionais dos colaboradores é um acto de dever social. Cada pessoa é válida e necessária para o bom funcionamento global. Existem pessoas melhores ou piores, mas acima de tudo existem pessoas diferentes. Será que elevarmos cada colaborador ao seu expoente máximo, na melhor versão de si próprio, não torna tudo mais produtivo?

Será preciso as pessoas se afastarem da sua essência para darem lugar ao ego e expectativas de que somos alvo tantas vezes? A identidade de cada um não pode variar apenas na fisionomia do nosso polegar. Cada um tem a sua marca e todos temos a possibilidade diária de deixar a nossa marca uns nos outros.

No que toca às emoções, cada um tem a sua história, que condiciona a forma como vivemos a nossa vida, dentro e fora do local de trabalho. O órgão que todos temos no lado esquerdo, bate com mais ou menos intensidade consoante a atenção que lhe damos.

No que diz respeito aos cinco sentidos e às emoções, não há CEO, nem directores, nem chefes. Somos todos iguais. Temos todos o mesmo direito à felicidade. Ela vem e volta de forma saudável, se tivermos tempo para fazer uma viagem interior e nos depararmos com o nosso estado de saúde emocional.

Ser feliz porque chegou o último dia do fim-de-semana é um bom sinal de que estamos no caminho certo! Investir no (re)conhecimento do nosso contributo para a felicidade daqueles que nos rodeiam, é um gesto de amor ao próximo. Mais do que tudo, a nós próprios. Afinal, ser feliz sempre é utópico, mas alimentar a felicidade está ao alcance de todos.

 

 

 

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