Tabaqueira: «A diversidade é a nossa maior força»

Para a Tabaqueira, a Inclusão & Diversidade é um pilar fundamental da área de sustentabilidade.

 

Há já algum tempo que a Tabaqueira e o grupo a que pertence, a Philip Morris International (PMI), se afirmam empenhadas em alcançar um futuro livre de fumo, o que implica uma profunda transformação da indústria, com a Ciência a Inovação Tecnológica a contribuírem para o desenvolvimento de melhores alternativas no consumo de tabaco. Para Margarida Cardoso, gestora de People & Culture e responsável pelos Recursos Humanos da Tabaqueira, «isto só é possível se formos capazes de atrair e reter uma comunidade diversa de inovadores, de pessoas que pensem e façam diferente, e que estejam absolutamente comprometidas em dar forma ao nosso desígnio de construir um futuro melhor. Precisamos, por isso, que as pessoas floresçam dentro da organização e no desempenho das suas funções e tal só é possível quando estão inseridas num ambiente de trabalho que, de facto, respeita o seu verdadeiro “eu”». Neste sentido, a diversidade é entendida na Tabaqueira numa abrangência mais ampla, incluindo género e identidade de género, idade, etnia, nacionalidade, orientação sexual, religião, incapacidade, estilo de pensamento, educação, competências técnicas, experiências de vida, e muito mais.

«Acreditamos, por isso, que, enquanto organização, a diversidade é a nossa maior força, e os nossos trabalhadores representam também a diversidade dos nossos consumidores. Claro que isto não faz sentido sem uma verdadeira cultura de inclusão, sem um conjunto de comportamentos que celebre esta diversidade e uma cultura onde as pessoas podem falar e ser ouvidas, onde cada um possa trazer o seu background, a sua experiência e as suas perspectivas para o trabalho», acrescenta Margarida Cardoso.

Para colocar em prática a sua estratégia de Inclusão & Diversidade (I&D), a Tabaqueira dispõe de diversas ferramentas, entre elas a certificação EQUAL PAY, da EQUAL PAY Foundation, que atesta que mulheres e homens, nas dezenas de países onde a PMI opera, recebem exactamente o mesmo pelo desempenho de funções iguais. De resto, em Portugal, a Tabaqueira foi a primeira empresa a ser certificada nesta área e este ano voltou a ser auditada, «um exercício importante para garantirmos um momento de revisão das nossas práticas e validação externa e isenta dos nossos compromissos em Portugal».

Margarida Cardoso afirma que «no âmbito da igualdade de género, este é um tema que está totalmente imbuído nas nossas práticas diárias de gestão de pessoas, e revemos potenciais enviesamentos inconscientes em todas as práticas e no âmbito dos diferentes processos de gestão de pessoas, como o recrutamento e a avaliação de talentos, a gestão de desempenho, oportunidades de desenvolvimento de carreira, respostas aos questionários organizacionais, entre outros».

Por outro lado a responsável de Recursos Humanos da empresa realça a importância de incentivar a igualdade na liderança. Isto, através do desenvolvimento pessoal das pessoas e de programas de desenvolvimento para funções de líder. «Também em todos os programas de liderança que temos é incluído um módulo de inclusão e diversidade, por sabermos que independentemente de linhas orientadoras e programas mais globais, é cada líder que faz a diferença, no seu dia-a-dia, para criar um ambiente inclusivo na sua própria equipa.»

Por esta razão, a Tabaqueira tem vindo a introduzir nos seus questionários organizacionais, que realizamos a cada trimestre, diferentes questões no âmbito da inclusão e diversidade, sobretudo para encontrar métricas mais ajustadas ao que a empresa em termos de cultura inclusiva. Cada vez mais é trabalhada a área de segurança psicológica e a necessidade de consolidação de uma cultura onde todos se sintam seguros e possam falar, expressar-se e mostrar vulnerabilidade. De acordo com Margarida Cardoso, isto «faz-se através da partilha das nossas ideias, questões e preocupações de forma aberta. Especialmente em períodos de grande crise e incerteza, como os que temos vivido nos últimos anos, a segurança psicológica adquire uma importância fundamental».

