Longe vai o tempo em que os trabalhadores permaneciam na mesma profissão – e muitas vezes na mesma empresa – até à reforma. Hoje, viver o sonho é abrir caminho para uma semana de trabalho de quatro dias, ter horários flexíveis ou fazer login num qualquer lugar com acesso a Wi-Fi, avança a Glassdoor.
A grande maioria (81%) dos profissionais da comunidade Glassdoor disse que seriam mais produtivos se a sua empresa implementasse uma semana de trabalho de quatro dias, enquanto apenas 19% discordaram.
Os trabalhadores de hoje estão a reimaginar como deveria ser o trabalho, mas não é consensual. Para alguns, o fim da semana de 40 horas significa trabalhar menos; para outros, trata-se de trabalhar de forma diferente.
Ainda que a jornada de 40 horas semanais seja uma realidade para a maioria, a internet veio mudar tudo, já que muitas empresas tiveram de se adaptar a um ciclo de 24 horas. E o e-mail também tem a sua dose de culpa. O conceito de after-hours está completamente obsoleto quando as equipas podem trocar ideias em segundos por e-mail, texto ou voz.
Para muitos profissionais, a COVID19 foi a gota de água. A pandemia tornou o trabalho em casa uma necessidade. Essa abordagem também gerou grandes lucros para algumas das maiores empresas do mundo, dissipando o mito de que os trabalhadores precisam de estar num escritório, juntos, ao mesmo tempo.
Se as 40 horas por semana não se traduzem necessariamente em sucesso, qual é a alternativa? Resultados.
Em 2008, uma empresa norte-americana sediada em Dallas, Ryan, adoptou uma abordagem que prioriza os resultados. Isso significa que alguns colaboradores trabalham menos de 20 horas por semana e outros têm autonomia para começar o dia quando e onde quiserem. E foi um sucesso.
Quando a empresa mudou para uma estrutura mais flexível, a receita aumentou, a satisfação do cliente disparou e o volume de negócios cresceu. Hoje, desfruta de uma excelente classificação de trabalhadores de 4,4/5,0 no Glassdoor, com muitos elogiar as políticas favoráveis aos colaboradores da empresa.
As políticas orientadas para resultados também reflectem a realidade de que os profissionais não “desligam” simplesmente fora do horário de trabalho.
«Algumas das minhas melhores ideias surgem quando não estou sentado à secretária», refere Aytekin Tank, fundador e CEO da JotForm no Lifehack. «Costumo fazer brainstorming durante caminhadas nos fins-de-semana ou no ginásio de manhã cedo. Quando essas ideias inesperadas surgem, reservo tempo para as delinear – e geralmente não é entre as 9h e 18h.”
À medida que Silicon Valley se tornou sinónimo de sucesso nos primeiros tempos, as empresas tecnológicas mimaram os colaboradores com regalias como autocarros luxuosos com Wi-Fi, aulas de fitness, refeições gratuitas, limpeza a seco e espaços de trabalho que aceitam cães. Embora esses benefícios se tenham tornado símbolo de um óptimo local de trabalho, alguns profissionais argumentam que estão a perturbar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Afinal, porquê ir para casa se há ginásio, comida e a companhia do cão no escritório? Mesmo assim, trabalhar num escritório confortável pode levar ao burnout.
Hoje, as vantagens no local de trabalho enfrentam forte concorrência com a semana de trabalho flexível. Segundo um relatório da Adobe, 73% dos Millennials mudariam de emprego para ter mais controlo sobre a sua agenda, seguidos por 66% dos trabalhadores da Geração Z, 59% dos membros da geração X e 46% dos Baby Boomers. Em resposta, as empresas estão a experimentar semanas de trabalho mais curtas e a ver resultados promissores. Um teste de semana de trabalho de quatro dias na Microsoft, no Japão, por exemplo, relatou um aumento de 40% na produtividade.
Alguns profissionais trabalham melhor de manhã cedo, outros são noctívagos e muitos trabalhadores com famílias precisam de começar e parar durante o dia para cuidar dos filhos. Não existe uma abordagem única para o trabalho, mas encontrar a melhor solução para o seu estilo de vida, provavelmente, fará com que se sinta mais feliz no trabalho.














