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Quanto o entrevistado se torna entrevistador. Agora são eles que escolhem
As últimas gerações mudaram a dinâmica tradicional da entrevista de emprego. Actualmente, os candidatos surgem nas entrevistas, bem informados e com um conjunto de perguntas preparado, e uma série de expectativas sobre a empresa e a vaga, às quais o entrevistador deverá conseguir responder com sucesso.
Os talentos millennial ( geração Y) e centennial ( geração Z) exigem comunicação directa, uma cultura corporativa específica, possibilidades de alcançar todo o seu potencial durante cada uma das suas etapas profissionais, e que a sua função tenha verdadeiramente impacto dentro da empresa. Neste novo cenário e dinâmica, os departamentos de Recursos Humanos e outros entrevistadores durante o processo de recrutamento são cada vez mais “entrevistados” pelos candidatos.
Tendo isto em mente, a consultora Robert Walters elaborou uma lista de quatro conselhos para não deixar escapar o melhor talento, superando com sucesso o momento do “entrevistador entrevistado”.
1. A percepção da sua marca – não seja apanhado de surpresa
Actualmente, o processo de selecção começa muito antes da entrevista. No passado, os profissionais contavam apenas com a informação que se publicava nos jornais sobre as organizações e suas ofertas de emprego, ou com as referências do seu círculo de amigos e conhecidos. Hoje em dia a internet e as redes sociais permitem que qualquer pessoa esteja familiarizada com a história, os serviços e últimos acontecimentos da empresa, mesmo antes de se candidatarem a uma vaga de emprego. É por isso que a imagem corporativa tem um grande impacto nas expectativas dos candidatos no processo de entrevistas.
José Miguel Rosenbusch, manager na Robert Walters Portugal, defende que a preparação e o conhecimento do entrevistador sobre a sua própria marca são cruciais para evitar surpresas ao longo do caminho: «O candidato destas novas gerações vai sempre realizar uma investigação prévia sobre a empresa contratante. No momento da entrevista, já terá uma opinião formada sobre a cultura e os valores da marca. Assim, o entrevistador deve estar preparado para abordar quaisquer elementos negativos ou inesperados que o candidato possa apresentar. Verificar análises e comentários sobre a organização no Glassdoor, LinkedIn e Google e pesquisar publicações e artigos recentes sobre a empresa nas redes sociais ajudarão a avaliar como esta é vista pelos diferentes stakeholders ».
2. Antecipe-se às expectativas do candidato sobre a organização… e sobre si
É mais provável que os candidatos façam perguntas sobre as suas possibilidades de progressão de carreira na empresa antes do próprio entrevistador. O seu interesse relaciona-se também com a cultura corporativa, as oportunidades de crescimento e formação que a empresa pode oferecer. José Miguel Rosenbusch afirma que os principais aspectos que os profissionais das gerações Y e Z mais valorizam são aqueles que se relacionam com o desenvolvimento e impacto da posição.
«Que valor acrescentaria o meu trabalho dentro da organização? A quem reportaria diretamente? Quais seriam as minhas possibilidades de promoção? Com que competências e habilidades preciso de contar para exercer a minha função com êxito? Existem planos de formação regulares na empresa? Hoje em dia, estas são as perguntas chave para as quais os departamentos de recursos humanos têm de estar preparados e devidamente informados», comenta.
O manager na Robert Walters Portugal explica também a importância de o entrevistador se antecipar a dar resposta a perguntas dirigidas ao seu perfil profissional dentro da empresa. «Embora possam parecer intimidantes ou intrusivas, perguntas como ‘Como foi o seu desenvolvimento profissional dentro da organização? Qual foi a sua função anterior e como chegou aqui? Onde se vê no futuro?’ são cada vez mais habituais do candidato para o entrevistador.»
3. Actualmente, uma entrevista de êxito nunca é unidirecional
Quando um candidato destas novas gerações vai a uma entrevista de emprego, espera que o entrevistador conheça a sua experiência e formação profissional e que seja comunicativo e receptivo.
De acordo com José Rosenbusch, «o entrevistador deve interessar-se sinceramente pelo candidato. Não é apenas importante fazer perguntas sobre o currículo, mas também sobre o como e o porquê do mesmo. O entrevistador precisa de causar uma boa impressão, estabelecer uma ligação positiva com o candidato e oferecer o tempo necessário para fazer perguntas. Actualmente, uma entrevista bem-sucedida nunca deve ser unidirecional», defende.
4. Mantenha o fair play desde o início
O entrevistador deve ter sempre o controlo do processo de selecção. Um controlo que se deve concentrar em criar e favorecer os momentos necessários para a comunicação e interacção com os candidatos. Para consegui-lo, o tempo para perguntas e comunicação aberta deve fazer parte do planeamento de uma agenda detalhada com as diferentes fases da entrevista. Ao fornecer aos candidatos um resumo da posição e da empresa antes da entrevista e deixar claro que haverá oportunidade de fazer as perguntas consideradas necessárias, será estabelecido um bom fair play entre o candidato e o entrevistador desde o início.