Na Tabaqueira, a questão da conciliação (ou integração) das dimensões pessoal e profissional é também crítica para que exista diversidade, flexibilidade e uma abordagem centrada nas pessoas. E por isso foi implementado este ano um modelo de smart work, híbrido, que dá às pessoas a possibilidade de escolherem combinar trabalho remoto e trabalho baseado no escritório.

Ainda neste âmbito, foi reforçado o compromisso, enquanto empresa global, na conciliação da maternidade e paternidade. Em 2021, e seguindo uma das recomendações do Fórum Económico Mundial, foram revistas as políticas nos diferentes países onde a Philip Morris International opera e introduzidas garantias de licenças parentais totalmente remuneradas (mínimo de 18 semanas para cuidadores primários e mínimo de oito semanas para cuidadores secundários) em todos os países, independentemente da legislação ou suporte locais.

Margarida Cardoso realça também o reforço de «apoio psicológico para poder melhor servir os diferentes trabalhadores que temos, bem como as suas famílias. E reforçamos as oportunidades de diálogo construtivo sobre estas questões, fortalecendo mais uma vez o papel de cada chefia».

De uma forma geral, a responsável acredita que «as questões de I&D não podem ser responsabilidade exclusiva de uma equipa de gestão ou de um departamento de recursos humanos. Se queremos mudanças culturas, estas têm que vir da participação activa de todos. É por isso que na Philip Morris International têm sido criados Employee Resource Groups (ERG), grupos de trabalhadores que se juntam para trabalhar diferentes temas de grupos subrepresentados na empresa, aumentando o diálogo e a consciência de todos nesta temática. Neste momento existem já quatro: WIN (women’s inspiration network), dedicado às questões de igualdade de género; STRIPES, dedicado às questões LGTBQ+; Embrace, acerca das questões de raça e etnicidade; e o PMI ABLE, focado na diversidade de (in)capacidades. Em Portugal estamos agora a formar um “capítulo local” do WIN, um grupo de trabalhadoras que vai ajudar a tornar-nos um lugar de excelência para mulheres trabalharem e desenvolverem as suas carreiras. E esperamos que este seja só o primeiro e que mais trabalhadores se juntem para contribuírem para o diálogo nas diferentes temáticas».

 

Desafios
No que diz respeito a desafios que persistem na sociedade relativamente aos temas de diversidade e inclusão, Margarida Cardoso acredita que, apesar de ainda haver muito a fazer, Portugal tem feito o seu caminho, nomeadamente no que diz respeito à igualdade de género: «as mulheres estão hoje mais representadas no mercado laboral, nas instituições públicas, nas empresas privadas, nos centros de decisão (políticos, económicos, sociais), na academia. Há três décadas, em 100 trabalhadores, menos de 40 eram mulheres. Hoje, as mulheres já são metade da população empregada em Portugal. Por outro lado, as mulheres estão em maioria do ensino superior (221 mil em 2021, versus 34 mil mulheres inscritas em universidades em 1978). Isso denota uma evolução muito positiva que tem sido feita nas últimas décadas – embora ainda seja necessário trabalhar muito mais.»

Já no que diz respeito a temas como a igualdade salarial e a partilha das tarefas domésticas, parece haver muito espaço para melhorar: «por um lado, as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens (de acordo com o mais recente Boletim Estatístico 2021 sobre Igualdade de Género em Portugal, da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, a diferença média ronda 149€-223€ mensais). Por outro lado, as trabalhadoras continuam a acrescentar ao seu emprego um segundo trabalho diário: as lides domésticas e o cuidado aos filhos, que continuam a ser sobretudo assegurados pelas mulheres e pelas mães. E este é um trabalho não pago. A retribuição enviesa desde logo a igualdade, porque as mulheres são menos livres nas suas escolhas e na forma como utilizam o tempo.»

