Um dos países com a média de horas de trabalho mais alta da OCDE está a testar uma semana de trabalho mais curta

A Coreia do Sul está a testar uma semana de trabalho mais curta para combater as longas jornadas, melhorar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e enfrentar desafios sociais como as baixas taxas de natalidade e o declínio da produtividade, reporta o Allwork.

O país começou a testar uma semana de trabalho mais curta no sector privado, como parte dos esforços para reduzir o excesso de horas de trabalho e melhorar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. O programa piloto, lançado na província de Gyeonggi em Junho, permite às empresas participantes reduzir o horário de trabalho dos colaboradores para 35 horas semanais, com opções como quatro dias inteiros a cada duas semanas ou uma semana consistente de 4,5 dias, de acordo com o Money and Banking.

A iniciativa envolve 67 pequenas e médias empresas e um organismo público. O governo local está a oferecer um apoio financeiro de 260.000 wons (cerca de 187 dólares) por trabalhador a cada mês às empresas que reduzam o horário semanal em cinco horas. Um orçamento total de 1 bilião de wons foi alocado ao programa.

Embora o projecto vise melhorar a satisfação dos colaboradores e abordar questões sociais mais amplas, como a baixa taxa de natalidade, levanta preocupações sobre a manutenção dos salários e a produtividade. Os críticos argumentam que a implementação deste modelo a nível nacional poderia prejudicar as finanças dos governos locais.

De acordo com os dados da OCDE, os sul-coreanos trabalharam em média 1.865 horas em 2024 — significativamente acima da média da OCDE de 1.736 horas e uma das mais elevadas entre os países membros.

O Presidente Lee Jae-myung descreveu a reforma do horário de trabalho como essencial, salientando que o foco de longa data do país na quantidade em detrimento da qualidade já não é sustentável. No entanto, o seu governo está a evitar uma imposição legal nacional, preferindo incentivar a mudança voluntária em todos os sectores.

Várias grandes empresas já estão a experimentar sistemas flexíveis. A Samsung Electronics, por exemplo, permite que os colaboradores tirem algumas sextas-feiras de folga, enquanto a SK Telecom oferece “Happy Fridays” duas vezes por mês.

As gerações mais jovens, especialmente os Millennials e a Geração Z, estão a dar cada vez mais prioridade ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional quando escolhem os seus empregadores. Uma pesquisa recente da Federação das Indústrias Coreanas destacou esta mudança, com muitos trabalhadores mais jovens a valorizarem o tempo pessoal tanto como o salário.

Por enquanto, o projecto-piloto servirá como um teste para avaliar o impacto da redução de horas no desempenho, no humor e nas operações dos colaboradores, preparando potencialmente o terreno para uma reforma mais ampla no futuro.

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