
Um em cada 16 trabalhadores poderão ter de encontrar emprego em novas profissões até 2030
O relatório “O futuro do trabalho após a COVID-19” do McKinsey Global Institute (MGI) demonstra que a pandemia acelerou três grandes mudanças no comportamento dos consumidores e nos modelos de negócio, o aumento do trabalho remoto, maior aceitação do comércio electrónico e das interações virtuais, e implantação mais rápida das tecnologias de automatização e de IA. Estas tendências vão exacerbar ainda mais o reajuste de empregos na economia ao longo da próxima década.
Consequentemente, mais de 100 milhões de trabalhadores, ou 1 em 16, poderão ter de encontrar emprego em novas profissões até 2030. As mudanças vão exigirão competências mais avançadas e intensificar o desafio da requalificação profissional.
A pandemia da COVID-19 perturbou os mercados de trabalho à escala mundial durante 2020, porque as empresas tiveram de responder subitamente a uma nova dimensão do trabalho, a da proximidade física. O novo relatório do McKinsey Global Institute (MGI) procura compreender o impacto da pandemia no futuro do trabalho no longo prazo.
A investigação recorre a uma nova abordagem que classifica as ocupações com base nas interacções físicas que exigem. Os empregos que exigem uma maior proximidade, tais como caixas em lojas, empregados de mesa e cozinheiros em restaurantes e recepcionistas em hotéis, podem sofrer as maiores perturbações após a pandemia devido a mudanças persistentes no comportamento dos clientes e do negócio.
Por outro lado, é provável que as profissões de elevado crescimento em cuidados de saúde e as profissões STEM se expandam fortemente.
Assim, o relatório destaca seis tendências que foram impulsionadas pela COVID-19:
O trabalho remoto veio para ficar. As empresas já estão a conceber modelos híbridos de trabalho remoto e o MGI estima que cerca de 20 a 25% dos trabalhadores nas economias avançadas poderiam exercer as respectivas profissões a partir de casa na maior parte do tempo. Isto poderá afetar os empregos em escritórios, os transportes públicos, e os restaurantes e o comércio a retalho em áreas urbanas, se menos trabalhadores se deslocarem para empregos em escritórios.
As viagens de negócios podem diminuir. As reuniões virtuais poderão substituir 20% das viagens de negócios, o que se repercutirá em restaurantes, hotéis e companhias aéreas.
A geografia do trabalho poderá mudar. Antes da pandemia, os trabalhadores muito qualificados eram atraídos para as maiores cidades do mundo. Agora, o trabalho remoto viabilizado por ferramentas digitais oferece a oportunidade de os trabalhadores viverem em qualquer lugar e de as empresas recrutarem de forma mais alargada.
O comércio electrónico e as transações virtuais seguem uma nova trajetória. A COVID-19 forçou os consumidores e as empresas a migrar rapidamente para a “economia de entrega” facilitada pela dimensão digital, que está a deslocar os empregos de salários reduzidos das lojas e restaurantes para os armazéns e transportes. Nos países em estudo, o comércio electrónico cresceu tanto em 2020 quanto nos três a cinco anos anteriores juntos, e a entrega de compras e alimentos, os serviços bancários eletrónicos, a telemedicina, e o entretenimento em streaming dispararam. Os inquéritos da McKinsey determinaram que 50 a 80% dos consumidores afirmam que continuarão a utilizar estes canais devido à conveniência que oferecem.
É provável que o trabalho independente e temporário se expanda. A economia de entrega e o trabalho remoto já ampliaram as oportunidades de trabalho para os trabalhadores independentes. Cerca de 70% dos 800 executivos globais inquiridos pela McKinsey afirmaram esperar contratar mais trabalhadores independentes para projectos durante os próximos dois anos.
A automatização e a IA poderão aumentar. As empresas começaram a adoptar a automatização e a IA para reduzir a densidade dos locais de trabalho e para lidar com os picos de procura, e isto pode acelerar à medida que a economia recupera. O inquérito da McKinsey realizado em Julho mostrou que 68% dos executivos indicaram ter planos para aumentar a adopção da automatização e da IA, havendo percentagens igualmente consideráveis de inquiridos que indicaram contar com uma maior implementação de ferramentas de trabalho digitais, plataformas de comércio electrónico e plataformas digitais de supply chain.
O relatório também discute acções que as empresas, os decisores políticos e os educadores podem considerar para enfrentar o desafio que se avizinha em matéria de requalificação.
As empresas poderão adaptar modelos já em vigor, contratando trabalhadores com base em competências e não em títulos académicos, e os decisores políticos poderão reconfigurar programas de emergência que apoiem os trabalhadores durante a pandemia para oferecer incentivos que fomentem a requalificação profissional e a aprendizagem adicional. Trabalhadores mais qualificados e mais bem pagos poderão contribuir para uma maior prosperidade económica e igualdade social.
“O futuro do trabalho após a COVID-19” é o primeiro de uma série que o MGI irá divulgar e que explora o impacto da pandemia na economia no longo prazo. Baseando-se em investigação prévia, este relatório identifica o impacto duradouro da COVID-19 na procura de mão-de-obra, no mix de ocupações e nas competências da mão-de-obra necessárias em oito países – China, França, Alemanha, Índia, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos – nos quais se situa quase metade da mão-de-obra global e que representam mais de 60% do PIB global.