
A música pode ajudar à concentração no trabalho? A ciência responde: depende
Para muitos colaboradores, colocar os auscultadores é tão essencial para começar o dia de trabalho como aceder ao e-mail. Mas se realmente ajuda na concentração ou se prejudica o desempenho e o bem-estar, a ciência diz que… depende.
O professor Emery Schubert, psicólogo musical da UNSW Sydney, citando um estudo de 2022, afirmou que a música pode ser uma poderosa aliada para certos tipos de trabalho, mas um obstáculo para outros, revela o HR Dive.
As tarefas rotineiras, repetitivas ou físicas beneficiam frequentemente de uma batida constante, porque os trabalhadores podem sincronizar inconscientemente os seus movimentos com o ritmo, num processo conhecido como “sincronização rítmica”, fazendo com que o trabalho pareça mais fluido e rápido.
Por outro lado, quando o trabalho exige muita leitura, escrita ou resolução de problemas complexos, a música de fundo tem maior probabilidade de competir com as palavras e os conceitos que o profissional está a tentar processar.
«No geral, a música de fundo não ajuda em tarefas de memória e linguagem, como a compreensão e a velocidade de leitura, especialmente quando a música contém letra», disse Schubert num artigo para o The Conversation. «Quando está a processar palavras, a letra da música compete pela sua atenção.»
Embora a produtividade seja frequentemente o foco dos debates no local de trabalho, um número crescente de evidências sugere que a questão mais importante pode ser a forma como a música molda as emoções e o sentimento de controlo dos colaboradores.
Segundo um estudo publicado na revista International Journal of Environmental Research and Public Health, os colaboradores utilizam a música no trabalho de três formas:
- Emocional (para gerir sentimentos);
- Cognitiva (para se focar na complexidade musical);
- Fundo (como uma banda sonora de baixo nível enquanto executam outras tarefas).
Os investigadores descobriram que o uso emocional – por exemplo, escolher música animada para melhorar o humor antes de uma tarefa difícil – foi o único tipo consistentemente associado a uma maior satisfação no trabalho e a um melhor desempenho auto-avaliado.
A audição de música de fundo revelou uma história diferente. De acordo com o mesmo estudo, utilizar a música simplesmente como “música de fundo” não trouxe benefícios directos para a performance e, na verdade, esteve associado a uma menor satisfação no trabalho, com um efeito negativo indirecto na forma como as pessoas avaliavam a sua própria eficácia.
Igualmente quando e como os colaboradores ouvem música pode ser tão importante como a própria música. Segundo os investigadores, os trabalhadores que podem escolher as suas faixas preferidas e o modo de audição, por exemplo auscultadores em vez de colunas partilhadas, tendem a relatar melhor humor e uma experiência de trabalho mais positiva.
Schubert partilha várias medidas para que a música seja benéfica para os colaboradores:
- Adeque a música escolhida à tarefa, optando por ritmos para trabalhos repetitivos e música instrumental para leitura, escrita ou qualquer actividade que envolva muito texto.
- Tenha atenção à letra para evitar que a música concorra com as palavras na sua mente.
- Mantenha o volume da música moderado para evitar que esta domine a sua atenção.
O professor enfatizou ainda a importância de os colaboradores perceberem se são facilmente estimulados ou não, para que possam decidir a melhor forma de ouvir música.
Aqueles que se sobrecarregam facilmente podem escolher géneros mais calmos, e aqueles que se distraem facilmente podem reservar a música para “pausas” para restaurar o humor e o foco.