Sindicato da Construção diz que não falta mão-de-obra mas sim um bom salário

O Sindicato da Construção de Portugal (SCP) defendeu que «não há falta de mão-de-obra» no sector da construção civil, mas sim de um bom salário, disse aos jornalistas, no Porto, o seu presidente, Albano Ribeiro.

 

Segundo Albano Ribeiro, nos últimos seis anos saíram do setor 300 mil trabalhadores, e actualmente são necessários 90 mil para executar as obras «públicas e privadas» em Portugal.

«Temos hoje na fileira da construção civil 45 mil trabalhadores. Já tivemos 90 mil trabalhadores», disse ainda o responsável.

Caracterizando a actual situação da fileira da construção civil, Albano Ribeiro exemplificou dizendo que «antigamente, um trabalhador que era de Amarante e vinha para o Porto à segunda-feira, ia [para casa] à sexta, ficava numa caserna», e hoje em dia «apanha um voo da Ryanair e vai trabalhar para a Alemanha» nos mesmos moldes, mas chegando a ganhar 3500 euros.

Quanto à entrada de novos trabalhadores, o presidente do SCP afirmou que «o sector está muito envelhecido e não está a ser renovado», atribuindo responsabilidades ao Governo, «porque acabaram com os centros de emprego onde davam formação».

«É mais fácil hoje encontrar uma agulha num palheiro do que encontrar um aprendiz», ilustrou.

Albano Ribeiro disse ainda que «os trabalhadores que possam vir para Portugal são bem-vindos, mas em mão de obra qualificada», considerando que «a maioria dela não são operários qualificados».

«Nós temos de qualificar para construir bem, e em segurança», defendeu.

Outra das questões abordadas foi a da fiscalização, que levou o sindicato a pedir audiências ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, e à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

«No sector da construção nós temos falta de inspetores. Os inspetores do trabalho primam mais por ir às grandes obras», afirmou o sindicalista, denunciando que, por outro lado, «80% dos acidentes de trabalho que ocorrem os acidentes de trabalho são empresas onde não vai a ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho]».

Para Albano Ribeiro, «tem que haver um reforço muito grande de inspectores do trabalho que intervenham nas obras aonde o trabalho precário e clandestino é alimentado».

«Penso que a senhora ministra será sensível a esta questão, porque, por exemplo, o Estado está a perder milhões de euros por mês», considerou.

«As redes mafiosas, os angariadores de mão de obra, o trabalho clandestino, isto tem tudo que acabar no sector», afirmou esta quarta feira aos jornalistas.

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