Salários vs. rendas: o ranking europeu das cidades onde viver é (quase) impossível

O Euronews Business analisou os salários líquidos e o aluguer de apartamentos de um quarto nos centros das cidades europeias para revelar as melhores e piores relações renda/salário em toda a Europa.

A habitação ocupa grande parte do orçamento familiar, e, de acordo com o Eurostat, esta parcela está a aumentar em toda a Europa. Os elevados preços das rendas nos centros das cidades têm vindo a causar pressão, especialmente para as pessoas com baixos rendimentos e para as que recebem o salário mínimo.

Em alguns países e cidades europeus, o arrendamento pode consumir quase um salário inteiro. De facto, segundo o Deutsche Bank Research Institute, em certos locais, os salários líquidos médios não são suficientes para cobrir o aluguer de um apartamento de um quarto no centro da cidade.

O relatório Mapping the World’s Prices compara os salários líquidos mensais e as rendas de apartamentos de um quarto em centros urbanos de 69 cidades de todo o mundo.

Os rendimentos mais altos

Em 2025, o salário líquido médio mensal mais alto regista-se em Genebra (7307 euros), com Zurique logo atrás, com 7127 euros, tornando a Suíça o país com os salários mais elevados no geral.

O mais baixo verifica-se em Istambul, com 855 euros, seguida de 1044 euros em Atenas. A meio da tabela estão cidades do norte e oeste da Europa com os salários líquidos acima dos 4000 euros no Luxemburgo, Amesterdão, Copenhaga e Frankfurt.

Entre as principais capitais do sul, Atenas e Lisboa têm o salário médio mensal mais baixo, de 1044 e 1278 euros respectivamente. Em Roma atinge os 2046 euros, Madrid está ligeiramente acima, com 2193 euros

Os salários são significativamente mais elevados em Berlim (3565 euros), Paris (3630 euros) e Londres (3637 euros).

As rendas mais altas

Os alugueres de apartamentos de um quarto no centro das cidades variam bastante. Na Europa, a renda mais elevada é em Londres, de 2732 euros, enquanto a mais baixa é em Atenas, de apenas 595 euros.

Em Madrid atinge os 1491 euros e Roma os 1214 euros. Em Zurique, Dublin, Amesterdão e Genebra, as rendas ultrapassam os 2000 euros, enquanto em Istambul e Budapeste mantêm-se abaixo dos 900 euros.

O caso de Lisboa

A percentagem do salário gasta em rendas é uma medida mais útil. Mostra quanto do rendimento disponível sobra após o pagamento da renda habitacional.

Uma relação de 100% significa que todo o salário é destinado à renda. Acima disso, significa que não sobra nada ou que é necessário um rendimento extra para cobrir a renda.

Na Europa, o rácio renda/salário varia entre 29% em Genebra e 116% em Lisboa. Além da capital portuguesa, o rácio é também ligeiramente superior a 100% em Istambul (101%). Isto significa que o salário médio líquido não é suficiente para pagar a renda de um apartamento de um quarto em Lisboa ou Istambul.

As pessoas solteiras precisam de gastar três quartos do seu salário em rendas em Londres (75%), assim como em Barcelona e Madrid (ambas com 74%). Em Milão, a relação também é elevada, com 71%.

Mais de metade do salário médio é também gasto em rendas em várias outras cidades: Roma (65%), Dublin (62%), Atenas (57%), Varsóvia (56%), Praga (54%) e Budapeste (52%).

Onde está o rácio renda/salário mais baixo?

Genebra (29%) é a única cidade europeia onde a taxa de aluguer/salário é inferior a 30%. Depois, há mais cinco cidades europeias onde as pessoas que trabalham sozinhas gastam menos de dois quintos, ou 40%, do seu salário em rendas. Incluem Luxemburgo e Frankfurt (ambos com 34%), Zurique e Helsínquia (ambos com 35%) e Viena (38%).

Com excepção de Helsínquia, estes exemplos não significam que o arrendamento seja barato, reflectem sim salários mais elevados, o que reduz a percentagem do rendimento gasto em rendas.

Quanto sobra após o pagamento da renda?

Globalmente, os valores mais alto disponível após o pagamento da renda encontram-se em duas cidades suíças: Genebra (5174 euros) e Zurique (4638 euros).

O mais baixo regista-se em Lisboa com um saldo negativo de 202 euros, o que significa que o salário médio não chega para cobrir a renda.

Em Roma sobram 659 euros, na capital espanhola chega aos 516 euros e em Atenas são 449 euros.

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