72% das empresas do comércio e restauração endividaram-se para cobrir prejuízos

Margarida Lopes
9 de Novembro 2020 | 17:05
72% das empresas do comércio e restauração endividaram-se para cobrir prejuízos

Metade das empresas de comércio e restauração reportam quedas de vendas superiores a 50% desde início da pandemia, 72% endividaram-se para cobrir prejuízos e 60% ponderam um plano de protecção de credores em 2021, revela hoje um inquérito.

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Efectuado pela Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR) entre 1 e 4 de Novembro, para «avaliar a sustentabilidade do sector», o inquérito – ao qual responderam associados representativos de mais de 2300 lojas – demonstra que 50% das empresas apresentam quedas de vendas superiores a 50% e 95% reportam descidas acima de 25% entre 15 de Março e 31 de Outubro.

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O estudo evidencia ainda que «72% das empresas já tiveram necessidade de aumentar o endividamento bancário para fazer face aos prejuízos e socorrerem a dificuldades de tesouraria e 66% recorreram a fundos próprios ou dos accionistas».

Por outro lado, 60% das empresas «consideram como provável o recurso a um plano de protecção de credores em 2021».

No que respeita às medidas defendidas para permitir a viabilização das empresas, 75% dos inquiridos consideram que o regime das rendas variáveis aprovado na Lei do Orçamento Suplementar «é essencial para a sua salvação e para a proteção do emprego», desde que aplicado desde o confinamento e prolongado para 2021.

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Relativamente às novas restrições decretadas no âmbito do estado de emergência, que hoje começa, o presidente da AMRR nota que o próprio Governo «reconhece que as medidas são péssimas para a restauração e para o comércio, em especial num período próximo do Natal, que é a salvação do ano para muitos».

«2020 está a ser catastrófico. Caso não sejam aprovadas medidas de justa repartição do sacrifício entre proprietários, arrendatários e Estado, são dezenas de milhares de empresas que vão à falência e centenas de milhares de empregos perdidos», alerta Miguel Pina Martins.

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Salientando que «está nas mãos do Governo e da Assembleia da República assegurar a aplicação das rendas variáveis no ano 2021 e uma redução das rendas dos lojistas e dos restaurantes de rua», o dirigente associativo avisa que «só assim é possível, enquanto comunidade e setor, ultrapassar esta crise, repartindo sacrifícios».

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Miguel Pina Martins defende ainda, «como medida imediata», uma flexibilização da lotação dos espaços comerciais, salientando que «os lojistas têm feito investimentos enormes para terem espaços seguros e não sentem que esse esforço esteja a ser reconhecido pelo Governo».

«A AMRR apela aos decisores políticos que tomem as medidas necessárias para que as empresas do comércio a retalho e da restauração possam sobreviver a esta crise, permitindo a proteção dos mais de 375 mil empregos que o sector gera e a recuperação económica do país», remata.

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