 

Boas práticas
Nos últimos 12 meses, a Tabaqueira tem realizado fóruns e momentos de discussão acerca das diferentes temáticas também com convidados externos. Nestes fóruns foram abordadas as diferentes dimensões da saúde mental, com elevada participação online dos trabalhadores.

Em Março, a empresa promoveu uma conversa sobre os desafios de liderança no feminino com líderes da Tabaqueira mas também de outras empresas e organizações externas, «que se juntaram para uma conversa muito honesta e aberta, com presença física e online das nossas pessoas. Podermos ouvir diferentes vozes e perspectivas nesta área foi um passo importante para continuarmos o diálogo na nossa organização », explica Margarida Cardoso.

Mais recentemente, a Tabaqueira acolheu a primeira iniciativa a nível global do STRIPES, um grupo de trabalhadores da PMI que promove a inclusão da comunidade LGBTQ+ dentro da organização. Neste âmbito discutiu-se a importância de reconhecer a diferença e a diversidade. «Foi uma conversa muito inspiradora para todos e de real descoberta, porque falado na primeira pessoa, focado nos principais desafios e prioridades da comunidade LGBTQ+ dentro e fora da organização, mas também na forma como todos podemos assumir um papel enquanto aliados.»

Margarida Cardoso acrescenta que «trabalhamos todos os dias rumo à igualdade de género e em garantir que temos uma população cada vez mais igualitária. E se esta já é uma realidade, por exemplo, no que à retribuição salarial diz respeito, o mesmo ainda não acontece relativamente à população da Tabaqueira, até porque temos diferentes dimensões do negócio. Por exemplo, a nossa fábrica, que comemora este ano 95 anos desde a sua fundação, tem ainda uma população maioritariamente masculina».

Relativamente aos dados da população geral, dos mais de 1200 trabalhadores da Tabaqueira em Portugal 35% são mulheres em todas as funções. Além disso, quatro gerações coexistem na empresa (baby boomers, Gen X, Millenials, Gen Z) e uma grande diversidade de nacionalidades. «De facto a diversidade cultural é marcante na Tabaqueira: na nossa organização fala-se cerca de 20 línguas diferentes, por via dos trabalhadores de 33 nacionalidades que trabalham connosco».

Por outro lado, a Tabaqueira orgulha-se de já ter atingido um nível de paridade, com 40% dos cargos de gestão da organização local da Tabaqueira (mercado e fábrica) a serem ocupados por mulheres. O grupo PMI anunciou, no passado mês de Maio, o atingimento do objectivo global de equilíbrio de género (assegurar pelo menos 40% de representação feminina em funções de gestão), mas essa realidade já era anterior na Tabaqueira.

Em termos de cultura de inclusão, Margarida Cardoso reconhece que embora seja mais difícil encontrar métricas tangíveis, «têm que ser desenvolvidas lideranças com este mindset, de forma a que liderem o movimento com as suas equipas. É difícil haver inclusão em ambientes demasiado hierarquizados, em que a opinão de cada um tem um valor dependente da sua função e nível salarial ou em que são toleradas situações de desconforto para grupos sub representados. Mais do que um programa específico, é uma lente que deve estar completamente imbuída em todos os outros programas de desenvolvimento e em todos os processos de gestão de pessoas, para que produza efeitos reais».

Quanto a objectivos para o futuro próximo, a responsável de Recursos Humanos refere que «este será mais um ano de foco e de consistência nos planos que iniciámos. De continuar a garantir a questão de igualdade de género nas suas diferentes dimensões; de discutir mais abertamente as questões relacionadas com outros grupos sub representados na nossa organização; de investirmos na saúde e bem estar de todas as nossas pessoas; de continuarmos a trabalhar para oferecer soluções flexíveis e ajustadas à realidade de cada um. E sobretudo, continuar o investimento num ambiente aberto onde a voz de todos é ouvida e valorizada, uma pedra basilar numa cultura de inclusão».

 

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Igualdade, diversidade e inclusão” publicado na edição de Julho (n.º 139) da Human Resources.

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