Todos podemos ser Primavera

Human Resources
23 de Março 2021 | 11:10
Todos podemos ser Primavera

Por Diogo Alarcão, CEO da Mercer

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Já cheira a Primavera… o sol voltou a aparecer, desta vez mais quente. A vontade de caminhar junto ao mar ou no campo cresce dentro de cada um de nós. Apesar dos confinamentos, os projetos para o Verão começam a ganhar forma e tudo isto é muito bom!

A Primavera trás também consigo o fim do primeiro trimestre. Já alguma vez tinha pensado nisso? Já alguma vez tinha associado esta estação do ano ao balanço trimestral da sua empresa? Confesso que nunca o tinha feito até ao momento em que esta pandemia me empurrou para dentro de casa há mais de um ano.

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Não podemos ignorar as terríveis consequências da COVID 19. Em termos de sofrimento humano a morte de familiares e amigos, doentes conhecidos e desconhecidos hospitalizados e alguns com sequelas para o resto da vida, milhões de pessoas empurradas para o desemprego, lay-off e precarização das suas condições de trabalho. A nível económico, assistimos à destruição de valor em proporções inimagináveis há uns tempos atrás, setores completamente paralisados e com perspetivas ainda muito pouco animadoras, pressão sobre os serviços de saúde e sistemas de apoio social, alguma incerteza sobre a resiliência do setor financeiro, entre outras.

Todavia, neste “inverno prolongado” a que a COVID 19 submeteu o Mundo, temos que procurar sinais positivos. Temos que valorizar e partilhar o que a pandemia tem trazido de positivo. Nos últimos meses, são muitas as partilhas que tenho testemunhado sobre os efeitos positivos da COVID 19 na vida das pessoas e das organizações. Muitos de nós temos tido o privilégio de sentir que os laços familiares se reforçaram ou, pelo menos, demonstraram níveis de resiliência e disponibilidade que desconhecíamos. Os movimentos de solidariedade e apoio social que surgiram logo no início do primeiro confinamento em março de 2020 têm dado mostras de se manterem a níveis bastante elevados. Falo certamente dos apoios públicos, mas também do setor social. O papel silencioso das comunidades religiosas, IPSS, ONGs tem sido fundamental para manter a dignidade humana junto dos mais expostos e frágeis.

A nível das organizações são também muitas as consequências positivas desta pandemia. Conseguimos reorganizar formas de trabalhar, desde logo através do trabalho remoto e flexível, mas também na forma como estamos a comunicar. São múltiplos os exemplos de empresas que se tornaram mais próximas das suas pessoas e que desenharam estratégias de comunicação interna para manter níveis de compromisso elevados, mas também para detetar, o mais rapidamente possível, sinais de stress, burnout ou sobrecarga de trabalho. As chefias estão a ser chamadas a encontrar novas formas de “sentir” as suas equipas ainda que à distância. Criaram-se novas formas de trabalhar com clientes e fornecedores. E tudo isto, parece-me que melhorou a forma como gerimos o nosso tempo e o dos outros.

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Acredito, sinceramente, que estamos a assistir a um processo de “humanização das organizações”. Sei que tudo o que refiro não é um fenómeno generalizado e que, infelizmente, haverá ainda muitas organizações que não perceberam que o caminho tem que ser por aqui. Estou também consciente que outras não terão condições para o fazer ou, pelo menos, para o fazer tão depressa.

É aqui que acredito que nos podemos inspirar na natureza ou, se quiserem, na Primavera. Todos os anos, ao Inverno segue-se um período de floração e crescimento. Também nós podemos e devemos continuadamente renascer, crescer, dar fruto, reproduzir. É este, independentemente da função que desempenhamos, o desafio que temos como profissionais. A seguir a este prolongado “inverno pandémico”, podemos ser a Primavera das nossas empresas, das nossas equipas, das nossas vidas. Aproveitemos o sol que nos aquece lá fora para repensarmos o que estamos a fazer e como estamos a fazer. Aproveitemos este final de trimestre para olhar para trás e ver o que crescemos ou, pelo menos, o que aprendemos para podermos voltar a crescer. Aproveitemos a força e energia da Primavera para sermos fruto e reproduzir o que fizemos de bom e positivo nestes primeiros três meses de 2021 e, desta forma, inspirar outros e reconfortar os que ainda estão a viver o “inverno”. Se o fizermos à nossa pequena escala, na nossa equipa e na nossa empresa, outros seguirão e sentir-se-ão inspirados pelos nossos exemplos

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É importante saber e sentir que TODOS PODEMOS SER PRIMAVERA.

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